<?xml version='1.0' encoding='UTF-8'?><?xml-stylesheet href="http://www.blogger.com/styles/atom.css" type="text/css"?><feed xmlns='http://www.w3.org/2005/Atom' xmlns:openSearch='http://a9.com/-/spec/opensearchrss/1.0/' xmlns:georss='http://www.georss.org/georss' xmlns:gd='http://schemas.google.com/g/2005' xmlns:thr='http://purl.org/syndication/thread/1.0'><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678</id><updated>2012-02-22T22:18:07.501-02:00</updated><category term='Música'/><category term='Receitinhas'/><category term='Leituras'/><category term='Memória'/><category term='Poesia'/><category term='História'/><category term='Vídeo'/><category term='Conto'/><category term='Crônica'/><category term='Livro de Judite'/><category term='Links'/><category term='Ensaios'/><title type='text'>Sapatinhos Vermelhos</title><subtitle type='html'>Histórias, elucubrações e 
o que der na veneta nos dias de chuva</subtitle><link rel='http://schemas.google.com/g/2005#feed' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/posts/default'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default?max-results=100'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/'/><link rel='hub' href='http://pubsubhubbub.appspot.com/'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><generator version='7.00' uri='http://www.blogger.com'>Blogger</generator><openSearch:totalResults>81</openSearch:totalResults><openSearch:startIndex>1</openSearch:startIndex><openSearch:itemsPerPage>100</openSearch:itemsPerPage><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4101061896217028946</id><published>2012-02-20T11:46:00.000-02:00</published><updated>2012-02-20T11:46:14.382-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Como nasce um livro?</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-yC2MiA3Guu8/T0JOMiv9qbI/AAAAAAAAAeI/BC5nqZsTPrI/s1600/escrever.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="245" src="http://2.bp.blogspot.com/-yC2MiA3Guu8/T0JOMiv9qbI/AAAAAAAAAeI/BC5nqZsTPrI/s320/escrever.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não foi exatamente como no título que a pergunta me chegou, porém, era mais ou menos isso que ela pretendia. &amp;nbsp;A questão nasceu junto com o anúncio para a família de que eu publicarei meu primeiro livro de ficção até o final do ano. O próprio acontecimento da pergunta já abre espaço para pensar outras coisas. É meu primeiro livro de ficção, mas não o primeiro livro, nem escrito nem publicado. Escrevi a dissertação e a tese. Apenas a primeira foi publicada, mas ambas são livros. Demandaram tempo, esforço, planejamento. No entanto, este é o ponto interessante, nenhuma delas parece contar da mesma forma que um livro que escrevi sem ter qualquer "obrigação" em escrever. Este sim. Este é de verdade. Ao menos, é como as reações dos outros me parece. Talvez, porque este seja o primeiro que qualquer um possa ler, caso tenha vontade. Os outro dois exigiriam vontade e também um pouco de paciência.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não se trata de uma crítica à reação das pessoas. Pelo contrário, há um pouco de razão nisso. De fato, há muita diferença na escrita destes três livros. Diferenças de linguagem, de ritmo de texto, de tempo empregado e (por que não?) de prazer na tarefa, de liberdade, de criatividade. Este, que ganhará sua forma impressa até o final deste ano, é minha entrada em um mundo, um mundo que eu já anunciava há algum tempo que queria pertencer: o mundo dos escritores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, não sei se escrever um livro (ou até três) é suficiente para fazer de alguém um escritor. Nem, auto-intitular-se. Talvez, a chancela final venha de quem edita e de quem lê. Acho bom confiar nisso. Se alguém leu o que foi escrito até o final, mesmo que para criticá-lo ao terminar, se pode bater no peito e dizer: sou escritor. Se, porém, o autor espantou seus leitores antes do fim, ainda não é um escritor.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Afora tudo isso, a explicação daquela primeira pergunta fez-me pensar na imagem que os escritores têm para os que não escrevem, mesmo sendo leitores. Há uma ideia de quase iluminação. E, provavelmente, é por isso que a escrita de um trabalho de pesquisa não ocupe um lugar análogo no imaginário geral. Afinal, um livro de ficção é uma história, então, basta contá-la. Basta tê-la na cabeça, sentar e escrevê-la, do primeiro ao último capítulo, certo? Mais pessoas têm esta ideia do que se possa imaginar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem assistiu ao filme &lt;b&gt;A Fonte da Vida&lt;/b&gt; pode não ter notado, ou se surpreendido, mas imagino que muitos, como eu, perceberam que o caderno da escritora vivida por Rachel Weiz é feito de frases lisas, sem correções, sem riscos, sem rasuras. A não ser que a personagem fosse Mozart, um gênio de quem a música já brotava quase perfeita (ou perfeita), ela não escreveria assim. O caderno de um escritor não é belo, não tem letra desenhada, não é limpinho. Ele é cheio de garranchos escritos às pressas, ou no ônibus, ou enquanto outras pessoas falam, mas você precisa, imediatamente, anotar uma ideia antes que ela fuja para nunca mais. O caderno é amassado de andar nas bolsas, ou nas malas, ou nas mochilas. Sovado de ser relido e muito, mas muito mesmo, riscado. Por vezes, até páginas inteiras. Outras, é preciso tentar ater-se às únicas linhas que foram salvas da revisão num dia de mau humor.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É claro, cada escritor tem sua receita, alguns, inclusive, seguem receitas (o que, por vezes, pode render bons livros). Há os que escrevem primeiro um capítulo chave da história. Outros escrevem, por primeiro, o último capítulo (mesmo que depois acabem por modificá-lo). Outros seguem a cronologia do primeiro ao último, mas isso não os livra de correções, revisões e apagamentos. Eu fui do primeiro ao último. Mas, não simplifique isso. Em 2008, escrevi 4 capítulos que foram apagados quase na íntegra. Em 2009, apaguei outros dois, quase inteiros. Em 2010 as coisas fluíram: &amp;nbsp;reescrevi quase tudo. Em 2011, cheguei a média de 1 capítulo por semana em minhas férias, mas fui lenta ao longo do ano. Era época do fim. Quando terminei, foi preciso um capítulo inteiro nascer onde antes não havia; e não sei quantas vezes trabalhei nas últimas páginas. Não houve riscos, pois o texto já estava na fase do computador, mas muitas marcas amarelas pareciam brotar nas passagens em que eu ou meu leitor crítico duvidávamos. Depois, o pente fino dos revisores e ainda virão mais.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não é à toa que muitos comparam a escrita de um livro a um parto (escritas de teses e dissertações também). Os motivos são claros. Dói. Dá trabalho. É difícil. Mas há muito orgulho no final. Contudo, é bom lembrar, apesar do parto e do nascimento, textos não são filhos. Haverá críticas e haverá os que não gostarão do que se escreveu. Sendo assim, é bom colocar o texto produzido, tanto quanto possível, num lugar diferente do amor filial. Isso pode salvar a vida e o ego de um escritor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quanto à mágica que um livro pode realizar... este é o sonho de todo o escritor ao fechar seu livro e a esperança de todo leitor ao abri-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4101061896217028946?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4101061896217028946/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/02/como-nasce-um-livro.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4101061896217028946'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4101061896217028946'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/02/como-nasce-um-livro.html' title='Como nasce um livro?'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-yC2MiA3Guu8/T0JOMiv9qbI/AAAAAAAAAeI/BC5nqZsTPrI/s72-c/escrever.png' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-213752813999642572</id><published>2012-02-18T12:11:00.000-02:00</published><updated>2012-02-18T12:11:34.822-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Histórias de Carnaval</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jkeLCL_2H7Y/Tz-r5FEQ5EI/AAAAAAAAAdY/Kb10Q8wOck4/s1600/IMG_3521.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/-jkeLCL_2H7Y/Tz-r5FEQ5EI/AAAAAAAAAdY/Kb10Q8wOck4/s320/IMG_3521.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda tenho fotos da roupa de bailarina com chapéu de fada do primeiro carnaval que minha memória alcança. Lembro da minha mãe forrando o chapéu com papel vermelho e do meu fascínio por aquilo. Lembro do lastex (era assim que chamavam) sob o meu queixo e do incômodo que eu aguentava por acreditar que estava linda. Foi a primeira vez que usei batom. Grudei os lábios um no outro, como via minha mãe fazer, mas não desgrudei mais. E se o batom caísse?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-VKHmJOmV6xs/Tz-ses2zVsI/AAAAAAAAAdg/OErDMIBOZfY/s1600/IMG_3522.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-VKHmJOmV6xs/Tz-ses2zVsI/AAAAAAAAAdg/OErDMIBOZfY/s320/IMG_3522.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu gosto era usar fantasia. Fui de&amp;nbsp;taitiana&amp;nbsp;no ano seguinte. E de&amp;nbsp;havaiana&amp;nbsp;no outro. E ficar em cima da mesa. Então, eu fiquei grande demais (apenas para ficar sobre a mesa) e tive de me juntar aos outros. O carnaval perdeu a graça. Descobri cedo que detestava ser empurrada, que me pisassem os pés, que ser espremida entre pessoas mais altas que eu me dava aflição. Nunca mais fui num baile infantil.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-unTTsaba6lQ/Tz-s4RGa02I/AAAAAAAAAdo/e20t7XYUx6s/s1600/IMG_3526.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-unTTsaba6lQ/Tz-s4RGa02I/AAAAAAAAAdo/e20t7XYUx6s/s320/IMG_3526.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu tinha uns 12 anos quando meu pai, levado por alguma nostalgia juvenil, resolveu nos levar para assistir ao carnaval de rua em Pelotas. Paramos na calçada, minha irmã e eu junto ao meio fio, nosso pais atrás. Um bloco de homens vestidos de mulheres - naquele estilo Vadinho na primeira cena de Dona Flor... - brincou conosco. Um deles passou uma cantada no meu pai, cujos olhos azuis chamam atenção. Então, eu fui puxada. Em segundos, não vi mais pai, nem mãe. Estava sendo arrastada no meio da multidão. Mãos me empurravam, passavam por mim, me tocavam. Entrei em pânico. Durou pouco. Durou uma eternidade. Meu pai nadou naquela correte humana e me resgatou. Saímos do rio para a margem e eu chorava muito. Foi preciso um sorvete enorme que não comi inteiro para me acalmar. Nunca mais quis saber de carnaval de rua.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-yoxGGvuIN5s/Tz-uIFAABBI/AAAAAAAAAdw/73OvDR5Izvk/s1600/428772_367357866627731_100000605628243_1355327_1177407300_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="228" src="http://3.bp.blogspot.com/-yoxGGvuIN5s/Tz-uIFAABBI/AAAAAAAAAdw/73OvDR5Izvk/s320/428772_367357866627731_100000605628243_1355327_1177407300_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aos 14 fui ao meu primeiro baile adulto. Por insistência da minha irmã, usamos fantasia. Como de costume (conforme descobri logo depois), minha irmã voltou a ser abóbora pelas 3 da manhã e quis ir para casa. Desta vez, fui junto. Afinal, mico em dois passa; carregado por uma única pessoa vira um orangotango. Mas aí começou um relação diferente com o carnaval que durou três anos. Eu ia à quase todos os bailes e pulava a noite toda. Descobri que no centro daquele redemoinho, que se forma no salão, era possível sambar. Ainda tocavam marchinhas e os maravilhosos samba-enredos da década de 80 e início dos 90. Vez por outra, um garoto convidava a mim e as minhas amigas para uma volta no redemoinho. Nunca fiquei muito, mas ia. Em meu ano mais entusiasmado, fiz baile do Havaí - quando eram apresentadas as rainhas -, as quatro noites e o Enterro dos Ossos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-TyeV_I9FWhQ/Tz-uVoP8PZI/AAAAAAAAAd4/J9VordY0pCI/s1600/423239_367353399961511_100000605628243_1355321_1753851294_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-TyeV_I9FWhQ/Tz-uVoP8PZI/AAAAAAAAAd4/J9VordY0pCI/s320/423239_367353399961511_100000605628243_1355321_1753851294_n.jpg" width="220" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi no ano seguinte que alguma coisa aconteceu. Talvez tenha sido o vestibular e as terríveis similaridades. Quatro dias, muito calor, muita gente, cansaço, inversão da rotina. O estresse foi a gota d'água. Quando o carnaval chegou, recusei todos os convites. Minha amigas não se conformaram. Levaram-me amarrada ao clube. Não é brincadeira, duas cordas foram passadas na minha cintura. Recusei-me a subir para o salão e fiquei sentada no chão do bar tomando água mineral. Pelas 3 da manhã, minha irmã, tal qual a Cinderela, ouviria as batidas do relógio e iria para casa. Desta vez, eu fui de bom grado. Nunca mais voltei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Desde então, parece que as más lembranças do carnaval, esquecidas por três anos na adolescência, &amp;nbsp;voltaram a me assombrar a pele. É um feriado quente em que minha misantropia aflora de forma perigosa. Não gosto de ver a "folia" na TV e as escolas de samba hoje tem brilho demais, e estão absolutamente iguais para gringo ver. As vinhetas dos jornais quase me incomodam. Houve tempo em que isso foi mais forte. Já fiz retiro e me tranquei em casa. Hoje respeito, entendo, e até vou alegre a alguma reunião de amigos com cachorro-quente, chopp e marchinhas. Ainda gosto das fantasias.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aETnCoISS9I/Tz-vPhe2xQI/AAAAAAAAAeA/eac-cXM8viM/s1600/IMG_3167.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-aETnCoISS9I/Tz-vPhe2xQI/AAAAAAAAAeA/eac-cXM8viM/s320/IMG_3167.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-213752813999642572?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/213752813999642572/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/02/historias-de-carnaval.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/213752813999642572'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/213752813999642572'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/02/historias-de-carnaval.html' title='Histórias de Carnaval'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-jkeLCL_2H7Y/Tz-r5FEQ5EI/AAAAAAAAAdY/Kb10Q8wOck4/s72-c/IMG_3521.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3594535910847329071</id><published>2012-01-23T14:49:00.003-02:00</published><updated>2012-02-18T18:40:48.268-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Bruxas de domingo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HrRxrfRw4jo/Tx2Poapgz2I/AAAAAAAAAdI/WUxnybsDhIY/s1600/sagas31.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-HrRxrfRw4jo/Tx2Poapgz2I/AAAAAAAAAdI/WUxnybsDhIY/s320/sagas31.jpg" width="210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há tempos eu não devorava um livro. Sendo um livro de contos, isso é ainda mais extraordinário. Contos de diferentes autores, algo inédito. Veja bem, do meu ponto de vista, é mais comum "devorar" um romance, uma história completa, daquelas que te puxam enquanto te fazem aguardar o final quase como um êxtase. Os contos, não raro, exigem algum respiro, algum tempo, um assentamento entre um e outro. Com autores, por vezes, é preciso "sair" de um para conseguir "entrar" em outro. Sendo assim, um livro de contos lido em (praticamente) um único fôlego, merece alguns cometários.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De fato, não posso dizer que a leitura da Coletânea &lt;b&gt;Sagas, vol. 3. O Martelo das Bruxas &lt;/b&gt;- editado pela jovem editora gaúcha Argonautas - tenha me surpreendido. Os cinco autores que aparecem na capa (mesmo que nunca tivesse lido nenhum deles) são velhos conhecidos por conta de resenhas e indicações que recebo pelas redes sociais e blogs literários. Logo, fui para os textos com alguma expectativa: queria algo bem escrito, leve, rápido e envolvente, tudo o que achava necessário para uma tarde de domingo. Não me decepcionei de forma alguma.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Sagas - O Martelo das Bruxas&lt;/b&gt;&amp;nbsp;é um livro fino, de edição que lembra as Pulps, bem diagramado e com um único erro de digitação em todo o livro. A coletânea apresenta a maturidade de ser a terceira, pois os autores atuam em conjunto como uma orquestra afinada, sem destoar. Os estilos diversos acabam complementando e dando o necessário refresco ao leitor, pois ir de um a outro escritor não cansa, pelo contrário, estimula. Admito que o tema é particularmente de meu agrado. Primeiro, são contos de literatura fantástica. Segundo: a caça às bruxas foi possivelmente o assunto que mais estudei em minha faculdade de História. Compreendê-la alimentou meu feminismo, minhas posições políticas, minhas dúvidas acerca da transcendência. É um tema que chega pouco às escolas e ainda é cercado por medo e a mais terrível das ignorâncias. Ficcioná-lo, creio, não é apenas uma forma de alcançar leitores, mas também de estimular sua pesquisa e compreensão em outras esferas. Se algum professor de ensino médio ler isso, creia-me, indique este livrinho aos seus alunos e deixe que eles lhe façam as perguntas que lhe vierem. Ele, Você e sua turma crescerão com isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre os contos, breves comentários para não acabar com o prazer de ninguém.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O primeiro conto &lt;i&gt;Cada história tem...&lt;/i&gt; do escritor norte-americano radicado no Brasil, Christopher Kastensmidt, explica porque o autor foi indicado ao prêmio Nebula Awards. Escrevendo numa língua estrangeira, o texto limpo e objetivo de Kastensmidt é de deixar muito brasileiro de nascimento envergonhado. Mesmo no uso paralelo dos pontos de vista dos dois protagonistas (coisa que nem sempre aprecio) as passagens são afinadas, sem saltos e, principalmente, sem aquela impressão de que se está assistindo a um filme.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conto de Ana Cristina Rodrigues - &lt;i&gt;O quão forte pode um gigante gritar &lt;/i&gt;- traz um mundo paralelo que vem e se toca dolorosamente com o nosso. A autora banca o flautista de Hamelin, pois é possível que o leitor se iluda com seus personagens com leve aparência de Tolkien e Bradley. Não se engane, a aparência é leve e o conto não é sobre isso. É sobre fanatismo e crueldade, e também sobre o que não se consegue conter. É, claro, também sobre amor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Encruzilhada&lt;/i&gt;, de Douglas MTC tem a narrativa mais diversa. Em alguns pontos grandiloquente, em outros intencionalmente truncada. Como cheguei&amp;nbsp;rápido&amp;nbsp;nele, demorei algumas páginas a perceber que estava dentro de um universo em que o onírico e a realidade não se dissociavam. Não há parâmetro de bom e mal aqui, tudo se mistura e converge. Ao fim, o conto causa estramento, mas no bom sentido da palavra.