Discussão comum entre leitores: abandonar ou não um livro? Os mais obsessivos (o que todo leitor é em maior ou menor grau) sentem-se desafiados e vão até o fim, independente do que estejam lendo. Outros, preferem nem começar se o livro tiver "falhas de nascença", ou seja, começar mal. Há ainda os defensores da necessidade de resistir mesmo aos começos ruins, para ao fim, ganhar-se um grande livro. Como sou partidária do lema: a vida é curta e a lista (de livros) é longa, abandono sem remorso. Algumas vezes, para não entrar em longos debates com fãs ardorosos, acabo não dizendo quais livros ou o porquê do abandono. No entanto, acredito piamente que é possível vencer a "necessidade" de terminar um livro, fechá-lo com decisão e passar ao próximo. Sintetizei meus motivos abaixo. Listinha de 10 para que não falem que não gosto de listas (adoro):
1. Primeira frase ou parágrafo ruim. Sim, acho válido. Começou mal, nem tenho vontade de ir adiante. Pelo menos no primeiro parágrafo é necessário que o autor indique algum ritmo de prosa, e que esta seja atraente e dê vontade de prosseguir.
2. Texto grandiloquente por mais de 3 ou 4 páginas. Há quem goste, a mim enfadonha. Fica até legal numa primeira página, depois da terceira ou quarta a sensação de que algo está prestes a explodir me cansa.
3. Narrativa cinematográfica. Simples assim: quero ver um filme vou ao cinema. Um livro tem de ter linguagem literária. São artes diferentes.
4. Filosofia barata. Não dá... simplesmente não dá. Seja auto-ajuda, literatura de auto-ajuda, seja o que for. Corro na primeira frase que cheirar a isso.
5. Termos descolados e excesso de palavrões para o autor "parecer" cool. Quando o autor é, cola. Quando não... Preciso explicar?
6. Personagens que não convencem. O autor aparece o tempo inteiro ou neles ou os manipulando.
7. Personagens cujo o destino não me importa. Coisa de empatia. Se depois de uns 5 ou 6 capítulos o que vai acontecer com as personagens pouco se me dá, não tenho interesse em acompanhá-las até o fim do livro.
8. Excesso de descrições. Este é um item negociável. Há autores que fazem isso de forma encantadora, outros te fazem pular parágrafos. Se eu começo a ler duas frases e pulo para o diálogo é indício que estou a dois passos de fechar o livro.
9. Furos narrativos. Exemplo sem citar nomes: protagonista de 16 anos desce de um carro, ao crepúsculo, com chuva, ajustando uma capa sobre a cabeça e corre em direção a uma confeitaria. Durante a corrida, ela descreve com detalhes a porta da confeitaria artisticamente feita em marchetaria e alto relevo. Entendeu? Ah, eu disse que o texto é uma memória escrita 50 anos depois? Pois é.
10. Excesso de metáforas, figuras de linguagem, floreios e adjetivos. Não sou contra o uso, sou contra o excesso e o excesso mal colocado. Deixa o livro ruim e fim de papo.

se um livro é mediano, eu vou até o fim.
ResponderExcluiragora tem situação que tem livro que não desce, ai largo mesmo.
dois exemplos: tolkien me fez parar de ler a sociedade do anel por um mês, de tão cansada que fiquei com o estilo, até hoje luto pra ler as outras obras (o silmarillion larguei e pretendo retomar, um dia).
meyer me fez ler crepúsculo pela curiosidade. no primeiro livro até gostei, razoável para livro teen, pq nem jovem adulto considero. no segundo desandou, dei uma nova chance no terceiro, e nem encosto na capa do quarto livro, que ali, pelos spoilers, a coisa toda ficou completamente intragável.
Gostei da sua lista de motivos. Acho que tentar por um, dois ou até três capítulos, dependendo do tamanho dos capítulos, é válido. Mas se depois disso a coisa ainda não decolou, abandono mesmo. Tenho uma pilha de livros me esperando. Auto-ajuda não é motivo para abandonar um livro; é motivo para nem abri-lo! hehe...
ResponderExcluirEu sou do tipo que não desiste. Só larguei três livros na vida. E pretendo um dia retomá-los. Acho que é a questão da honra!