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O conto de Ana Lucia Merege, &lt;i&gt;A Justiça deste Mundo&lt;/i&gt;, é perturbador. As personagens são traídas por suas escolhas, são fracas, tolas, excessivamente confiadas, corrompíveis. São terreno fértil para os demônios sagazes. O tema, neste conto, não é a magia, mas ou a luta entre duas formas de pensar. Os dois lados são peões num tabuleiro de xadrez em que o principal jogador não é deste mundo e seu oponente está ausente. Minha única crítica fica por conta da opção da autora por escrever no tempo presente. Sim, o problema pode ser meu, mas isso verdadeiramente me atrapalha na leitura de um texto, quando vejo, sem pensar, minha mente está convertendo verbos a um tempo menos visual.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por fim, o conto de Duda Falcão, &lt;i&gt;Missa Negra&lt;/i&gt;. É o único que é escrito tendo por cenário um tempo moderno. Claustrofóbico, de ação lenta, quase inexistente. Lembrou-me um pouco Lovecraft. Deixa um gosto de "sem saída" ao final do livro. O narrador/personagem consegue carregá-lo junto em sua depressão. De fato, acho que eu apenas gostaria que, ao fim, a dúvida entre verdade e loucura se instalasse. Isso diminuiria a depressão do conto e aumentaria o medo. Contudo, a escolha do autor é muito bem sustentada na narrativa e mantém o final no alto nível de todo o texto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se há alguma dúvida de que recomendo o livro aos apreciadores de contos de literatura fantástica, aí vai: recomendo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3594535910847329071?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3594535910847329071/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/bruxas-de-domingo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3594535910847329071'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3594535910847329071'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/bruxas-de-domingo.html' title='Bruxas de domingo'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HrRxrfRw4jo/Tx2Poapgz2I/AAAAAAAAAdI/WUxnybsDhIY/s72-c/sagas31.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3562139924032096050</id><published>2012-01-20T15:33:00.003-02:00</published><updated>2012-02-18T12:14:12.788-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Ficção científica e saudade</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-h6_iMw9zejA/TxmlZNxb72I/AAAAAAAAAdA/E4ntBmYxa8I/s1600/2007051900_blog.uncovering.org_leibowitz_Picture2_Clipboard.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="271" src="http://1.bp.blogspot.com/-h6_iMw9zejA/TxmlZNxb72I/AAAAAAAAAdA/E4ntBmYxa8I/s320/2007051900_blog.uncovering.org_leibowitz_Picture2_Clipboard.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ainda não perdoo o Maneco por ter morrido. Mais ainda esta semana. Terminei de ler um bom livro de ficção científica e li-o todo pensando no quanto eu queria dividi-lo com ele. Foi o Maneco - o melhor amigo do meu pai, meu tio favorito emprestado, meu compadre - quem me emprestou, e me fez ler, meu primeiro livro de ficção científica. O livro que ele me emprestou? Uma bobagem. Coisa ruim mesmo. Mas não acho que ele o emprestou porque tivesse gostado. Apenas acreditou que seria o livro mais apropriado para seduzir uma leitora de 13 anos. E foi.&amp;nbsp;Trocamos muitos livros desde então. E tinha vezes em que ele locava filmes unicamente para ver comigo. Meu pai e o Maneco me tratavam como adulta e o respeito deles por mim pautou as formas como admito ser tratada.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Nestes anos de falta, doem sempre as festas e, com certeza, cada almoço de domingo. Porém, é a primeira vez que me&amp;nbsp;dói&amp;nbsp;um livro em tal quantidade. Queria a opinião dele, queria comparar com a minha, queria saber o que ele acharia de possível no futuro descrito no texto, queria seu conhecimento de física e tecnologia para me explicar. Queria que meu amigo de vida inteira - eu nem andava e já tinha esse amigo - estivesse ao alcance do meu telefonema. E, no próximo domingo, eu lhe levaria o livro e ficaria a aguardar quando ele ligaria, provavelmente convidando o Guto, o Miguel e eu para jantarmos cachorros quentes e me pediria um bolo. Então, teríamos conversa até a uma hora da manhã e, é claro, discordaríamos; o Guto faria piadas e o Maneco o chamaria de monstro, por não respeitar coisa alguma. Depois, enveredaríamos pelo livro que o Guto está lendo e o Maneco emprestou. Algo com física para leigos que os muito leigos não entendem, mas o Maneco nos explicaria nos intervalos das vezes em que o Miguel nos estivesse puxando de um lado para outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há épocas que nos povoam de mortos e a saudade é boa e ruim, e não há nada que se possa fazer com ela. Só guardá-la. Estará sempre na estante, me olhando, com a paz dos livros lidos e a afoiteza dos que me esperam.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Para não dizer que não falei dos livros, os citados foram: &lt;b&gt;Yargo&lt;/b&gt;, romance de ficção científica de Jacqueline Susann (foi o que li aos 13); &lt;b&gt;Cyber Brasiliana&lt;/b&gt;, de Richard Diegues (que movimentou esta postagem); e &lt;b&gt;O Quark e o Jaguar&lt;/b&gt;, de Murray Gell. Recomendo os dois últimos se você tiver mais de 13 anos.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3562139924032096050?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3562139924032096050/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/ficcao-cientifica-e-saudade.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3562139924032096050'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3562139924032096050'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/ficcao-cientifica-e-saudade.html' title='Ficção científica e saudade'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-h6_iMw9zejA/TxmlZNxb72I/AAAAAAAAAdA/E4ntBmYxa8I/s72-c/2007051900_blog.uncovering.org_leibowitz_Picture2_Clipboard.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-1224930590146080465</id><published>2012-01-13T18:49:00.002-02:00</published><updated>2012-02-18T12:13:46.191-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Como ler um texto acadêmico em Humanas</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-zPVh7gYyfMM/TxCY6vCyvVI/AAAAAAAAAc0/K8pf0s9EQNQ/s1600/eF%25C3%25A1cil_Leitura.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="288" src="http://4.bp.blogspot.com/-zPVh7gYyfMM/TxCY6vCyvVI/AAAAAAAAAc0/K8pf0s9EQNQ/s320/eF%25C3%25A1cil_Leitura.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em geral, quando alguém diz que pretende escrever (seja o que for), os mais&amp;nbsp;experientes&amp;nbsp;lhe recomendam que leia e, provavelmente, os menos experientes fariam a mesma recomendação. O problema, porém, não é apenas entupir-se de letras e palavras, mal mastigadas, mal deglutidas, mal digeridas. Para escrever bem é preciso LER e, ao contrário do que dizem, passamos toda a vida aprendendo a ler.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;Mas deixo uma ressalva aqui e agora: falo de aprender a ler e não de estar alfabetizado. Conhecer a língua portuguesa gramaticalmente é obra a ser completada no ensino fundamental e médio. Finda a ressalva.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;i&gt;&lt;br /&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comentei num post anterior que venho trabalhando-me para ser também uma leitora melhor e, em função disso, tenho lido livros que parecem falar aos escritores, mas que falam também aos leitores. Porém, todas estas obras dirigem-se ao leitor de ficção, mas este não é o único leitor. Tampouco o único tipo de escritor que há.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, cerca de quatro anos atrás, ministrei uma disciplina chamada Produção Textual em História. O intuito era facilitar aos nossos alunos a escrita de sua monografia de conclusão de curso, ritual de passagem temido e odiado pela maioria. As famigeradas 30 ou 40 páginas são dores de cabeça constantes para os concluintes e (não em menor grau) para seus orientadores. Comecei falando de narrativa. Assistimos ao belíssimo&amp;nbsp;Herói&amp;nbsp;(filme que recomendo). Vimos como é possível dar uma mesma informação por pessoas ou órgãos diferentes. Fizemos alguns exercícios. Então, percebi o óbvio: estava ensinando a escrita sem saber exatamente como meus alunos liam. Claro que costumo evidenciar logo nas primeiras aulas o que acho serem as etapas básicas da leitura acadêmica: 1ª leitura - reconhecer o texto; 2ª leitura - saber do que o texto trata em profundidade; 3ª leitura - compreendê-lo; 4ª leitura - relacioná-lo com outros textos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Os quatro passos genéricos serviam para alguns, mas nem todos pareciam segui-los ou internalizá-los. Então, formulei uma sequência mais completa, com a intenção de ajudar um leitor a seguir um texto acadêmico. Hoje, organizando a vida, encontrei com este material e resolvi postá-lo por aqui.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;Como ler um texto Acadêmico das Humanas:&lt;/b&gt;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;1. Localizar quem é o autor.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;2. Título do capítulo, título da obra, que tipo de obra: o que tudo isso informa sobre o texto?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;3. Como o autor começa?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;4. Que elementos o autor utiliza para definir o tema?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;5. O autor define os objetivos do artigo? Como?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;6. Ele problematiza o trabalho? Como?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;7. Quais os principais problemas que o autor aponta para o tema que ele propõe?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;8. Quais os conceitos que o autor utiliza e como ele os aborda?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;9. O autor faz uma revisão bibliográfica? Neste caso, preste atenção em:&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;a)&amp;nbsp;que autores e obras ele cita?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;b) o que dizem estas obras?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;c) os autores citados se contrapõe, concordam ou se complementam?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;d) o autor do texto concorda ou discorda deles?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;10. O que o autor agrega, em termos de argumentos, o seu texto ao debate com os autores que ele cita. Você consegue perceber que é um diálogo? O que o autor ressalta da fala dos outros autores e como ele opõe ou concorda com o que já foi escrito?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;11. O autor recupera obras que trazem como modelo o tema que ele está abordando? De que forma ele as apresenta?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;12. Como o autor apresenta o problema das fontes? Qual é a visão dele? Ele apresenta a visão de outros autores? Ele concorda ou discorda dos outros?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;13. Como o autor estrutura os trabalhos analisados no tema abordado em relação ao uso de fontes e métodos?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;14. O autor se posiciona sobre a validade desses usos?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;15. O autor se refere à escolas de pesquisa? Quais? E, principalmente, COMO?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;16. Quando o autor começa a desenvolver sua própria idéia sobre o tema?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;17. A partir de que problematização ele discute?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;18. Como ele faz isso?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;19. O autor cita outros autores e obras nessa parte? De que forma?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;20. Ele retorna à obras já citadas? Como? Qual o seu objetivo no texto ao fazer este retorno?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;21. Que outras questões ainda aparecem?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;22. De que forma o autor começa a concluir? Como ele finaliza?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;23. Situe em termos de páginas: introdução, revisão bibliográfica, problemas, desenvolvimento, conclusão.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;São 23 pontos&amp;nbsp;árduos, mas que, acredito, podem ser internalizados aos ponto de serem imperceptíveis, de serem feitos de forma quase automática. Mas acho um bom guia de trabalho. Para ler. E, certamente, para escrever dentro da academia.&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-1224930590146080465?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/1224930590146080465/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/como-ler-um-texto-academico-em-humanas.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1224930590146080465'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1224930590146080465'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/como-ler-um-texto-academico-em-humanas.html' title='Como ler um texto acadêmico em Humanas'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-zPVh7gYyfMM/TxCY6vCyvVI/AAAAAAAAAc0/K8pf0s9EQNQ/s72-c/eF%25C3%25A1cil_Leitura.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3063486807382873670</id><published>2012-01-06T16:38:00.001-02:00</published><updated>2012-02-18T12:13:16.385-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Da arte de abandonar livros</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JqtiJtIyPHE/Twc-gE8ishI/AAAAAAAAAcs/VRoqFITKCoE/s1600/elivrocad.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="229" src="http://4.bp.blogspot.com/-JqtiJtIyPHE/Twc-gE8ishI/AAAAAAAAAcs/VRoqFITKCoE/s320/elivrocad.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Discussão comum entre leitores: abandonar ou não um livro? Os mais obsessivos (o que todo leitor é em maior ou menor grau) sentem-se desafiados e vão até o fim, independente do que estejam lendo. Outros, preferem nem começar se o livro tiver "falhas de nascença", ou seja, começar mal. Há ainda os defensores da necessidade de resistir mesmo aos começos ruins, para ao fim, ganhar-se um grande livro. Como sou partidária do lema: a vida é curta e a lista (de livros) é longa, abandono sem remorso. Algumas vezes, para não entrar em longos debates com fãs ardorosos, acabo não dizendo quais livros ou o porquê do abandono. No entanto, acredito piamente que é possível vencer a "necessidade" de terminar um livro, fechá-lo com decisão e passar ao próximo. Sintetizei meus motivos abaixo. Listinha de 10 para que não falem que não gosto de listas (adoro):&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;1. Primeira frase ou parágrafo ruim. &lt;/b&gt;Sim, acho válido. Começou mal, nem tenho vontade de ir adiante. Pelo menos no primeiro parágrafo é necessário que o autor indique algum ritmo de prosa, e que esta seja atraente e dê vontade de prosseguir.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;2. Texto&amp;nbsp;grandiloquente&amp;nbsp;por mais de 3 ou 4 páginas.&lt;/b&gt; Há quem goste, a mim enfadonha. Fica até legal numa primeira página, depois da terceira ou quarta a sensação de que algo está prestes a explodir me cansa.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;3. Narrativa cinematográfica.&lt;/b&gt; Simples assim: quero ver um filme vou ao cinema. Um livro tem de ter linguagem literária. São artes diferentes.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;4. Filosofia barata.&lt;/b&gt; Não dá... simplesmente não dá. Seja auto-ajuda, literatura de auto-ajuda, seja o que for. Corro na primeira frase que cheirar a isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;5. Termos descolados e excesso de palavrões para o autor "parecer" cool.&lt;/b&gt;&amp;nbsp;Quando o autor é, cola. Quando não... Preciso explicar?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;6. Personagens que não convencem&lt;/b&gt;. O autor aparece o tempo inteiro ou neles ou os manipulando.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;7. Personagens cujo o destino não me importa.&lt;/b&gt; Coisa de empatia. Se depois de uns 5 ou 6 capítulos o que vai acontecer com as personagens pouco se me dá, não tenho interesse em acompanhá-las até o fim do livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;8. Excesso de descrições.&lt;/b&gt; Este é um item negociável. Há autores que fazem isso de forma encantadora, outros te fazem pular parágrafos. Se eu começo a ler duas frases e pulo para o diálogo é indício que estou a dois passos de fechar o livro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;9. Furos narrativos.&lt;/b&gt; Exemplo sem citar nomes: protagonista de 16 anos desce de um carro, ao crepúsculo, com chuva, ajustando uma capa sobre a cabeça e corre em direção a uma confeitaria. Durante a corrida, ela descreve com detalhes a porta da confeitaria artisticamente feita em marchetaria e alto relevo. Entendeu? Ah, eu disse que o texto é uma memória escrita 50 anos depois? Pois é.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;10. Excesso de metáforas, figuras de linguagem, floreios e adjetivos.&lt;/b&gt; Não sou contra o uso, sou contra o excesso e o excesso mal colocado. Deixa o livro ruim e fim de papo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3063486807382873670?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3063486807382873670/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/da-arte-de-abandonar-livros.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3063486807382873670'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3063486807382873670'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/da-arte-de-abandonar-livros.html' title='Da arte de abandonar livros'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JqtiJtIyPHE/Twc-gE8ishI/AAAAAAAAAcs/VRoqFITKCoE/s72-c/elivrocad.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5679872148489979597</id><published>2012-01-05T10:45:00.002-02:00</published><updated>2012-01-08T08:46:25.959-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Primeira Leitura</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Y3sl1Hjus9k/TwWZ43YY4QI/AAAAAAAAAck/vp3OEKykDHI/s1600/resenha_marina_zafon_10.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-Y3sl1Hjus9k/TwWZ43YY4QI/AAAAAAAAAck/vp3OEKykDHI/s320/resenha_marina_zafon_10.png" width="236" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha primeira leitura do ano foi &lt;b&gt;&lt;a href="http://www.submarino.com.br/produto/1/23951205/marina"&gt;Marina&lt;/a&gt;&lt;/b&gt;, do Carlos Ruiz Zafón, autor catalão que se tornou sucesso mundial com um livro posterior: &lt;b&gt;À Sombra do Vento.&lt;/b&gt; Não li seu best seller e &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt; acabou em minhas mãos por um conjunção entre indicação, preço acessível e a vontade de dar-me algo novo no Natal. Não direi que o livro é ruim, pois eu acabei a leitura, o que é mais do que posso dizer sobre muitos outros livros de autores bem recebidos no mercado e que abandonei no meio. De fato, consigo compreender quem gostou ou venha gostar do romance. Imagino que ele possa conquistar alguns fãs ardorosos e, portanto, se você está neste time (ou pretende incluir-se nele), sugiro que se poupe e não leia o restante, pois vou apresentar as razões de por que não gostei.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A primeira coisa a ser dita é que &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt; compõe-se de duas histórias que se entrelaçam de forma não muito convincente, mas entrelaçam-se. Há dois mistérios. Um envolvendo a personagem título e que, provavelmente, o leitor irá perceber bem antes de chegar ao capítulo 10, mesmo que o autor somente o revele nos capítulos finais. A segunda história é de um mistério maior e é a que consegue te envolver para levar até o fim do livro. Mas está bem longe de ser algo avassalador ou inexpugnável. O autor usa como referência dois clássicos do terror, mesclando-os (não contarei para não estragar possíveis prazeres). O problema é que esta referência é óbvia o bastante para deixar o leitor muito certo do que irá encontrar à frente, o que, num livro de mistério é um pecado. A não ser, claro, que esta não fosse a pretensão de Zafón. Como o livro se diz para o publico juvenil, imagino que o autor quisesse encontrar um grupo mais desavisado de leitores e assim, instiga-lo à leitura de clássicos. Imagino...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porém, foi com a primeira história que senti-me mais desconfortável. Além da quantidade de clichês dançando à minha frente, há uma sucessão de adjetivos tão grandes que, em alguns parágrafos tive a impressão do autor com uma metralhadora. Há um, no primeiro capítulo, cuja a impressão é de que os substantivos é que foram cortados. De fato, o primeiro capítulo incomodou-me a ponto de eu pensar que o livro ganharia muito, se ele fosse simplesmente cortado. Nele, o autor apresenta seus narrador e personagem principal. Este narrador vem, 15 anos depois dos acontecimentos, revisitar as memórias de quando ele tinha 15 anos. Aqui, o texto se superficializa muito, pois o narrador floreia as memórias do jovem com percepções - especialmente sobre a arquitetura de Barcelona - que me pareceram difíceis de estarem na cabeça de um jovem de 15 anos. Claro, no futuro, o narrador personagem será arquiteto (mas o leitor não sabe disso); claro, ele pode estar floreando a memória com percepções posteriores; claro, eu estou sendo tremendamente chata, mas o fato é que não me convenceu. Senti-me incapaz de alcançar o personagem. Ao contrário, eu sequer o via adulto. O que eu consegui vislumbrar foi autor falando pelo narrador e, acho, não era o que ele queria como escritor, nem eu como leitora, naquele momento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Após os capítulos iniciais, felizmente, o autor rende-se à sua história e diminui grandemente a quantidade de adjetivos o que ajuda a leitura a fluir. Existem duas histórias espelho no texto (mais duas), que se tocam sem se completar e acabam se perdendo. O fim é vertiginoso, mas no capítulo clímax, infelizmente, na hora de maior tensão, Zafón nos arrebata do texto e nos leva ao cinema. Há quem goste. Não é meu caso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois disso tudo, posso dizer que recomendo o livro? Não, acho que não, mas acredite, é bem possível que outros leitores não notem nada do que escrevi e gostem muito do romance. E, por favor, não pense que o que disse me jogará longe de outro Zafón. Há qualidade nele e lhe darei mais chances. Contudo, após a leitura finalizar, eu precisava exorcizar &lt;b&gt;Marina&lt;/b&gt; de mim, por isso escrevi aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P.S.: Achei resenhas mais abanadoras do livros, mas que entregam tudo o que devia ser mistério. Não vou indicá-las aqui por isso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5679872148489979597?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5679872148489979597/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/minha-primeira-leitura-do-ano-foi.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5679872148489979597'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5679872148489979597'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/minha-primeira-leitura-do-ano-foi.html' title='Primeira Leitura'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-Y3sl1Hjus9k/TwWZ43YY4QI/AAAAAAAAAck/vp3OEKykDHI/s72-c/resenha_marina_zafon_10.png' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-152275316744762318</id><published>2012-01-04T11:26:00.002-02:00</published><updated>2012-01-08T08:45:56.216-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Prazer de ler</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZFiDJtlBWjE/TwRTSnpeHvI/AAAAAAAAAcY/jVKjINYBw5k/s1600/a_arte_da_ficcao%25282%2529.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZFiDJtlBWjE/TwRTSnpeHvI/AAAAAAAAAcY/jVKjINYBw5k/s1600/a_arte_da_ficcao%25282%2529.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Durante o ano que findou iniciei um tipo de leitura que, embora não me fosse novo, nunca tinha feito com afinco e mais: com verdadeiro prazer. Falo de ler sobre a construção ficcional. Inicialmente, minha intenção era qualificar minha escrita, aprender, regular meu olhar para as inúmeras e (por que não?) enfadonhas releituras que o processo exige. Mas, então, em poucas páginas, vi-me do outro lado. Estava ávida sim, mas não como escritora. Era a leitora que aprendia. Depois de décadas, tenho me deliciado em aprender a ler.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comentei os dois livros anteriores desta jornada aqui no blog. Primeiro, foi &lt;a href="http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/os-sentidos-na-ficcao.html"&gt;Oficina de Escritores&lt;/a&gt;, talvez, o mais direto para quem escreve ou o mais operativo, certamente o que mais dá apoio nesta casa inconclusa de cômodos vazios a serem preenchidos que é o desejo de escrever. Depois, li o genial &amp;nbsp;&lt;a href="http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/aprendendo-como-funciona-ficcao.html"&gt;Como Funciona a Ficção&lt;/a&gt;, que figurou em várias listas como um dos melhores livros de 2011. Não li os outros, mas este, certamente, é. Diferente de &lt;i&gt;Oficina de Escritores&lt;/i&gt; - que é escrito por um escritor e professor de escrita criativa -, &lt;i&gt;Como Funciona a Ficção&lt;/i&gt; é escrito por um crítico literário. Sem pedantismo e com a paixão pela literatura impregnando cada palavra, o autor mostra o que, afinal, tanto delicia aos críticos ao lerem uma obra literária. De quebra, aprende-se. Obviamente não se vai passar a ler livros como um crítico, mas me peguei desejosa de ler obras clássicas que jamais haviam figurado em minhas listas de "quero ler".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Então, ganhei o encantador A &lt;a href="http://lpm.com.br/site/default.asp?Template=../livros/layout_produto.asp&amp;amp;CategoriaID=725462&amp;amp;ID=912200"&gt;Arte da Ficção&lt;/a&gt;, David Lodge. Como Stephen Koch, o autor é escritor e professor universitário de escrita criativa. O livro surgiu de uma série de 50 artigos escritos para as páginas literárias do jornal The Independent on Sunday, depois organizados em livros. São artigos curtos, altamente didáticos, perfeitamente claros e expressivos, mas nem por isso menos interessantes ou inteligentes. Nunca consegui ler mais dois artigos por dia, isso porque, após a leitura de cada um, havia muito o que pensar, localizar, absorver. O autor usa um esquema fixo: uma proposição no título, um exemplo retirado de uma grande obra ficcional e a explicação sobre tal uso na literatura, algumas vezes, cruzando com exemplos de outros autores.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim dele:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. aumentei minha lista de leituras que preciso;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. senti-me mais inteligente;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. convencei-me de que minha escrita nunca chegará tão longe;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;4. sou uma leitora melhor e, provavelmente, ainda mais chata.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei tremendamente satisfeita com o resultado e recomendo para quem busca uma boa leitura de férias, seja qual for seu interesse. Único pré-requisito: amar a literatura.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-152275316744762318?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/152275316744762318/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/prazer-de-ler.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/152275316744762318'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/152275316744762318'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2012/01/prazer-de-ler.html' title='Prazer de ler'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ZFiDJtlBWjE/TwRTSnpeHvI/AAAAAAAAAcY/jVKjINYBw5k/s72-c/a_arte_da_ficcao%25282%2529.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8351975408624277107</id><published>2011-12-23T09:58:00.001-02:00</published><updated>2012-01-08T08:40:13.140-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Lascas e cicatrizes</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-EUXcBrsis-Q/TvJMHTaYVkI/AAAAAAAAAcM/mOq97ySW30o/s1600/nu-artistico-3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-EUXcBrsis-Q/TvJMHTaYVkI/AAAAAAAAAcM/mOq97ySW30o/s320/nu-artistico-3.jpg" width="213" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Ainda lembro quando o primeiro prato da minha casa de adulta lascou. Não quebrar, porque, afinal, muitos já haviam sido quebrados por acidentes diversos. Mas, lascar, ali, na pontinha. Fosse um prato de todo dia, nem o perceberíamos. Acontece que era um prato daqueles, sabe? Dos bons, dos que somente se tira para as visitas. Não que fosse algum tipo superior de faiança. Não, não. Apenas não era o ordinário, era o mais guardado. Quando se tem pouca coisa – como era na época – e se conta os trocados, isso tem um potencial bem grande de virar quase tragédia. As mulheres, em geral, dão uma atenção exagerada para isso; e eu vi ali a tentação de me escabelar por um prato lascado e reclamar da vida que não me permitiria comprar outro, que me faria escondê-lo, limitar meus convidados ou colocá-lo sempre no meu lugar da mesa.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;No entanto, sobreveio-me uma espécie de epifania. Olhei meu marido, dei de ombros e disse: a vida lasca! A vida não fica quietinha, na prateleira, em exposição. Ela lasca, perde o esmalte, os desenhos perdem a cor. Acontece porque está em uso. Vidinha ruinzinha aquela em que os nossos melhores jogos de pratos permanecem virgens, intactos, sem quebrar nenhum, sem lascar. Significa que estão sem uso, sem amigos para comer neles, que nunca vão à mesa e que sua existência se resume ao conhecimento da parte interna da porta nunca aberta do armário da cozinha.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Senti-me muito superior naquele dia. Coisas que a epifania dá. Eu havia entendido um segredo da vida e as lascas não mais voltariam a me incomodar, minha existência atingiria outro nível.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Demorei algum tempo para colar as coisas, isso porque as lascas que tenho de lidar, hoje, são comigo. E, descobri, é bem mais difícil ser indiferente quando é nosso corpo que se rasga e se marca pela ação do tempo e da vida. Não, não falo das rugas, sempre soube que chegariam, nunca me preocupei, de fato, nem as tenho. Falo de cicatrizes. Das grandes. Das que passam a companheiras e precisam, por elas, uma nova geografia, uma nova escrita do antigo corpo conhecido.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Quando eu tinha uns 8 anos, minha mãe fez um cirurgia de vesícula. Algo tremendamente invasivo na época. O corte marcou a barriga dela e meu olhar. Sempre indignei-me com a possibilidade de ficar com uma marca daquelas. Nem uma, nem duas vezes, sugeri que minha mãe fizesse uma plástica, sei lá. Só olhar, já arrepiava.&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;Então, quando meu filho nasceu, minha barriga teve de ser cortada de cima a baixo e do lado. Um conjunto de marcas que hoje me pertencem, me fazem, mas ainda luto para incorporar. É possível que haja alguém que encare a reestruturação do eu físico de forma fácil ou impassível. Não sou destes iluminados. Minha lasca é grande e eu a vejo todo dia. Ela modificou minha nudez, minha percepção de mim. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;De início, a sua existência doía, mesmo que silenciosa. Depois, o tempo começou a construir uma indiferença de convivência, mas ela não era real. Era fingida. Uma simulação de ausência ante uma presença. A lasca/cicatriz sempre ali. Penso em mim e a vejo. E como a mente não constitui um mar de raciocínio lógico, não adiantam pensamentos como: “há pessoas com marcas maiores, mais duras, mais difíceis”. Não adianta o comparativo. Concorda-se com o argumento, mas ele não tem poder da epifania. Não transforma a realidade em aceitação imediata. Meu respeito aos que possuem lascas como as minhas, ou ainda maiores, cresceu de forma imensa e eu consigo ver beleza e conter meus arrepios e admirar a força de quem as carrega. Porém, na minha lasca permaneci frágil, ostentando uma força que eu sei fingir ter.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt;"&gt;São quase três anos agora. Então, por um detalhe mísero, um pensar tão efêmero que nem lembro, a epifania veio. Meu corpo ainda sente não somente a marca externa, mas as internas também, sempre a lembrar que a cicatriz existe, que os cortes estão todos ali. Porém, meu filho me lembra todos os dias por onde e como ele nasceu e isso me faz ver a marca como nada. Na frente do espelho, lembro que eu também renasci através dessa marca. Que estas lascas são meus anos vindouros, os anos vindouros do meu filho, o riso com os meus amigos, as festas com a minha família, os livros que vou ler, as palavras que escreverei. Nunca mais terei uma barriga lisa, e não creio que poderei achá-la bonita, mas eu já posso incorporá-la. Lasquei sim, mas é porque estou em uso e é muito bom continuar por aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8351975408624277107?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8351975408624277107/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/12/lascas-e-cicatrizes_23.html#comment-form' title='11 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8351975408624277107'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8351975408624277107'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/12/lascas-e-cicatrizes_23.html' title='Lascas e cicatrizes'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-EUXcBrsis-Q/TvJMHTaYVkI/AAAAAAAAAcM/mOq97ySW30o/s72-c/nu-artistico-3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>11</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-7480795701246569637</id><published>2011-12-10T13:56:00.001-02:00</published><updated>2012-01-08T08:39:23.156-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Um pouco de feminismo e um pouco de nordeste</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-2YnzGSZZK9k/TuN9qFW4c2I/AAAAAAAAAbo/Q-ph_YwNwO8/s1600/IDENTIDADE+VISUAL.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="204" src="http://3.bp.blogspot.com/-2YnzGSZZK9k/TuN9qFW4c2I/AAAAAAAAAbo/Q-ph_YwNwO8/s320/IDENTIDADE+VISUAL.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou sempre contando esta história, mas nunca a escrevi. Talvez porque para contar meus vividos eu seja muito detalhista. Verdade, não acho que conte bem histórias em voz alta. Ponho detalhes demais e dependendo da narrativa me inflamo. Tem ouvinte que me acha pronta para a briga. Transporto-me com facilidade ao passado por ser memoriosa excessiva, das que pouco sofre a ação do tempo. Nos detalhes, lá vou eu outra vez me indignar, erguer os punhos, dizer o que disse e o que me ficou travado na garganta. Escrevendo sou um tantinho mais capaz por saber usar com tranquilidade os dois (excelentes) recursos de apagar que os computadores oferecem. Ao fim do texto, posso reler e retirar os excessos. Um escritor fica bem melhor sem os excessos das pessoas que, como eu, falam demais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acho que devia ser maio de 1998. O ano eu lembro bem. Eu tinha casado em fevereiro e descobria muitas coisas sobre minha nova condição. Uma delas é que nascer já não tinha mais validade. Eu tinha casado. Uma segunda vida aflorava e, nos meus documentos, surgiria uma novo dono. Mais ainda, eu devia provar a todos que eu não mudara o meu nome! Interessante o estatuto jurídico da mulher casada na época, provavelmente, a única peça do ordenamento brasileiro em que se devia provar o que não se fez. Obviamente me rebelei. Recusei-me a mudar meus documentos. Ainda mais porque nenhum exigência pesava sobre os documentos do meu marido. O qual, aliás, usava uma carteira de identidade arrebentada com uma rechonchuda foto de um garoto de 12 anos em preto branco que era bem recebida em cartórios, aeroportos e instituições públicas. A minha? Bom, como eu podia me declarar casada se não constava na carteira? Não importava se a moça da carteira era igual àquela sentada em frente ao burocrata. O menino da foto arrebentada era mais digno de confiança, certo? Afinal, ele nunca foi questionado por declarar-se casado e andar com uma carteira cuja assinatura em garatujas não batia com a atual. Já a moça... Bem, o que pensar de uma dessas que casa e não troca os documentos. Casa e não troca de nome.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Minha senhora - eu respondo num fio de calma - eu não troquei de dono, porque eu trocaria de nome?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ganhava um torcida de boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Então, tem de apresentar a certidão de casamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Certo. Então me faça o seguinte, a senhora pode devolver minha ficha.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Pego a ficha, rasgo e digo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Por favor, escreva na próxima: solteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Mas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu me responsabilizo: solteira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outra torcida de boca. E uma expressão quase chocada dirigida ao meu sorridente marido, como se lhe perguntasse "e tu deixa?". Se lembro bem, o Guto, a essa hora, estava mais preocupado em conter minha vontade de saltar (metaforicamente) no pescoço da funcionária da imobiliária do que em responder aos pedidos mudos dela para que "fosse homem".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-eDwYKIPZZPk/TuOA6E7CBhI/AAAAAAAAAbw/t_C6cyHu0bA/s1600/feminismo2.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-eDwYKIPZZPk/TuOA6E7CBhI/AAAAAAAAAbw/t_C6cyHu0bA/s1600/feminismo2.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao contrário do que ouvi de algumas pessoas, minha decisão não foi um ato de rebeldia. Foi fruto de minha consciência histórica - no passado, se mudava de nome por se mudar de dono - e de minha compreensão feminista desta historicidade - não mudei de dono, logo, não me interessa mudar de nome. Sei que há posturas diferentes, que envolvem o que as pessoas entendem por ser um casal. Respeito. A que me serve é esta e ponto. Por outro lado, vou me indignar sempre que minha atitude for tratado como exceção, como se eu fosse incorreta num mundo tão certinho em que tudo funciona tão bem, há tanto tempo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O problema é que lá pelo meio do semestre, eu perdi a carteira de identidade. Coloquei-a para marcar um livro é puff nunca mais (descobri-a 3 anos depois). Então, lá tive eu de ir encarar as funcionárias do cartório de registro e &amp;nbsp;mudar os documentos que eu tinha jurado não mudar. Em bom português: estava puta da cara.