ResponderExcluirO mais importante de meu aprendizado como leitor foi o de não abandonar livros. Aprendi, em decorrência, a me certificar de que o livro a ser adquirido é realmente fundamental, que em algum momento vou lê-lo, seja daqui um dia ou vinte anos (embora eu esteja tão afiado que o prazo máximo é de alguns meses). Se eu tivesse me pego à satisfação das prerrogativas acima, teria abandonado os meus mais queridos livros. Por exemplo: demorei anos, na adolescência, para ler "Absalão, Absalão", do Faulkner. Repudiava-o já na quinta página. Mas esperei que ele me aceitasse, pois sabia que um monte de pessoas que me haviam recomendado (principalmente meu ídolo literário à época, García Marquez), não deveria estar equivocado. Ele me aceitou, e já o reli mais duas vezes, e é um de meus 5 livros fundamentais. Assim Joyce, entre outros. Tive sorte de aprender essa disciplina na adolescência, o que me capacitou a hoje não temer nenhum hermetismo literário.
ResponderExcluirJá abandonei alguns livros, mas menos do que gostaria, acho. Sou meio compulsivo. Sinto necessidade de saber o que acontece no final. Ultimamente, quanto é livro em séries, tendo a esperar para ver o que acontece. Foi o que fiz com a Stephen Meyer. Conclusão: não li nenhum.
ResponderExcluirPois é... tenho uma certa resistência em abandonar livros! Não que nunca tenha abandonado. Mas os acho preciosos por excelência, preciso pensar a respeito com mais cuidado (já tenho feito isso!!!) e amadurecer nesse sentido! Como sempre, adoro suas publicações! Bj
ResponderExcluirSandra
Bate aqui, Nika! \o
ResponderExcluirEu desisto do livro sem dó nem piedade se não me encanta. Penso EXATAMENTE como você. E uso as palavras do Wladimir Improta (Senhora do Destino), que coisa pobre, mas lá vai: "O tempo ruge e a Sapucaí é grande!"
rsrsrsrsrsrsrs...
Como disse na minha descrição do Skoob: É muita leitura prá pouca vida.
Nosso tempo é precioso e com todos os afazeres da vida cotidiana, cada minuto que dispenso para ler é para mim sagrado e deve ser valorizado.
Bjos, querida!
Boa lista! Concordo com todos os itens.
ResponderExcluirSó suporto começos enfadonhos quando o autor/livro tem uma boa média de elogios da crítica ou indicação que tive.
Dos itens, o excesso de descrição é muito irritante. Além dos autores consagrados, Neal Cassidy e Jack Kerouac conseguem ser descritivos sem chatear;
Não tinha costume de abandonar livros, não conseguia, mas como vc disse "a vida é curta e a lista (de livros) é longa", sou adepta da frase tb, então abandono mesmo, sem remorso.
ResponderExcluirNão gosto de Narrativa cinematográfica, de texto enrolado, de descrições demais - o autor tem que ser muito bom pra fazê-las sem tornar o texto cansativo, a maioria não consegue.
Ótimo texto, parabéns mocinha =)
Penso que vai do momento, existem livros que necessitam de maturidade para se ler, e claro existem livros que depois de um certo tempo não tem mais graça.
ResponderExcluirExemplo: Há dois anos peguei o livro Ulisses para ler, depois do primeiro capitulo a coisa estava tão maçante que tenho medo de pegá-lo de novo, mas acho que eu não estava mesmo era preparado para aquilo que o autor queria passar.
Penso também que muito vem da influência externa, não é porque um amigo disse que é bom ou porque o seu autor favorito elogiou aquele livro que não tá passando pela sua garganta que você tem que gostar do livro ou lê-lo até o fim
Eu tenho dificuldades de abandonar livros. Eu até deixo vários esperando e pretendo terminá-los mesmo que seja depois de uns 10 no meio do caminho. Mas para efetivamente abandonar tem que estar muito chato.
ResponderExcluirGostei.
ResponderExcluirEstou nesse dilema com S. Bernardo de Graciliano... Estou empurrando porque não me permito abandonar a leitura. Sou assim com filmes também.
ResponderExcluirUm livro super bem falado foi "O Homem que não amava as mulheres", e eu achei chato, mas fui até o fim. Mas não consigo desapegar, preciso ler a série.