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Na sala aguardávamos eu, uma outra jovem e um rapaz. Não demorei a descobrir ser a menina uma recém casada mudando os documentos para incluir o nome do marido. A funcionária anunciou isso bem alto e com elogios, logo após ter atendido o "meu caso". Sentamos frente à frente enquanto não nos chamavam para sujar os dedos e éramos óbvias. Meninas de classe média, estudadinhas, de cabelinhos presos no alto da cabeça e alguma&amp;nbsp;empáfia, eu na minha luta muda, ela na certeza de estar fazendo tudo como mandava o figurino. Nosso companheiro de espera também era jovem, mas tinha muito mais vida no rosto que a gente. As roupas eram simples e sua postura humilde. Olhava o chão e segurava com firmeza um saquinho plásticos com uns papeis amarelados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando a funcionária o chamou e começou as perguntas, ele respondeu com voz clara e um natural sotaque nordestino (nossos desconhecimentos e as novelas da Globo nos impediram de saber de onde vinha o tal sotaque, que hoje sei ser muito diverso de lugara para lugar). Em 1998, isso causava espanto no interior do Rio Grande do Sul. Um imigrante! Vindo do nordeste. Então, assim que terminou de conferir os documentos, a funcionário principiou, sem a menor vergonha, a destilar preconceitos. Ironizou a perda de documentos do rapaz (eu não tinha levado nenhuma ironia por ter feito o mesmo). Depois, lascou o manjado e horroroso.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-hxsGdBX-Ivo/TuOBE8XRNdI/AAAAAAAAAb4/O5gCe8tiU0A/s1600/061-Caatinga-3.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="253" src="http://4.bp.blogspot.com/-hxsGdBX-Ivo/TuOBE8XRNdI/AAAAAAAAAb4/O5gCe8tiU0A/s320/061-Caatinga-3.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Vocês lá levam uma vida fácil. Só na praia enquanto a gente trabalha para sustentar vocês.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;(Cerrei o punho e estava prestes a levantar e dar uma aula de história, mas meu herói foi melhor, muito melhor).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Dona - ele disse com uma raiva mais contida que a minha e que me deu inveja - vida fácil têm as mulheres daqui que abrem a torneira e sai água. (Para mim, ele não precisava dizer mais nada, mas ele continuou). As nossas tem de andar 5, 8&amp;nbsp;quilômetros&amp;nbsp;para conseguir água para cozinhar. E ela não é limpinha, assim, que nem tem nesse tanque de água aí do lado da senhora. E elas fazem isso, enquanto os homens quebram pedra pra conseguir plantar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi lindo! Sério. Minha vontade era aplaudir. Como não podia, me limitei a impedir que a funcionária retrucasse com um.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- Eu se fosse você, ia dar uma volta lá dentro, agora.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ela envermelhou ainda mais e aceitou minha sugestão. Bem que eu gostaria de ter lhe falado mais. De ter mostrado historicamente cada vírgula equivocada e triste que havia no seu preconceito.Queria lhe ter falado dos grandes escritores e de toda a cultura que herdamos do povo nordestino e de como as culpas sobre suas misérias recaem sobre todo o país. Porém, a funcionária já em nada me interessava. O rapaz, sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Encantada, aproximei-me dele para conversar, e a menina a minha frente fez o mesmo. Ficamos sabendo que ele tinha uma irmã que se parecia conosco (nossa idade, nossa cara de quem estudou, nosso jeito e disposição para ouvi-lo, não sei), mas ele elogiou a inteligência dela - tinha feito até a sexta série e era professora das crianças da sua região. Tivesse na capital, ele tinha certeza de que teria feito faculdade, porque ele não conhecia professora boa como ela. Ficamos sabendo da mãe que criara 8 filhos sozinha no meio da seca. E que ele não tinha gostado de São Paulo porque era grande demais. Tinham lhe dito que no sul tinha mais empregos e que aqui, em cinco anos, ele poderia ter uma casa com banheiro dentro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;- E nessa cidade tem faculdade, né moça? Quem sabe quando a minha irmã vier, ela não pode continuar a estudar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dei força. Afinal, minha pequena guerra naquela repartição era importante, mas a dele, era muito mais. Tenho certeza que a irmã dele deve ser uma grande professora, pois o irmão dela, mesmo sem estudo, foi um dos maiores professores que conheci.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-7480795701246569637?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/7480795701246569637/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/12/um-pouco-de-feminismo-e-um-pouco-de.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7480795701246569637'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7480795701246569637'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/12/um-pouco-de-feminismo-e-um-pouco-de.html' title='Um pouco de feminismo e um pouco de nordeste'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-2YnzGSZZK9k/TuN9qFW4c2I/AAAAAAAAAbo/Q-ph_YwNwO8/s72-c/IDENTIDADE+VISUAL.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8728117472387330969</id><published>2011-11-21T17:21:00.002-02:00</published><updated>2011-11-21T23:06:45.858-02:00</updated><title type='text'>Mil Histórias</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Neste último semestre e nos próximos, os professores do meu curso resolveram que era hora de nos utilizarmos de um pouco de ousadia. Sendo assim, resolvemos que as disciplinas optativas deveriam abrir-se para seu foco original, ou seja, tornar o curso mais flexível e permeável a outras leituras da história. O resultado está sendo oferecido aos alunos e interessados assim.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-n965VD_W-jE/Tsqatuk3bPI/AAAAAAAAAZg/jmjsBnN8WJQ/s1600/banner+hist%25C3%25B3ria+A4+Imagem.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-n965VD_W-jE/Tsqatuk3bPI/AAAAAAAAAZg/jmjsBnN8WJQ/s320/banner+hist%25C3%25B3ria+A4+Imagem.jpg" width="216" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Foi dessa forma que puxei para mim a responsabilidade de trabalhar com as disciplinas de &lt;b&gt;História da Alimentação&lt;/b&gt;, &lt;b&gt;História do Vestuário&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;História da Leitura&lt;/b&gt;. Obviamente, algumas perguntas advieram daí. Afinal, onde se constrói a competência para trabalhar com áreas tão diversas. Num momento de superespecialização da História em suas áreas de pesquisa, os historiadores tendem a ficar restritos aos seus estudos mais técnicos e teóricos e nem todas as fugas são bem vistas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-qhDUk_nCqHU/TsqbixXqBLI/AAAAAAAAAZo/0g_-mqasrWg/s1600/shakespeare.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="213" src="http://3.bp.blogspot.com/-qhDUk_nCqHU/TsqbixXqBLI/AAAAAAAAAZo/0g_-mqasrWg/s320/shakespeare.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Como já comentei outras vezes aqui no blog – não quer dizer que o leitor deste tenha conhecimento – minha área de pesquisa em história foi, durante uma década, a História da Saúde. Finalizada esta etapa, tenho iniciado minha reconstrução como pesquisadora adentrando em outro campo, o da &lt;b&gt;História da Leitura&lt;/b&gt;. Vem daí e, de minha declarada e pouco racional paixão por livros, meu mergulho nesta nova e instigante área do conhecimento. Trabalhá-la com um grupo de alunos também pretende ser uma forma de estimular o interesse deles e dar espaço ao meu novo vício em pesquisa.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Nesta semana, inclusive, vou fazer uma fala na &lt;a href="http://historiaufsm2011.blogspot.com/p/cronograma.html"&gt;Semana Acadêmica &lt;/a&gt;dos estudantes de História da UFSM, justamente sobre o assunto e convido quem estiver ou for de Santa Maria a passar por lá.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-8TRgS5TWEek/Tsqc9WkXY1I/AAAAAAAAAZw/eaPd0anoP64/s1600/06092011073.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-8TRgS5TWEek/Tsqc9WkXY1I/AAAAAAAAAZw/eaPd0anoP64/s320/06092011073.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Mas, você pode perguntar: como chegou até a História da Alimentação? Pelo blog dá para saber que sou uma entusiasta da boa arte culinária e, de fato, esta nem é minha primeira experiência com a disciplina. E, como da primeira vez, eu cheguei a este campo pela porta de meus estudos em saúde. As referências à alimentação são onipresentes nos estudos que se faz sobre saúde, doença e mesmo medicina, a qual, por muito tempo andou de mãos dadas com a dietética. Mesmo entre os curandeiros populares, o consumo de alimentos aparece de forma constante como parte das evitações ou necessidades para o controle do corpo e do bem viver.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A diferença de enfocar o mesmo assunto – a comida – pelo viés da História da Alimentação ao invés da História da Saúde está no acréscimo de prazer ao estudo e seus resultados. Afinal, não se buscou apenas saúde à mesa, mas também o prazer do sabor, da comensalidade, das trocas nutricionais e simbólicas. Por outro lado, quando se fala de comida, também se fala de fome, de escassez, de falta de distribuição, de morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-UINAh8B0DJE/TsqeCwso-2I/AAAAAAAAAaA/BQFM2I1l2M4/s1600/FOME-001.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; float: left; margin-bottom: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="242" src="http://2.bp.blogspot.com/-UINAh8B0DJE/TsqeCwso-2I/AAAAAAAAAaA/BQFM2I1l2M4/s320/FOME-001.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Uma disciplina como esta – e falo sobre a minha experiência – pode ser assaz transformadora. Isso porque ela tem um potencial de significação do mundo que nos cerca e nos informa, cujo poder é inusitado e nos atinge dentro de nossos particularismos. Parece estranho afirmar isso sobre uma disciplina de faculdade, contudo, eu acredito que a história da alimentação muito pode contribuir para reformular e arejar nossos programas de ensino. E este, talvez, seja um dos pontos mais importantes a serem debatidos e reforçados.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Infelizmente, mesmo dentro da academia, ainda é comum perceber estes outros campos da História como “curiosidades”. Só a palavra já me dá engulhos, pois ela trai um tipo de concepção de História com a qual não compactuo. Por outro lado, chamar História da Alimentação de curiosidade é não ver do que ela se compõe. Uma história da Alimentação é econômica (produção, região, meios de produção, regimes de trabalho, distribuição, consumo), é política (organização do trabalho, disputas de posse, poder econômico, expansão marítimo comercial, controle de estoques, redistribuição produtiva), é cultural (representações étnicas e religiosas da culinária e da comensalidade, estabelecimento de hierarquias por meio da comida, alteridade, diferenças, e identidade de grupo). Logo, estamos bem longe da época em que se fazia uma história culinária sobre quem inventou tal preparo de alimento ou bebida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;É fácil perceber que há um universo aí e que a História da Alimentação, antes de ser uma parte da grande História é uma PORTA para a grande História, pois é necessário trabalhar com todos estes elementos para compreendê-la e construí-la.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-opk-apao64g/TsqfYAStWuI/AAAAAAAAAaI/qr7fSBHkSkc/s1600/11112011162.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-opk-apao64g/TsqfYAStWuI/AAAAAAAAAaI/qr7fSBHkSkc/s320/11112011162.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Manequim de costureira adquirido com o apoio da UNIFRA&lt;br /&gt;para uso nas aulas de História do Vestuário.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mas e a História do Vestuário? Isso não seria a máxima expressão de uma História frívola? Bem, primeiro é importante não confundir a História do Vestuário e a História da moda com a própria Moda. Segundo, aos historiadores cabe tentar compreender o que movimenta o mundo e a moda movimenta bilhões em capital e se irradia a quase todas as esferas da vida das pessoas. Por outro lado, olhando para o passado, é igualmente difícil perceber seu estudo como mera “curiosidade”. Igualmente identitário e econômico, o vestuário é a marca visível de grupos sócio-histórico-culturais que demonstram por seus lenços, batas, roupões, kimonos, cores, etc. que não há apenas o “modo ocidental” de vestir. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;De fato, o estudo do significado das roupas ao longo do tempo e também (por que não?) do espaço é de grande importância para construir o respeito à alteridade. Alguns exemplos ilustrativos do que estou tentando dizer:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;1. Os panos listrados já foram conhecidos no Ocidente como “panos do diabo” por serem parte comum da indumentária de judeus e muçulmanos. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-m1QAOVTtoKM/TsqkY-EslbI/AAAAAAAAAaw/BGh9RYjpzdc/s1600/sriimg20041210_5396309_0.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-m1QAOVTtoKM/TsqkY-EslbI/AAAAAAAAAaw/BGh9RYjpzdc/s1600/sriimg20041210_5396309_0.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;2. O estudo da indumentária com características religiosas nos coloca em melhores condições de compreender ações arbitrárias como a proibição do uso do véu muçulmano em lugares públicos na França (em tempo, as velhas senhoras católicas ainda os usam em missas por lá).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;3. O nu e o vestido ainda são tabus não apenas em termos de comportamento, mas nas sanções e discriminações feitas aos outros. Não vestir-se é ainda, para a grande maioria das pessoas e sociedades, um índice de selvageria e falta de civilização.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;4. As tramas dos tecidos &amp;nbsp;superposição de roupas também seguiram as prescrições dos médicos e as crenças sobre o corpo, não se desvinculando de toda da história da saúde também. &lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: left; margin-right: 1em; text-align: left;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-TSGquRyC_eg/TsqhNyfi5uI/AAAAAAAAAaY/YijSuSRogCI/s1600/ECS+II+003.jpg" imageanchor="1" style="clear: left; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-TSGquRyC_eg/TsqhNyfi5uI/AAAAAAAAAaY/YijSuSRogCI/s320/ECS+II+003.jpg" width="184" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Manequim de costureira masculino.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;5. Os caracteres sexuais do vestir são tremendamente significativos da cultura e da identidade de pessoas e etnias. O ocidente não é imune com seu rosa para menina e azul para menino. Certo? Para quando? Além disso, temos o exemplo dos estudos a cerca das roupas íntimas femininas ligados aos movimentos de libertação da mulher tanto para o trabalho como para a vida sexual e social independente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="float: right; margin-left: 1em; text-align: right;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1GsH69kyaRo/TsqiNH9mk8I/AAAAAAAAAag/VdOtRBy7RU0/s1600/304273_290925540930685_289073461115893_929643_269202225_n.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; margin-bottom: 1em; margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://2.bp.blogspot.com/-1GsH69kyaRo/TsqiNH9mk8I/AAAAAAAAAag/VdOtRBy7RU0/s200/304273_290925540930685_289073461115893_929643_269202225_n.jpg" width="148" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Espartilho datado de 1887&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Os exemplos poderiam se estender &lt;i&gt;ad infinitun&lt;/i&gt;, por isso, fica aqui meu manifesto para que olhe a história por outras portas, de outros lugares. Mas, principalmente, que não se veja estes olhares como acessórios. Deslocar-se por entre espaços de pesquisa apenas enriquece nossa disciplina e, mais, tende a contribuir para uma compreensão mais ampla do mundo para nós e para nossos alunos presentes e futuros.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Ah, claro, quem disse que não podemos nos divertir no processo?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--au-X2Cszkw/Tsqi7FUuNNI/AAAAAAAAAao/WhG_QKB82rU/s1600/17112011172.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="275" src="http://1.bp.blogspot.com/--au-X2Cszkw/Tsqi7FUuNNI/AAAAAAAAAao/WhG_QKB82rU/s320/17112011172.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Manequim de costureira de 1947 emprestado à UNIFRA para as aulas de &amp;nbsp;História do Vestuário&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8728117472387330969?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8728117472387330969/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/11/mil-historias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8728117472387330969'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8728117472387330969'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/11/mil-historias.html' title='Mil Histórias'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-n965VD_W-jE/Tsqatuk3bPI/AAAAAAAAAZg/jmjsBnN8WJQ/s72-c/banner+hist%25C3%25B3ria+A4+Imagem.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-2163293758067775661</id><published>2011-11-08T12:34:00.003-02:00</published><updated>2011-11-09T14:29:27.262-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>A Felicidade é Vermelha e Amarela</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Este semestre, quando comecei as aulas de História da Alimentação, fiz uma pequena brincadeira com os convivas da disciplina. Pedi que eles se olhassem. Isso mesmo. Pedi que, em silêncio, olhassem muito bem uns para os outros, que decorassem e classificassem o que viam. Depois, pedi que fizessem um pequeno quadro mental, dispondo de um lado as pessoas que eles conheciam bem e, de outro, as que não conheciam tão bem assim. Feito o exercício, fui um pouco mais longe e pedi que, numa planilha semelhante e igualmente mental e muda, dispusessem, de um lado, as pessoas que gostavam, de outro, as que não gostavam tanto assim. Só depois disso, finalizei o que pensava e lhes disse que todas aquelas percepções acerca dos outros iriam mudar. O motivo era bem simples: ao longo daquele semestre, eles iriam cozinhar, oferecer banquetes e comerem juntos. Naquele momento inicial da disciplina, eu não conseguiria convencê-los do quão poderosas eram estas ações, não é algo sobre o que se possa falar e convencer, mesmo que as pessoas acreditem no que você diz. Mas, afirmei, eles perceberiam isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-zeRcilayrKA/Trk2C7OIr-I/AAAAAAAAAYM/K-2FpEgkA9s/s1600/IMG_3394.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-zeRcilayrKA/Trk2C7OIr-I/AAAAAAAAAYM/K-2FpEgkA9s/s320/IMG_3394.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Primeira aula&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Falei tudo isso com uma certeza que não vem de nenhum livro - de fato, não lembro de ter lido isso em livro algum. Minha certeza vinha de uma experiência prévia com a mesma disciplina e que já havia me causado espanto. Nada é mais gratificante para um professor do que observar transformações em seus alunos e nas relações que eles estabelecem uns com os outros e eu já havia visto isso, tinha certeza de que veria novamente. E, sim, eu estou vendo. Eles mesmos já vieram me contar sobre isso. Sobre essas transformações e elas são contadas com sorrisos, o que as tornam mais profundas e mais poderosas.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://3.gvt0.com/vi/yjGllvkOA2c/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/yjGllvkOA2c&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/yjGllvkOA2c&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O bom destas aulas é que não sou protagonista, sou mera testemunha. Falo, claro, quase sempre um pouco demais, e meus alunos me lançam um olhar condescendente de "ah, certo, ela não consegue mesmo se controlar". Logo, tudo vira conversa e, meio aos brados, tão diferente de uma aula convencional, o conteúdo vai sendo construído com sabor (com sabores vários); e vai se gravando, na mente, no paladar, nos olhos brilhantes, nas risadas - é claro que rimos muito - nos cochichos. Aula de História da Alimentação, eu bem sei, é aula eterna.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Z-snAFDs7yk/Trk2wvoasXI/AAAAAAAAAYU/e7jDU327ve0/s1600/303700_292366870773326_100000000476817_1213702_2127875466_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-Z-snAFDs7yk/Trk2wvoasXI/AAAAAAAAAYU/e7jDU327ve0/s320/303700_292366870773326_100000000476817_1213702_2127875466_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A pergunta de: como chegou a isso, afinal, esta não era a tua pesquisa? - como tudo que envolve alimentar-se - só pode ser respondida extrapolando a academia. Entretanto, há, sim, uma resposta acadêmica. Estudei a história da saúde por 10 anos, impossível ficar indiferente às mudanças alimentares. Mas são estudos sobre o que se come. E, o que se come, é apenas uma parte da história toda. Quando se come, com quem se come e porque se come têm a mesma crucial importância que o alimento em si. E, embora, os pesquisadores do tema sempre escrevam isso, não foi com eles que aprendi, mas na casa em que cresci.&amp;nbsp;Dividir o alimento cuidadosamente preparado com montanhas de amigos é um credo que meus pais seguem com fé monástica e atitude idólatra.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi ao redor da mesa deles que fui retendo aprendizados que se inscreveram em mim sem qualquer esforço. De onde vem cada alimento, como é processado, onde foi comprado, qual o lugar mais barato, como foi preparado, o que se poderia modificar na próxima receita. Ora, em outras palavras, história, geografia, técnicas agropecuárias, economia, gastronomia, química e futurologia (é claro). Nos intervalos dos conhecimentos principais, se falava &amp;nbsp;de sociologia (ou vida alheia), literatura (o que inclui os folhetins conhecidos como novelas) e biologia (um repasse sobre mortos, nascidos e engravidados entre os conhecidos). Num dado momento, vinham à tona as duas polêmicas favoritas entre meu pai e meu compadre (seu irmão de alma, meu segundo pai). A primeira era sobre o futebol. Meu pai nunca gostou, meu compadre era aficionado. Meu pai defendia que os resultados eram arranjados, meu compadre (mais tarde com a adesão do Guto) dizia que isso era um despautério. A segunda polêmica era do evolucionismo X criacionismo. Meu pai era e é&amp;nbsp;árduo&amp;nbsp;denfensor de Darwin, meu compadre defendia a curiosa (e polêmica) teoria de que a vida havia sido plantada na terra por seres extraterrestres (anos de leitura da FC lhe renderam bons argumentos).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Herdei dos meus pais algum talento culinário, mas pouco de seu talento agregador. Hoje percebo, ao dar aulas de História da Alimentação, que a alquimia entre pessoas começa nas panelas, nas cozinhas repletas, nas salas organizadas com esmero de almofadas afofadas, cantos limpos e tralhas discretamente escondidas, nos potinhos com ingredientes picados.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi com tudo isso que me deparei este final de semana na casa vermelha e quente como um coração, que pertence ao &lt;a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/"&gt;Milton&lt;/a&gt; e a &lt;a href="http://historiasdecozinha.blogspot.com/"&gt;Claudia&lt;/a&gt;. As pessoas carregam de significados excessivamente duros palavras como aprendizagem, aula, conhecimento. A mim, todas estas palavras soam leves, alegres, divertidas. A Claudia, com seus banquetes temáticos dá aulas de turismo, etnicidade, alteridade, tolerância, reverência, respeito ao inovador e ao diferente. O Milton com sua fala socrática, sempre terminando em perguntas, não raro, fazendo piada das contradições é um manancial cultural e nunca, nunca, parece estar ensinando nada. Algo raro, encantador e que merece ganhar aquela marca: preciso aprender isso!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ov636OCJnDg/Trk4wliaJqI/AAAAAAAAAYc/tuCLKsk0IOE/s1600/Milton+e+Cl%25C3%25A1udia.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-ov636OCJnDg/Trk4wliaJqI/AAAAAAAAAYc/tuCLKsk0IOE/s320/Milton+e+Cl%25C3%25A1udia.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A História da Alimentação, porém, ensina que nem só da alquimia das panelas e dos anfitriões se faz o &lt;i&gt;momentum &lt;/i&gt;(inventei isso) de um banquete. Nos convivas é que este processo deve se condensar e catalizar. O que sai pela porta, não é mais como que entrou e isso só ocorre porque em meio a tudo que se &lt;b&gt;aprendeu&lt;/b&gt;. Esta palavra não é pesada, ela é o cerne de tudo, o fogo verdadeiro que causa a transformação. Neste banquete tivemos aula de música e sobre a força do silêncio que se compartilha quando todos ouvem e se emocionam com o mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-iEUJx5-sDTo/Trk5houNRVI/AAAAAAAAAYk/4f42mVSfZ0Y/s1600/310693_2521868281716_1103594883_33000208_563317191_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-iEUJx5-sDTo/Trk5houNRVI/AAAAAAAAAYk/4f42mVSfZ0Y/s320/310693_2521868281716_1103594883_33000208_563317191_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O encanto da música russo-brasileira de Elena e Vladimir Romanov&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-qfRw8dZGgjc/Trk5_Jxm6zI/AAAAAAAAAYs/Q1_PnG5CF_Q/s1600/383054_2521859681501_1103594883_33000194_231713559_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-qfRw8dZGgjc/Trk5_Jxm6zI/AAAAAAAAAYs/Q1_PnG5CF_Q/s320/383054_2521859681501_1103594883_33000194_231713559_n.jpg" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;O piano de Alexandre Constantino&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve aula de risos, sorrisos, e flores. A Astrid e o Augusto trouxeram doces em tigelas e palavras. A &lt;a href="http://caminhantediurno.blogspot.com/"&gt;Caminhante &lt;/a&gt;Fernanda foi professora sobre caminhar e sobre fazer isso com leves passos de dança. Não se traduz em palavras conhecer uma pessoa que vive como quem dança. O gesto dela tem ritmo, os olhos, paciência observadora e luz de palco. Imagino com que atenção os passos dela se fazem quando ela os&amp;nbsp;constrói&amp;nbsp;numa música.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-PdjuNCMxGIk/Trk7PChAd8I/AAAAAAAAAY8/VgDWu61BAkg/s1600/377011_2521850121262_1103594883_33000167_491210756_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-PdjuNCMxGIk/Trk7PChAd8I/AAAAAAAAAY8/VgDWu61BAkg/s320/377011_2521850121262_1103594883_33000167_491210756_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Astrid e Fernanda contra o fundo Vermelho sanguíneo coralino da casa de Claudia e Milton&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-mf5uGXRYx3o/Trk6bC07mOI/AAAAAAAAAY0/NduDbTVOV88/s1600/Augusto+Astrid+e+Caminhante.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-mf5uGXRYx3o/Trk6bC07mOI/AAAAAAAAAY0/NduDbTVOV88/s320/Augusto+Astrid+e+Caminhante.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu já tive o imenso desprazer de ir à festas (de adultos!) em que os homens ficam de um lado e as mulheres de outro. Então, a beleza das fotos abaixo dá a dimensão do meu bem-estar.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-0Du9UeqVF-Y/Trk7XEivyeI/AAAAAAAAAZE/S3j7dInT0cY/s1600/390328_2521869481746_1103594883_33000210_31993902_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-0Du9UeqVF-Y/Trk7XEivyeI/AAAAAAAAAZE/S3j7dInT0cY/s320/390328_2521869481746_1103594883_33000210_31993902_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-mYXWRLSUvP0/Trk7cyOKX5I/AAAAAAAAAZM/pvyIiLbaNV4/s1600/295773_2521860001509_1103594883_33000195_1655411642_n.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-mYXWRLSUvP0/Trk7cyOKX5I/AAAAAAAAAZM/pvyIiLbaNV4/s320/295773_2521860001509_1103594883_33000195_1655411642_n.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Comecei falando de aulas, terminei falando de festa. A diferença está nos olhos de quem vê e de quem vive. Não consigo conceber trabalho sem prazer. Festa sem um ENCONTRO TRANSFORMADOR, aquele que se estabelece por meio da aprendizagem e da melhoria de si, também não é uma festa merecedora deste nome em sua plenitude. Ao menos, aos meus olhos. E eu gosto de mantê-los maravilhados e muito bem alimentados de comidas e de gentes.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-nWvobNCMvj0/Trk7yy40ffI/AAAAAAAAAZU/1CJGALJIsM4/s1600/Locro.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://4.bp.blogspot.com/-nWvobNCMvj0/Trk7yy40ffI/AAAAAAAAAZU/1CJGALJIsM4/s320/Locro.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Amarelo foi o nome com que o Miguel (após duas cheias servidas) rebatizou o Locro Criollo da Claudia.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O nome desta postagem, espero, é auto-explicável em seu texto e legendas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-2163293758067775661?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/2163293758067775661/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/11/felicidade-e-vermelha-e-amarela.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/2163293758067775661'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/2163293758067775661'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/11/felicidade-e-vermelha-e-amarela.html' title='A Felicidade é Vermelha e Amarela'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-zeRcilayrKA/Trk2C7OIr-I/AAAAAAAAAYM/K-2FpEgkA9s/s72-c/IMG_3394.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-6564280196481019344</id><published>2011-10-19T15:14:00.000-02:00</published><updated>2011-10-19T15:14:23.207-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Músicas mal colocadas</title><content type='html'>Faço poucos posts musicais por aqui, mas este faz tempo que ronda minhas "preocupações". Falo da divergência entre a letra da música e a ocasião em que é tocada. Convenhamos, gostar de uma música não exatamente a qualifica para qualquer ocasião. Minha listinha é curta (por falta de tempo), mas imagino que haja muito exemplo rondando a vida de outros por aí.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Vamos lá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ocasião:&lt;/b&gt; Formatura&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Música:&lt;/b&gt; Como os nossos Pais&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Letra e música:&lt;/b&gt; Belchior&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Interpretação:&lt;/b&gt; Elis Regina&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/bVARodUbO9Q/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/bVARodUbO9Q&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/bVARodUbO9Q&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sinceramente? Não é uma música elogiosa aos pais. E é justamente quando ela toca em formaturas, na homenagem aos pais. É só pensar no que a letra quer dizer: vocês fracassaram em mudar o mundo, nós também. Continuaremos sendo e fazendo o que vocês fizeram, isto é, nada. A música é linda e tem seu quê de verdade, mas não faz nenhuma homenagem, é um chute na cara. Que bom que, como seus filhos, os pais nunca notam isso.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ocasião:&lt;/b&gt; Casamento&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Música:&lt;/b&gt;&amp;nbsp;Comming around Again&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Letra, música e interpretação&lt;/b&gt;: Carly Simon&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://1.gvt0.com/vi/c0A7jAVDPJU/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/c0A7jAVDPJU&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/c0A7jAVDPJU&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Perdoe-me quem gosta, mas em termos práticos, a música fala de uma separação (ou quase isso), não é exatamente o pedido ideal para tocar num casamento. Já bastam os padres e os amigos apavorados a dizer que isso não vai durar, trazer a Carly Simon para a festa também...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ocasião&lt;/b&gt;: Festa de criança&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Música:&lt;/b&gt; Funks apelativos&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deste não tem videozinho, porque &amp;lt;&amp;lt; esta pessoa se recusa. Mas, convenhamos, se os pais não veem nenhum problema em seus filhos ouvirem isso, que, ao menos, tenham compaixão e piedade dos convidados. Submeter os outros e os "filhos" dos outros às batidas do funk apelativo é maldade sem tamanho.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ocasião:&lt;/b&gt; Festa do Vizinho&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Música:&lt;/b&gt; Amigos para sempre&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Letra:&lt;/b&gt; Jose Carreras&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Interpretação:&lt;/b&gt; José Carreras e Sarah Brightman&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object width="320" height="266" class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/rsvVzAn_qlI/0.jpg"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/rsvVzAn_qlI&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/rsvVzAn_qlI&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;É aquela hora em que todo mundo sorri amarelo. Dia do vizinho sim, amigos para sempre é um pouco de exagero.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Ocasião:&lt;/b&gt; Qualquer loja que venda qualquer coisa (pior em livraria)&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Música:&lt;/b&gt; Todo e qualquer tipo de bate-estaca.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Senhores lojistas esse é o tipo de música "espanta cliente". Não importa se vocês gostam. Não importa se seus funcionários gostam. Não importa se o cliente fica poucos minutos e vocês o dia todo aí dentro. Na verdade, nem ao menos importa se o som está numa altura civilizada (nunca está). Não é a hora, não é o momento, estabelecimentos comerciais (a não ser que se proponham a isso) não são uma Rave. Acreditem. muito cliente bom e, até a fim de gastar, vai dar volta quando chegar à porta. Por caridade, adotem o silêncio de fundo como propaganda ou o sacrossanto fone de ouvido.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-6564280196481019344?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/6564280196481019344/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/10/musicas-mal-colocadas.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/6564280196481019344'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/6564280196481019344'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/10/musicas-mal-colocadas.html' title='Músicas mal colocadas'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8788086080333810982</id><published>2011-10-12T10:58:00.004-03:00</published><updated>2011-10-20T10:01:14.742-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>A biblioteca do Miguel</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mRtVaTc8on4/TpWc6F4HTXI/AAAAAAAAAXs/8IwLLNHrxHY/s1600/04_os-4-mundos-encantados-de-walt-disney-colecao-completa-1976.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-mRtVaTc8on4/TpWc6F4HTXI/AAAAAAAAAXs/8IwLLNHrxHY/s1600/04_os-4-mundos-encantados-de-walt-disney-colecao-completa-1976.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Eu já tive mais livros infantis do que tenho hoje. Desfiz-me de muitos ao longo do caminho. Mas não ache que perdi ou destruí (talvez um ou dois), mas a maioria teve outro destino. Como minha consciência de que o Miguel viria era ainda nula, eu – pausa dramática de confissão – os vendi. Pensando bem, não foi algo tão horrível. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Minha escola buscava umas duas vezes por ano estimular que trocássemos livros, HQ, figurinhas e papéis de carta (imagino que gerações posteriores ignorem o que eram, mas confie em minha palavra: eram infinitos e geravam um comércio infernal). Os professores promoviam uma feira e, com dinheiro de brinquedo (ou de verdade, não lembro bem) colocávamos nossos não tão queridos pertences à venda. Nessa brincadeira foram meus livros enrola/desenrola – cuja leitura enviava para páginas não sequenciais, criando infinitas possibilidades para a história, a idéia era interessante, mas o resultado tão cansativo que dá para entender porque estes livros sumiram da praça. Também foram alguns livros de aventura cuja leitura não gostei muito e aqueles menos amados de coleções que, antes estavam inteiras. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Verdade verdadeira? Arrependo-me profundamente. Soubesse eu do Miguel naquela época, jamais teria me desfeito de nenhum deles. Se ele iria lê-los? Ignoro, mas eu teria a chance de revisitar e ver com outros olhos, o que me desfiz na infância.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Ainda restaram muitos. Toda a coleção da coleção da &lt;i&gt;Gisela &lt;/i&gt;e também da &lt;i&gt;Inspetora&lt;/i&gt;. Os livros da Condessa Ségur que, tenho quase certeza, ele não dará a mínima até ser adulto. Minha versão completa e não adulterada da &lt;i&gt;Rainha da Neve&lt;/i&gt; do Andersen. &lt;i&gt;Os quatro Mundos de Walt Disney&lt;/i&gt; com seus textos grandes e um livro apenas sobre vida animal. Vale dizer que, este último é anterior às princesas, ao excesso de cor de rosa, à Pixar, e, com certeza, à ideia de que textos longos afastam as crianças. De fato, é uma edição praticamente pré-histórica.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Aliás, lembro agora, foi justamente por conta destes quatro livros que a consciência da biblioteca do Miguel nasceu – muito antes do próprio Miguel. Eu havia voltado do mestrado e era professora substituta na UFSM (no tempo em que isso era ruim como não há palavras para expressar – na verdade há, mas não neste horário). Estava envolvida com um grupo de estudos – O Povo de Clio – e tínhamos uma sala que ocupávamos nos intervalos das aulas para cafés e conversas quase sempre surpreendentemente acadêmicas. Numa dessas tardes cinzentas, apareceu um vendedor de livros. Conversa ensaiada, mas direitinha, vinha nos oferecer &lt;i&gt;Os 4 Mundos de Walt Disney&lt;/i&gt;. Ninguém ali tinha filhos ou dinheiro para presentear uma escola com a coleção, mas eu saltei sobre ela para ver as diferenças, já que o vendedor alardeava que a edição tinha sido melhorada. Vou traduzir o que ele quis dizer com “melhorada”:&amp;nbsp; os desenhos estavam maiores e os textos menores. De fato, bem menores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Não sei se posso explicar, mas, senti-me roubada. Era como se o melhoramento invalidasse o que eu prezava quando criança. O tal “melhoramento” tornava minha infância obsoleta. O moderno era ser rápido, fácil, acessível. Quando questionei o vendedor, em meio a um monte de alunos de pedagogia, ele me chamou de antiga, disse que eu nada sabia das crianças, que elas tinham mais o que fazer do que ler textos longos. Sem qualquer freio ou vergonha, ele saiu da conversa ensaiada e encheu minha infância de tédio – pois só alguém que não tivesse mais o que fazer leria tanto. Retirou-se furioso, quando eu, perdendo um pouco a classe, disse que ali eu não o deixaria vender uma edição que imbecilizava as crianças. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Contudo, o impasse ficou no ar. Era eu uma velha saudosista de 26 anos contra um vendedor que traficava modernidades e tentava, em meio os vídeo-games e pokemons, manter o livro vivo? Ou, de outra forma, quase impensável naquela época: eu estava certa em defender a necessidade dos textos ricos e o vendedor, e toda a indústria que o acompanhava, estavam errados?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;De qualquer forma, foi naquela tarde que decidi: quando o Miguel viesse (e ele nem se chamava Miguel e nem era menino) ele não seria uma criança “moderna”. Se fosse, teria uma mãe antiga, chata que, entre estimulá-lo a correr pelo prazer de correr, entre montar acampamentos na sala e piqueniques no jardim, entre ver filmes de aventura e dançar músicas engraçadas – meus passatempos cheios de “tédio” conforme o vendedor – o estimularia a ler livros de textos grandes e conversaria com ele sobre isso. Com esta decisão, minha quase esquecida biblioteca infantil ganhou foros de preciosidade. Coloquei-me como ursa a proteger meus rebentos de textos grandes, impedir sua deterioração já que eu não podia confiar nos “modernos”, nem na indústria que modelava seus consumos. Minha postura “antiga” se recusava a deixar de lado um livro de texto mais trabalhado por outro de figuras mais brilhantes. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Muitos anos depois (e vários Harry Potters de mais de 500 páginas a provar que eu estava certa e o vendedor errado) ainda nos deparamos com livros infantis cujos textos carecem de cuidado. Ainda encontramos “modernas” subversões às histórias originais numa obtusa ideia de preservação da inocência infantil (os pais que se preocupam com a madrasta má são, em geral, os mesmos que não mudam de canal na hora em que alguém é agredido a pontapés na novela das 9). Ainda encontramos pais que arrastam os filhos para fora de uma livraria em troca de um chocolate ou um jogo de computador Afinal, é coisa antiga e sem estímulo ficar sentado lendo, quando se pode ficar sentado, jogando com os dedos e comendo chocolate.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O Miguel tem dois anos e meio e é o dono de cerca de 60 livros mais minha herança – da qual ainda não decidi se ele será dono ou depositário (vai que ele não goste de ler). De qualquer forma, o pai dele e eu decidimos que, quando ele abrisse seus olhinhos para o mundo e os focasse, não veria apenas bichinhos de pelúcia, veria livros, aos montes e o texto escrito seria parte integrante da vida dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Tenho muitas esperanças na biblioteca do Miguel. São tantas e tão vastas que não vejo beleza maior do que ver o meu filho dentro dela.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-PEf71D5PaQw/TpWcRSidqrI/AAAAAAAAAXk/73UkzjddBeA/s1600/IMG_2382.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-PEf71D5PaQw/TpWcRSidqrI/AAAAAAAAAXk/73UkzjddBeA/s320/IMG_2382.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8788086080333810982?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8788086080333810982/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/10/biblioteca-do-miguel.html#comment-form' title='12 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8788086080333810982'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8788086080333810982'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/10/biblioteca-do-miguel.html' title='A biblioteca do Miguel'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-mRtVaTc8on4/TpWc6F4HTXI/AAAAAAAAAXs/8IwLLNHrxHY/s72-c/04_os-4-mundos-encantados-de-walt-disney-colecao-completa-1976.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>12</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4380167633671493803</id><published>2011-10-04T01:33:00.004-03:00</published><updated>2011-10-20T10:00:46.635-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Poucos falam sobre Gerda</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-G0TNtlpfEY8/ToqHWY1sLbI/AAAAAAAAAXg/TCLIMYWE1kU/s1600/a-rainha-das-neves04.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-G0TNtlpfEY8/ToqHWY1sLbI/AAAAAAAAAXg/TCLIMYWE1kU/s1600/a-rainha-das-neves04.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Creio que estava em meu segundo ano em Santa Maria. Lembro mais porque não ganhei o livro dos meus pais, mas de um amigo deles. Sempre tive um encanto diferente pelos livros de maior envergadura que não me eram dados pelos meus pais. Nunca realizei os motivos, mas hoje me parecem claros. Primeiro havia a surpresa: eu não os escolhia. A maioria das minhas leituras chegava à minha casa com base na lei do meu pai - não se economiza em livros - e nas minhas insistências toda vez que passava em uma livraria; ou nas listinhas quilométricas enviadas para compra pelo antigo reembolso postal. Nesse sentido, eu era quase autodidata. Meu pais davam-me total liberdade na escolha, mas orientavam pouco, já que nenhum deles havia sido um leitor infantil. Um livro não escolhido por mim, por alguma mágica, brilhava mais.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;O segundo motivo de eu adorar esse livros "vindos de fora" era a mais pura vaidade. Achava o máximo que os amigos de meu pai soubessem que eu lia muito. Eu achava que este era realmente um motivo de mérito e era incentivada a pensar assim. Além disso, imaginar alguém andando em uma livraria e pensando: "humm, será que ela vai gostar de ler esse?" tinha uma força quase sagrada. Fazia com que os zilhões de caixinhas de plástico com imagens da Sarah Kay que eu ganhava de aniversário se transformassem perante meu olhos... na inutilidade total que de fato eram (acho que hoje posso dizer isso com todas as letras sem magoar ninguém).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro se chamava &lt;i&gt;A Rainha da Neve&lt;/i&gt;. Tinha sido escrito por um autor que meu pai me ensinou a pronunciar o nome: Hans Christian Andersen. E era imenso para meus oito anos. Tinha poucas imagens, de uma ilustração que hoje acho belíssima, mas que, na época, meu padrão "Disney" não permitiu apreciar de todo. De fato, havia dois contos no livro. O do título, que era enorme, com vários capítulos. E um sobre um pinheiro de Natal, que jamais li.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que demorei a ler todo o conto da Rainha da Neve. Não era uma leitora ainda tão boa quanto me julgavam (mas essa aposta não tornava o livro ainda melhor?). De fato, demorei a superar a ideia de que não ler um livro dado era decepcionar o autor do presente. Então fui insistindo, estranhando e gostando. Estranhando porque nunca havia lido uma história que começasse com diabinhos. Tampouco com diabinhos que queriam troçar dos anjos. E ainda havia o espelho, aquele que deformava tudo o que as pessoas pensavam de si mesmas e lhes mostrava o que elas tinham de pior. Foram anos para deixar de temer aquele espelho e não acreditar que poderia haver algum minúsculo pedacinho dele pervertendo os espelhos da casa. Ainda mais à noite.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, cada capítulo era um novo desmonte às histórias que eu estava acostumada. Sim, no princípio havia um menino e uma menina, no entanto, é o menino que é encantado. É o menino que é roubado. É o menino que desaparece e não apenas por obra de um ser sobrenatural, mas pelo seu próprio desejo. Um querer distorcido pelo espelho, mas ainda um querer. Kay se fascina pela Rainha da Neve e a quer. Sua&amp;nbsp;obsessão&amp;nbsp;é tão poderosa que ele esquece sua mãe e também seus carinhos para com a amiga Gerda e parte.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Apesar da óbvia semelhança entre a Rainha da Neve e a Feiticeira Branca de C.S. Lewis, e mesmo da relação de ambas com um menino, a primeira não é nenhum ser transpirando maldade e soberba. A rainha da Neve é bela e, relendo as delicadas entrelinhas de Andersen, sensual. O menino não resiste também porque está deixando de ser menino, está deixando de ter interesse em jogos e em histórias contadas pela avózinha. Eu só compreendi isso no fim da história, mas relendo me pareceu tão óbvio. Kay deixara a infância ao mesmo tempo que deixara Gerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Só que a história não é sobre Kay. Nem mesmo sobre a Rainha da Neve. A história é sobre Gerda e pouca gente fala de Gerda. Quando se cita o nome das grandes personagens femininas da literatura, Gerda não é lembrada e hoje me tomei por uma imensa estranheza acerca disso.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gerda é estupenda!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A menina lourinha e sardenta, protótipo literário de fragilidade, não volta para casa, não sai chorando por uma ajuda que não virá. Informada da jornada para resgatar Kay, ela se lança contra o mundo e o inverno e vai atrás do menino amado. Então, e apenas no fim sabemos disso, Gerda também deixou a infância, mas de maneira muito mais madura que Kay. Ela não se deixa seduzir nem pelo que é belo, nem pelo que amedronta, nem pelo que é fácil. Gerda é insuperável em sua tenacidade, em sua força.Seus vacilos são a passagem do tempo, mas também suas perguntas: e se Kay não mais a quiser? Não se lembrar dela? Estiver feliz com a Rainha da Neve? Ah, é claro, não é um livro&amp;nbsp;romântico, é para crianças e, no entanto, tudo isso está escrito lá. Quando reli o livro aos 12, já amando meu primeiro Kay, tudo isso me foi claro ao nível da obviedade.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tive medo da velha que fez Gerda se esquecer de tudo e sempre angustiava-me ler aquele capítulo cheio de flores, onde o paraíso era não lembrar quem se era. Outras passagens me chocaram. Uma delas foi a da Pequena Salteadora. A menina, de um mundo diferente do mundo protegido de Gerda, primeiro a maltrata, depois a trata como uma boneca e, por fim, a ama. Mesmo aos 12 nunca tive dúvidas do tipo de amor que o livro retratava. Um amor de uma menina por outra menina. Na época em que li, isso não era explicado e tive até vergonha de perguntar, mas estava ali, tão claro, como os outros não viam? Como minha mãe, que me ajudava a ler, não via? Eu tinha muito medo da Pequena Salteadora por ela ser violenta e cortar dedos e orelhas, mas não por seu amor por Gerda. Apenas não torcia por ele, pois Gerda me informava que era de Kay e, enquanto fosse assim, não poderia ser da Pequena Salteadora e elas se tornaram irmãs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Depois da Pequena Salteadora, Gerda ainda tem mais duas mulheres interessantes em seu caminho: A mulher da Lapônia e a Mulher da Finlândia, uma quer que ela volte a ser criança e a mima, a outra lhe dá uma Rena e lhe diz como ir em frente, ambas espelham a mãe que não está ali.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No fim, Gerda resgata Kay, não da Rainha da Neve, mas de si mesmo e eles podem voltar ao local da infância e visitar a avózinha, que é a única que ainda os vê como crianças. Nessa volta, a Rainha já não tem mais nenhum encanto. Nenhuma de suas peles, nenhum de seus brilhantes lhe fazem páreo para a crescida, despenteada e descalça Gerda. As mãos quentes da menina, mesmo sem as luvas, são de verdade. Ela toda é de verdade. Quando Kay a olha, sem o argueiro do espelho diabólico, consegue ver isso, consegue ver a mulher ao lado dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De novo, estou a descrever uma história de amor e nada disso está escrito lá, e tudo isso está escrito lá. Gerda é estupenda! Uma heroína rica, incomparável. Seu mundo é um mundo cheio de fantásticas figuras femininas: a avózinha, a Pequena Salteadora, as mulheres da Finlândia e da Lapônia, a Rainha. Todas ali para ajudar Gerda (e também Kay) a crescerem. Mas pouco se fala sobre Gerda ou sobre as poderosas mulheres do conto de Andersen. Quando se fala é para pervete-las, enfraquecê-las, açucará-las. Nunca vejo Gerda como um modelo para as meninas de hoje. E, mesmo que um dia ela figure nos desenhos animados desta geração, o fato é que Gerda está a&amp;nbsp;quilômetros&amp;nbsp;do time das "princesas". De fato, da fibra de que Gerda é feita, não se fazem princesas, nem se fará.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Para encerrar, alguns apontamentos:&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;1. Gerda é um dos meus modelos, das minhas influências. Invejo cada milímetro de sua coragem.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;2. Pronuncia-se Guerda e não Jerda.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;3. Se você tem filhos, ou terá, e se interessar em levar esta história a eles, faça-lhes o favor de procurar uma tradução do texto original. Não lhe facilite, não lhe dê resumos, nem adaptações que falseiam o texto. Não se deixe seduzir pelo belo, pelo medo ou pelo fácil. Nas versões que se espalham por aí, Gerda e Kay são irmãos, a Pequena Salteadora é confundida com as outras mulheres que ajudam Gerda e não é nem mesmo uma salteadora. Lembre que a complexidade jamais fez mal a ninguém, não apostar que as crianças possam compreendê-la, sim.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4380167633671493803?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4380167633671493803/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/10/poucos-falam-sobre-gerda.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4380167633671493803'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4380167633671493803'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/10/poucos-falam-sobre-gerda.html' title='Poucos falam sobre Gerda'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-G0TNtlpfEY8/ToqHWY1sLbI/AAAAAAAAAXg/TCLIMYWE1kU/s72-c/a-rainha-das-neves04.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-1328733728772194949</id><published>2011-09-30T16:00:00.001-03:00</published><updated>2011-10-20T09:59:59.797-02:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Aprendendo como funciona a ficção</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-ZQnwt1_A6x8/ToYRp9p6VrI/AAAAAAAAAXc/r6tTDxz1quc/s1600/3352217097_e878900736.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-ZQnwt1_A6x8/ToYRp9p6VrI/AAAAAAAAAXc/r6tTDxz1quc/s320/3352217097_e878900736.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Tenho vivido uma fase neófita. Sinto-me começando em muitas coisas. Uma nova área de pesquisa depois de mais de década. Uma aventura materna. Uma dedicação obsessiva ao desejo de escrever ficção de forma profissional. Talvez, esteja vivendo uma crise dos quarenta antes da época. Como nasci de novo à cerca de dois anos e meio, ainda me pergunto se os caminhos são novos ou o sou eu. Não pense que estou ansiosa por uma resposta. Não estou. Gosto de me sentir neófita na vida, de ter poucas certezas (“a grande benção que liberta”, adquirida aos trinta anos), de olhar meus velhos sapatos – tão acomodados a mim que me fazem parecer descalça – como algo que posso desfazer-me sem sentir saudades. Aprendi, já faz tempo, que sou uma generalista de boa memória: ouvi aqui, gravei ali, li isso em algum lugar acolá. Os generalistas estão, quase sempre, começando em alguma coisa, são sempre aprendizes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Provavelmente, disfarço aqui a minha grande especialidade: ser neófita. Começar. Estudar sempre. Acho que estou acomodada a iniciar e ver-me (quase) confortável nisso. Os iniciantes acostumam-se à maravilha – que nasce do aprender pela primeira vez – e, muito mais, à vergonha – que acompanha todo o não saber.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Em minha aprendizagem de escritora, terminei a lenta leitura de &lt;i&gt;Como Funciona a Ficção&lt;/i&gt;, do crítico literário James Wood. A leitura andou vagarosamente por minha conta, não pelo livro. De fato, eu o senti como uma obra de leitura sem pressa, do tipo que se aprende absorvendo, tanto quanto lendo. Obviamente, Wood não fez uma manual de “como funciona” a ficção, falamos de literatura e não de máquinas. Provavelmente, o livro é mais sobre como funciona a cabeça do leitor ou do crítico, ou do leitor (apaixonado) e do crítico (controvertido) que Wood é. Ainda assim, senti-me levada pela mão na aprendizagem de como e porque determinados autores icônicos são reverenciados. Dos citados, li muitos, mas não em quantidade, e estou há quilômetros de ter lido todos. Alguns, eu conheci tão jovem e de forma tão pouco orientada que sequer entendi. Wood renovou-me a vontade de ler e reler clássicos e esclareceu-me o sobre o que enxergar na prosa dos grandes autores e dos grandes estilistas literários. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Os detratores do Wood o acusam de ser conservador, tanto em seus gostos, quanto no que ele preza e valoriza. Confesso que, em minha ignorância das modernas correntes e debates da área literária, o livro de Wood me soou confortável e acessível como uma xícara de café batido. E, mesmo que alguns críticos apontem isso, eu não senti empáfia no seu texto. Pelo contrário, é muito fácil somar-se ao encanto e à paixão do autor pela literatura contemporânea. Longe de pretender ensinar macetes, a obra de Wood se debruça sobre o já escrito e tenta encontrar suas partes. Tenta. Nem sempre consegue. E isto é o que há de melhor no livro: a conclusão de que falando de arte, podemos até localizar suas partes móveis, mas entender por que colocadas de uma determinada maneira elas funcionam e de outras não, fica fora de nossa alçada consciente. Nesse sentido, a metáfora do cozinheiro (que pode ser vulgar, mas não é incorreta) usada pelo autor em sua introdução foi caindo com mais força em mim ao longo da leitura. Pode-se dar a mesma receita e os mesmos ingredientes a cozinheiros diferentes, o resultado jamais será o mesmo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Não foi uma nem duas vezes que, ao visualizar as peças móveis apontadas por Wood dentro de obras reverenciadas, percebia imediatamente já tê-las visto, de forma ruim e mal arranjada, em outros textos ficcionais. Imaginei que um escritor iniciante que muito estudasse o que ele aponta ali, conseguiria reproduzir, imitar, reconstruir, e elaborar sobre o caminho erguido pelos mestres e, ainda assim, não teria garantias de fazer uma boa ficção. Isso porque, depois que uma obra está escrita, você consegue entender de que forma aquilo funcionou, mas não antes. Claro que as diretrizes ajudam, mas o fato é que elas não determinam. Se você aplicar todas as técnicas ao texto, mesmo as melhores delas, terá um texto técnico, nada mais. Isso pode garantir um bom texto. Um texto vendável. Uma publicação. E haverá quem goste e haverá quem desfaça. No entanto, arte não é só técnica. Técnica é uma das suas armas de expressão. Uma ferramenta que a arte molda e subverte à sua conveniência. Quem vai determinar o valor do resultado? O crítico? O público? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Minha veia de historiadora aponta para o tempo. Aliás, essa é minha maior crítica ao livro de Wood, sua pouca atenção aos ritmos do tempo e da história. Ao fato de que, mesmo que obras que os transcendam, os escritores são criaturas grudadas no mata-moscas histórico que é o seu contexto, seu tempo, seu espaço.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp;&amp;nbsp; Após ler o livro, fui ver o que estava escrito sobre ele e deparei-me com uma obra que chegou ao Brasil sob o signo da polêmica. Primeiro com a tradutora Denise Bottmann – a quem muito admiro, em especial por suas traduções na área da História – que &lt;a href="http://desengripando-a-ficcao.blogspot.com/2011/03/como-engripa-ficcao.html"&gt;retirou sua responsabilidade&lt;/a&gt;&amp;nbsp;sobre a tradução da obra. Admirei ainda mais a honestidade da profissional e concordo com seus argumentos, o que, no entanto, de forma alguma invalida a leitura do livro.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Depois, vieram as controvérsias entre &lt;a href="http://www.revistabula.com/posts/livros/como-funciona-a-ficcao"&gt;quem gostou&lt;/a&gt; e quem &lt;a href="http://bravonline.abril.com.br/blogs/outra-babel/2011/03/28/como-funciona-a-ficcao-de-james-wood/"&gt;não gostou&lt;/a&gt; do livro. Muitos resenhistas ligados à academia torceram o nariz e têm seus (bons) &lt;a href="http://oglobo.globo.com/blogs/prosa/posts/2011/03/12/flora-sussekind-resenha-como-funciona-ficcao-de-james-wood-368230.asp"&gt;argumentos para isso&lt;/a&gt;. Os anti-acadêmicos &lt;a href="http://veja.abril.com.br/blog/todoprosa/resenha/%E2%80%98como-funciona-a-ficcao%E2%80%99-quem-disse-que-a-literatura-morreu/"&gt;saudaram&lt;/a&gt;. Os leigos como eu, para quem afinal o livro foi escrito, o recomendam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;A terceira polêmica está por conta do próprio autor. Crítico nem sempre apreciado pelos jovens escritores que tentam inovar estilisticamente. Recomendo a boa &lt;a href="http://ultimosegundo.ig.com.br/cultura/livros/critico+ingles+alimenta+polemicas+na+literatura/n1238147772906.html"&gt;entrevista&lt;/a&gt; que ele concedeu ao Portal IG para se inteirar de suas opiniões e das que pesam contra ele.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;De resto, obviamente, o livro não ensina como a ficção funciona. Porém, dá instrumentos para leitores e escritores revisarem com mais acuidade as peças dessa "máquina orgânica" que é a literatura. A arte? Bem, essa está nos olhos de quem lê, nos dedos de quem escreve e no ouvido interno (aquele que só escuta o que emociona) de cada um.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-bMtvZEJAPMo/ToYRdaaxaSI/AAAAAAAAAXY/MDB1xjvIXiU/s1600/01032011160424_como_funciona_ficcao.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-bMtvZEJAPMo/ToYRdaaxaSI/AAAAAAAAAXY/MDB1xjvIXiU/s320/01032011160424_como_funciona_ficcao.jpg" width="219" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-1328733728772194949?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/1328733728772194949/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/aprendendo-como-funciona-ficcao.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1328733728772194949'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1328733728772194949'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/aprendendo-como-funciona-ficcao.html' title='Aprendendo como funciona a ficção'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-ZQnwt1_A6x8/ToYRp9p6VrI/AAAAAAAAAXc/r6tTDxz1quc/s72-c/3352217097_e878900736.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-9198653252571403582</id><published>2011-09-27T00:53:00.000-03:00</published><updated>2011-09-27T00:53:42.408-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Prato único</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Foi nas madrugadas de leitura que eu comecei a ser cozinheira de pratos únicos. Na adolescência, eu costumava a passar as noites lendo, mais do que nas baladas, que foram poucas. A fome aparecia pelas duas e meia, três da manhã. Eu levantava e, ainda lendo, ia até a cozinha. Então, nascia o prato único. Algo novo. Aventuroso. Irrepetível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A receita do prato único é simples. Se compõem mais de faltas do que de presenças na geladeira e nos armários. Têm uma pitada grande dos restos já usados em outras coisas, mas ainda carentes da verdadeira alquimia. E, obviamente, deve ser regado com grandes doses de criatividade.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Dessa mistura nasceram alguns clássicos que sobreviveram e até chegaram a outros paladares além do meu: como a a massa risoto (cozida no próprio molho) e o pão dormido levemente frito no azeite com alho e&amp;nbsp;manjerona&amp;nbsp;fresca, coberto de queijo. Ah, sim, meus pratos únicos eram sempre salgados, uma pequena ceia que acompanhava a mim e ao livro que, ainda aberto sobre a mesa, esperava por meus olhos sempre famintos de histórias novas, enquanto saciava o estômago madrugador.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Houve ocasiões em que os aromas do prato único acordaram minha família. Então, ele tinha de ser elástico e alimentar a todos. Desciam-se mais pratos à mesa e o livro, como vinho, era o acompanhamento. Foram nestas noites que nasceram alguns sobreviventes que conseguiram ir além da ousadia, fome e faltas. Também, nestas noites, dividi algumas das minhas melhores leituras e pude&amp;nbsp;digeri-las com mais sabedoria.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Outras, comi sozinha. Algumas tentativas nem ao menos deram certo. Daquelas em que tive maior sucesso ficou o gosto do nunca mais. Nunca mais aquelas sobras, nunca mais aquelas faltas, nunca mais aquela menina com fome e um livro nunca lido. Nunca mais aquela madrugada.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-ylNr4zPQDYU/ToFIjVnuvjI/AAAAAAAAAXU/OqF5Vu_Nf2A/s1600/BandejaparaLeitura1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-ylNr4zPQDYU/ToFIjVnuvjI/AAAAAAAAAXU/OqF5Vu_Nf2A/s1600/BandejaparaLeitura1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Alguém mais quer essa bandeja? Eu quero.&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-9198653252571403582?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/9198653252571403582/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/prato-unico.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/9198653252571403582'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/9198653252571403582'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/prato-unico.html' title='Prato único'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-ylNr4zPQDYU/ToFIjVnuvjI/AAAAAAAAAXU/OqF5Vu_Nf2A/s72-c/BandejaparaLeitura1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8043743352712045544</id><published>2011-09-20T01:55:00.000-03:00</published><updated>2011-09-20T01:55:58.248-03:00</updated><title type='text'>19 de setembro</title><content type='html'>Inicializando versão 3.8&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rrrrrzzzzzzzzzz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;tóin...tec...tec....&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;rrrrrzzzzzzzzzzzzzz&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;zuwiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiiii...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;plopf!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ok, voltando à versão 3.7.&lt;br /&gt;3.8 ainda em testes.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8043743352712045544?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8043743352712045544/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/19-de-setembro.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8043743352712045544'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8043743352712045544'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/19-de-setembro.html' title='19 de setembro'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4490903864554303573</id><published>2011-09-15T10:55:00.001-03:00</published><updated>2011-09-20T01:59:29.693-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>O Dinossauro Vermelho</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Raul, filho da minha amiga Kelly, me pediu uma história. Eu nunca tinha escrito uma história para crianças e levei muito tempo para completar o desafio que já veio com uma diretriz: tinha de ser sobre um dinossauro vermelho. A história pronta foi submetida ao seu principal&amp;nbsp;juiz e, como ele aprovou e me permitiu, eu a partilho aqui.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-JVhTShXzyW8/TnIBh3BostI/AAAAAAAAAXM/F1maMp8HRa8/s1600/dinossaurovermelho.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-JVhTShXzyW8/TnIBh3BostI/AAAAAAAAAXM/F1maMp8HRa8/s1600/dinossaurovermelho.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 18pt; line-height: 115%;"&gt;O Dinossauro Vermelho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Essa história bem que poderia começar com “era uma vez...”, afinal, isso foi há muito, muito tempo. Há tanto tempo que não existe mais ninguém que possa lembrar como realmente aconteceu. Eu mesma soube pela a minha avó, que ouvira a avó dela contar, e que só sabia porque sua avó lhe contara.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A história dizia assim: num tempo muito antigo, muito antes de os homens existirem, antes dos macacos ou de qualquer animal que toma leite existir, existiam os dinossauros. A terra era toda dominada por esses bichos enormes, escamosos e de sangue frio. Alguns gostavam de comer plantas, outros, de dentes afiados e terríveis, gostavam mesmo era de comer outros dinossauros. Essa história é sobre um desses animais. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Dizem que foi numa manhã quente de verão, que o dinossauro vermelho nasceu. Um dinossauro VERMELHO?! Mas isso é impossível, diria você com muita razão. Sim, eu respondo: é impossível, mas aconteceu e esta é a história dele. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Naquela manhã a Sra. Dinossauro voltou para encontrar o ninho de barro que ela tinha cuidadosamente construído e tapado com areia fofa. Não que ela pretendesse cuidar dos filhotes – dinossauros de respeito não fazem isso, no máximo os ensinaria a rosnar, morder e mostrar as garras. O que ela queria mesmo saber era se seus filhotes haviam escapado dos dinossauros que gostam de ovos e de presas tenras e indefesas. Dentro do ninho, a Sra. Dinossauro encontrou várias cascas de ovos quebradas e seus ainda pequenos, mas já fortes e escamosos, filhotes. Então, ela os enumerou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Ora, ora, este é cinzento, este é marrom, aquele é quase verde e este outro... bem, você é bege, não é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Ela estava bem contente com seus belos quatro filhotes. Mas... espere aí? Eram cinco ovos – disso ela se lembrava bem. Porém, onde estava o quinto dinossaurinho? Sem demora, ela saiu a procurar. Quanto mais procurava, mais preocupada ficava. Será que algum predador havia chegado antes? Será que um de seus lindos filhinhos havia virado comida de outro dinossauro antes mesmo de saber se defender?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Foi um rápido movimento atrás de uma pedra que a fez olhar melhor. A Sra. Dinossauro correu até lá e finalmente encontrou o seu quinto filhote. Mas qual não foi a surpresa!? Aquele dinossaurinho era diferente de tudo o que ela já tinha visto. Ele era completamente vermelho! As escamas, as unhas, os olhos! Apenas os pontudos córneos em suas costas é que eram de um amarelo vibrante, quase dourado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Ao contrário de algumas mães que acham que filhotes comuns são ótimos, a Sra. Dinossauro adorou o seu filho diferente. Afinal, quando ele crescesse essa diferença poderia fazer com ele fosse mais feroz, mais assustador! Poderia até ser um novo passo na cadeia da evolução. Em resumo: ela ficou maravilhada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Depois de reunir os cinco filhos, a Sra. Dinossauro achou que o melhor era aproveitar para lhes ensinar o que pudesse. Assim, durante todo o verão, ela ensinou os dinossaurinhos onde beber água, como caçar, como surpreender a presa e como usar seus dentes grandes e afiados. Como uma boa mãe dinossauro ela também os ensinou a rugir assustadoramente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Gruaaaahhhhhhhhhhhh!!!!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Todos os dinossaurinhos se saíram muito bem nas lições. Porém, logo o Vermelho mostrou que não diferente dos irmãos apenas na cor.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O Vermelho era mais curioso que feroz, mais inventivo que caçador e seu rugido, embora assustador, causava efeitos muito estranhos: a terra se abria revelando pedras preciosas e brilhantes, as pequenas nascentes se tornavam rios cantantes e o mar ficava calminho como num dia quente de verão. Mas, o mais impressionante, é que quem ouvia o rugido do Vermelho ficava parado, sem se mexer, como se alguma coisa muito boa fosse, logo, logo, acontecer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;No outono, a Sra. Dinossauro achou que seus filhos já podiam se virar por si próprios e partiu. Os irmãos, então, resolveram continuar juntos para poderem caçar melhor, mas, depois de algum tempo, nem todos estavam felizes com esse arranjo. Bem, o Vermelho, pelo menos, não estava. A verdade é que quanto maior ele ficava menos vontade ele tinha de caçar e ser assustador. Ele queria mesmo era conhecer lugares novos, experimentar comidas diferentes, encontrar tudo o que de novidade pudesse ser encontrado. O Vermelho queria achar com quem conversar, fazer perguntas e descobrir coisas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Assim, quando o inverno foi embora e veio a primavera outra vez, o dinossauro Vermelho resolveu descobrir o mundo sozinho. Ele estava enorme, maior que todos os seus irmãos juntos e não tinha medo de nada. &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Caminhou muito, andou por inúmeros lugares, conheceu terras longínquas e viu seres que você – com toda a sua imaginação – sequer conseguiria inventar. Contudo, nunca encontrou nada nem ninguém que fosse parecido com ele. Por isso, depois de tantas viagens, um dia, o dinossauro Vermelho cansou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Não adianta – falou para si mesmo. – Eu sou único, por isso serei sempre sozinho – bufou frustrado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Então, muito triste, o Vermelho tomou uma decisão. Ele ia sentar à beira do caminho e ficar ali. Não iria beber água, nem comer. Ficaria quietinho, aguardando a própria extinção, pois, na idéia dele era isso o que aconteceria com alguém tão diferente. E, provavelmente, isso teria acontecido se não tivesse ocorrido algo extraordinário!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Naquela madrugada, um imenso clarão iluminou o céu inteiro e muita gente achou que era o sol despencando lá de cima. O Vermelho também viu. Ele ficou imediatamente curioso. Acompanhou a luz até vê-la cair lá longe no horizonte. Então, ele assistiu uma enorme explosão e ouviu um barulho ensurdecedor que varreu toda a terra: KRABRUUUM!!!&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Isso foi o suficiente para que todos os bichos que tivessem patas, asas ou pudessem rastejar corressem para longe dali. Bem, não todos. O Vermelho, curioso como era, esqueceu sua resolução de ser extinto e resolveu ir em direção à luz que caíra do céu e ainda queimava no horizonte. Foram muitas e longas horas de caminhada e, durante o percurso, não faltou quem o chamasse de louco, de tolo, até de burro o chamaram. Certo, burro não, porque burros não existiam, mas na variante dos dinossauros foi quase isso. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Enfim, ele chegou. A luz que caíra do céu era, na verdade, uma pedra enorme que ainda ardia em chamas de fogo vivo. O lugar em que ela tinha caído tinha se transformado num buraco imenso, onde caberiam, com facilidade muitos dinossauros bem grandalhões. No fundo do buraco, era possível ver um rio de fogo correndo por ali. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O Vermelho ficou muito impressionado. Estava tão admirado que nem percebeu que o fogo que devia queimá-lo não o fazia. Ele conseguia chegar cada vez mais perto e nem ao menos estava com calor. Foi então que a Pedra lhe falou. Oh, não se admire. Essa Pedra, não era uma pedra qualquer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Eu venho de um lugar distante – ela disse. – Estava em torno de uma estrela e ela tinha toda a magia do universo. Então, ela explodiu e enviou tudo que havia a volta dela para os confins mais distantes.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O Vermelho ainda estava surpreso com a pedra falante, mas não conseguiu ficar quieto. Ele então, perguntou:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– E por que sua estrela fez isso?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Para espalhar as coisas mágicas que existiam nela – respondeu a Pedra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Oh...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Você me ajudaria?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Eu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Sim. Você me ajudaria a espalhar a magia por esse planeta?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O Vermelho pensou em dizer não, afinal, era tudo muito esquisito. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Eu nem sei o que é magia – ele disse meio envergonhado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;A Pedra respondeu.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Magia é a força que realiza os sonhos. É o que torna os desejos realidade. É o que faz qualquer existência mais bonita. A magia é capaz de acabar com a solidão, por que tudo o que se imagina, vira um companheiro que te segue pela vida.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Ora, como o Vermelho poderia resistir depois dessa definição dessas? Mesmo com medo, ele perguntou.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– O que devo fazer? Como ajudarei você a espalhar essa... magia?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Venha – disse a Pedra, cujo corpo era cheio de toda essa mágica de que ela falava. – Entre no rio de fogo que me cerca, ele não irá queimá-lo. Vou fazer você dormir e, enquanto estiver dormindo, eu lhe ensinarei tudo o que puder sobre magia. Ficaremos aqui, você e eu esperando o tempo passar. Quando chegar a época certa, você acordará, eu terei feito outros como você. Todos serão livres e poderão andar por toda a terra. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;O Vermelho acreditou em tudo quanto a Pedra disse e já começava a entrar no rio de fogo e lava que a cercava, mas quis perguntar.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Que época será essa?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– A época dos que acreditam em magia – respondeu a Pedra. – A época em que serão os humanos a dominar a terra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Humanos?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Criaturas fascinantes – disse a Pedra – mas não mais fascinante que vocês e seus irmãos. Vocês encarnarão a mágica de que estes humanos precisarão para continuar vivos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Puxa, se os outros dinossauros souberem...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Não haverá outros dinossauros – disse a Pedra. – Haverá somente você e seus iguais. E vocês terão outro nome.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Que nome? – perguntou o Vermelho, já afundando no lago de fogo e sentindo um sono quentinho e gostoso subir pelas pernas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;– Vocês serão chamados Dragões. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;Claro que a minha avó dizia que nem todo mundo acreditava nessa história. Que era coisa que os antigos contavam para explicar a origem dos dragões. Que era só uma lenda. Mas, eu treino dragões há seis anos e todos eles também ouviram essa mesma história. Meu amigo Raulo, que é um dragão muito ajuizado e todo vermelho, adora essa história. Acho que ele tem certeza que descende daquele primeiro Vermelho. Aquele dinossaurinho estranho e diferente que um dia acreditou nas promessas que a magia faz.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-g_BIUQJKsbU/TnICNK6Dr1I/AAAAAAAAAXQ/C-egisg8ZJg/s1600/Drag%25C3%25A3o.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-g_BIUQJKsbU/TnICNK6Dr1I/AAAAAAAAAXQ/C-egisg8ZJg/s320/Drag%25C3%25A3o.png" width="309" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Book Antiqua', serif; font-size: 12pt; line-height: 115%;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify; text-indent: 35.4pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4490903864554303573?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4490903864554303573/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/o-dinossauro-vermelho.html#comment-form' title='6 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4490903864554303573'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4490903864554303573'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/o-dinossauro-vermelho.html' title='O Dinossauro Vermelho'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-JVhTShXzyW8/TnIBh3BostI/AAAAAAAAAXM/F1maMp8HRa8/s72-c/dinossaurovermelho.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>6</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4739811750176738733</id><published>2011-09-08T16:31:00.002-03:00</published><updated>2011-09-08T16:33:21.556-03:00</updated><title type='text'>Aniversário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu sempre disse que eu era uma garota fácil. Bastava me dar um bombom, uma flor e um livro.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Claro que tinha de ser o bombom certo&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-n5fOmyZwMJk/TmkWUxlmD3I/AAAAAAAAAW4/hVLCSASqGao/s1600/sonho-de-valsa-3290.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-n5fOmyZwMJk/TmkWUxlmD3I/AAAAAAAAAW4/hVLCSASqGao/s200/sonho-de-valsa-3290.jpg" width="198" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O livro certo&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2qK1JH29r18/TmkWexYdW_I/AAAAAAAAAW8/YDGkvuZvpDg/s1600/o-amor-nos-tempos-de-colera.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-2qK1JH29r18/TmkWexYdW_I/AAAAAAAAAW8/YDGkvuZvpDg/s320/o-amor-nos-tempos-de-colera.jpg" width="235" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E as flores certas&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-jvP7svpDiN4/TmkW5QdVHHI/AAAAAAAAAXE/4CaNdOyQ5Ng/s1600/RosaChampagne.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://1.bp.blogspot.com/-jvP7svpDiN4/TmkW5QdVHHI/AAAAAAAAAXE/4CaNdOyQ5Ng/s200/RosaChampagne.jpg" width="188" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-A0o0xNR9gUU/TmkWoRX1m7I/AAAAAAAAAXA/a3kDaIvGmn8/s1600/Minha-Orquidea.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="150" src="http://3.bp.blogspot.com/-A0o0xNR9gUU/TmkWoRX1m7I/AAAAAAAAAXA/a3kDaIvGmn8/s200/Minha-Orquidea.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quem acertasse, levava.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ah, tinha de ser o cara certo também.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-FBZm-VRplt8/TmkXmRjqjDI/AAAAAAAAAXI/5kqzJYGBmzQ/s1600/IMG_1981.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-FBZm-VRplt8/TmkXmRjqjDI/AAAAAAAAAXI/5kqzJYGBmzQ/s320/IMG_1981.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Há 20 anos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4739811750176738733?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4739811750176738733/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/eu-sempre-disse-que-era-facil.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4739811750176738733'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4739811750176738733'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/eu-sempre-disse-que-era-facil.html' title='Aniversário'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-n5fOmyZwMJk/TmkWUxlmD3I/AAAAAAAAAW4/hVLCSASqGao/s72-c/sonho-de-valsa-3290.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3151139109810796845</id><published>2011-09-04T19:49:00.001-03:00</published><updated>2011-09-09T11:03:29.817-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Revistas e livros</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-cjhwyV32aJM/TmOMiHX3GTI/AAAAAAAAAWw/JFSNIWVV6d8/s1600/Banca+do+Sr_+Alu%25C3%25ADsio.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="235" src="http://1.bp.blogspot.com/-cjhwyV32aJM/TmOMiHX3GTI/AAAAAAAAAWw/JFSNIWVV6d8/s320/Banca+do+Sr_+Alu%25C3%25ADsio.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quando fomos morar no Rio de Janeiro por um ano, tivemos de adaptar um monte coisas no nosso cotidiano. A cidade era muito maior, muito mais cara e, apesar das inúmeras e acessíveis opções de lazer (algumas até gratuitas), havia os deslocamentos e, claro, o medo. Não faço segredo de que passamos um março aterrorizado, presos num apartamento que não devia ter 20m², assistindo o terrível noticiário regional das 19h. Depois de um tempo, passamos a torcer para que as notícias deste não chegassem ao telejornal das 20h ou nossas mães (sempre mais apavoradas) teriam um treco.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;A coisa mais saudável que fizemos foi desligar a TV. Os telejornais pareciam dispensáveis quando somente serviam para criar pânico. E... bem, mesmo para quem cresceu assistindo telenovelas, a coisa toda já estava virando um tortura. De fato, acho que eu ficaria bastante desagradável se começasse a tecer minha opinião sobre isso. Então, na máxima: "se não tem nada de bom a dizer, fique calado", vou falar sobre nossas soluções de entretenimento. Vou falar sobre revistas e livros.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em primeiro lugar é preciso dizer: jamais censure um doutorando se ele resistir a ler como lazer, seja boa, seja má literatura. O cara (ou a cara) passou o dia todo... lendo! Muitas vezes numa língua que nem é a dele, outras, está lendo gente que não está muito preocupada em ser entendida, mas... seu orientador entendeu, seus colegas entenderam e você será o asno da classe se não queimar alguns neurônios para compreender também. (Se isso não servir de nada para o seu doc, ao menos você pode olhar com superioridade para quem disser que acha o tal fulano difícil).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Em abril começamos a sair de casa, mas nem o dinheiro, nem o cansaço permitem fazer isso todos os dias. Sem internet (o dinheiro da Lan também era regulado), apelamos para Revistas, uma leitura rápida, informativa e variada. Na verdade, eu apelei mais. O Guto tem uma capacidade de trabalho muito maior que a minha. Preciso mais de descanso e quase nunca é necessário me arrancar do trabalho. Eu vou de bom grado.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Então, no que nossas possibilidades econômicas permitiam, eu comprava de tudo (até revista velha, que vem num pacote com 3 e é mais barato) e a grande maioria com assuntos mulherzinha (se alguém me vir com uma 4 Rodas na mão, sem o Miguel ao lado, lendo com interesse, pode atirar porque é sinal de que os reptilianos começaram a invadir corpos). Então, achei uma muito interessante. Estava em seu primeiro número e o editorial era para lá de convidativo. Dizia: "somos buscadores, não temos respostas prontas, queremos uma vida diferente desta que o mundo nos exige todos os dias, queremos a contracorrente". Fiquei encanta, até porque isso não soava num tom "auto-ajuda". Comecei a comprar todos os meses e devorava do primeiro ao último artigo. Havia crônicas sobre filosofia, indicação de programas alternativos, reportagens sobre livros novos, ideias novas e livros antigos e boas ideias antigas, tudo aliado a uma abordagem bem dosada do cotidiano.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Fiquei um pouco surpresa quando, meses depois do início promissor, deparei-me com uma capa cuja manchete de apresentação iniciava com as palavras "como fazer". No interior, a revista também estava diferente. Havia mais "dicas" e menos reflexão sobre ideias. O "como fazer" se repetia... e muito. Não mudou no mês seguinte. Nem no outro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Parei de comprar a revista. Se quisesse um manual, bastava olhar as outras que já tem no mercado e que estão repletas de "melhore a si mesmo". Não estava em busca disso. Estava em busca de um lazer que não me mandasse fazer mais ginástica, comprar menos, ou comprar mais, desejar uma casa no campo ou um apartamento com vista. Queria um texto que se debruçasse sobre perguntas, mas que dispensasse - com dignidade - a necessidade das respostas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ao fim de tudo, assumi que talvez eu fosse alguém na contramão do mercado. Ou, como não me acho um tipo único nem especial, que aqueles que abastecem o mercado preferissem moldá-lo ao invés de ouvi-lo.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sim, existem revistas boas, mas eu tinha escolhido errado o meu&amp;nbsp;super herói. Então, venci a resistência e fui afogar minha decepção num sebo, com edições velhas e baratas de ótimos livros. Não me arrependi.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3151139109810796845?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3151139109810796845/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/revistas-e-livros.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3151139109810796845'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3151139109810796845'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/09/revistas-e-livros.html' title='Revistas e livros'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-cjhwyV32aJM/TmOMiHX3GTI/AAAAAAAAAWw/JFSNIWVV6d8/s72-c/Banca+do+Sr_+Alu%25C3%25ADsio.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-2787323536337689540</id><published>2011-08-30T13:47:00.006-03:00</published><updated>2011-09-04T19:50:45.527-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Feiticeira: um comentário sobre Cira e o Velho, de Walter Tierno</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-ooJt6-P3d8s/Tl0OdXypbpI/AAAAAAAAAWo/GzXQGH-io7A/s1600/cira_e_o_velho_3.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="243" src="http://3.bp.blogspot.com/-ooJt6-P3d8s/Tl0OdXypbpI/AAAAAAAAAWo/GzXQGH-io7A/s320/cira_e_o_velho_3.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Desde que comecei a me aventurar a escrever, não nego a ninguém a minha defesa de que é possível fazer boa ficção com cenários e elementos brasileiros. Não se trata de bairrismo e nem tampouco de desmerecer uma literatura viajante. É apenas uma afirmação em meio a um certo colonialismo literário ou aquela tendência novelesca de que só o exterior é rico o suficiente para fornecer inspiração. Isso é mais forte se a gente olha para os livros de fantasia cheios de inspiração medieval, terras médias e muito fog inglês. Novamente: não estou desmerecendo este tipo de obra, não é o cenário que mede a qualidade de um livro, apenas, esta é minha afirmação:&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;i&gt;dá sim para escrever um ótimo livro de fantasia usando elementos próprios da cultura brasileira!&lt;/i&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O problema é que quando se faz uma afirmação destas, nossa mente voa direto para as aulas de folclore que se teve no colégio ou as de Cultura Brasileira em alguns cursos universitários ou, o pior de tudo, vai direto até às novelas e especiais da Rede Globo. Isto, obviamente, é alimento para preconceitos, com tudo o que os PRÉ-CONCEITOS têm de ruim. Alguns desses? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Uma distorção do que é cultura brasileira. Com base nos conceitos prévios que hoje chegam mais facilmente à maioria das pessoas, tem-se a impressão de que cultura brasileira é uma mistura carnavalesca, colorida e alienada de invencionices regionalizadas e tornadas nacionais a formão. O trágico parece pueril ou diminuto e limitado. É interessante como nossa ideia sobre o que é um imaginário mitológico rico precisa ser jogada para fora de nós. Enchemos a boca para falar de mitos gregos ou nórdicos e nos afundamos neles para “nos entender” e inspirar. Mas, primos pobres, do Brasil e sua riqueza mitológica e histórica pouco tiramos. Tratamos nossa mitologia como nossa sociedade trata as crianças de rua: é pobre, não vai crescer, não tem brilho, melhor evitar e esquecer. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Para que não me acusem de hipócrita, digo desde já que estudo mitologias (grega, nórdica, etc) com grande entusiasmo e desde muito tempo. De fato, meu presente de 10 anos de idade foi um Dicionário de Mitologia (sem desenhos) Greco-Romana. Então, novamente, não se trata de um manifesto nacionalista, mas do trabalho com as possibilidades imaginárias de um universo muito, mas muito mais rico do que se tem admitido enquanto nos encantamos com castelos. (Não que os castelos não sejam dignos disso, apenas, não são somente eles que são.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Essa distorção não cai somente em cima do edifício da cultura e do folclore. Cai também sobre a história. Caso você não tenha percebido, a história está na moda. Mas qual história? A que tem feito a fortuna de alguns divulgadores é aquela que pode ser tornada anedota. Não teria problema se, em muitos casos, não estivesse também absolutamente equivocada (não estou nem falando de interpretação dos fatos, estou falando de fatos mesmo). Mas isto é tema para outro comentário. E nem era de nada disso que eu queria falar aqui.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Eu quero falar de Cira...&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Sim, parafraseio o autor sem nenhuma vergonha, pois este começo é o que te joga num livro devorador e devorável. Terminei-o em 3 dias. E não, não é um livro de mistério, embora tenha algum. Mas isso, nem de longe é o mais importante. &lt;i&gt;&lt;a href="http://www.ciraeovelho.com.br/"&gt;Cira e o Velho&lt;/a&gt;&lt;/i&gt; tem o gosto de um dos meus velhos livros de mitologia. Nada carnavalesco, embora colorido. Cheio de tragicidade, mas nada pueril. É fundado na mitologia, na cultura popular e na história brasileiras. Tem iaras, lobisomens, cobras que se fazem gente, bruxas que controlam árvores e são árvores. E, nada disso é infantil, ou gratuito, ou inverossímil. A arquitetura da história é perfeita. Ela te envolve e transcende o ordinário, como a boa ficção fantástica tem de ser. Em nenhum momento me peguei pensando: “mas, como?” Estive completamente convencida por todo o tempo. Em outras palavras: o texto fez a mágica. Como diz Milton Hauton, “a tarefa do escritor é nos convencer de que o que lemos podia ter acontecido”. E foi o que aconteceu. Cira e sua família entraram no meu panteão.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;a href="http://www.waltertierno.com/"&gt;Walter Tierno&lt;/a&gt; – que também é ilustrador – estréia como autor de literatura fantástica num romance de personagens absolutamente encantadores. De heróis que cometem erros e vilões afundados na própria soberba. De animais que falam, mas com uma personalidade tão própria que, certamente, você perceberá que não está em Narnia. De homens que lutam pelo comando de uma terra que, ela própria, é também um personagem oculto, mas forte e presente. É também violento e a prosa crua, nestes momentos, consegue te transportar a tempos ainda “mais hereges” (como diz o avô do Guto) que os nossos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Como leitora chata que sou, não direi que o romance mantém o encanto por 100% do tempo. Foram 99%. Mas isso pode ser pessoal. Impliquei com uma ou duas passagens que o autor parece render-se a imagens mais próximas ao HQ. Nada que desmereça o livro, nem mesmo a passagem em si, são apenas algumas frases que já tinha se formado na minha cabeça e não seria necessário lê-las.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Mas, mesmo isto, vem antes de Cira. Porque, veja, é muito difícil manter o&amp;nbsp;&lt;/span&gt;discernimento&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&amp;nbsp;depois que Cira aparece. A pequena feiticeira (isso é por minha conta, e já explico porque) ilumina o livro. É difícil não se encantar por ela, não desejar ouvi-la ou saber sobre as coisas que ela quer fazer. Ela domina o livro e, claro, seu autor, que passa às suas mãos, assim como os leitores. Como só acontece nos bons e não-abandonáveis livros. O feitiço de Cira é com quem lê e não dentro do livro, onde sua magia é mais pressentida que usada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Dos outros posso dizer que: apaixonei-me por Cobra Norato, quase como uma de suas inúmeras amantes. E toda vez que alguém chamar outra pessoa de Caninana na minha frente, isso terá um sentido mil vezes pior.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O Velho? É um personagem incrível. Desprezível. Odiei-o cada segundo. Como teria de ser.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;É interessante que o Walter, ao me dar seu autógrafo no Fantasticon, tenha referido o Velho (e foi o autógrafo mais legal que já vi). Talvez, no meu caso, o aviso devesse ser outro: Cuidado! Cira é feiticeira e você é presa fácil.&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-size: medium;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;table align="center" cellpadding="0" cellspacing="0" class="tr-caption-container" style="margin-left: auto; margin-right: auto; text-align: center;"&gt;&lt;tbody&gt;&lt;tr&gt;&lt;td style="text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Ot_XBQc0AWo/Tl0PAQV7vLI/AAAAAAAAAWs/DhxUpctHE3Y/s1600/IMG_3422.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: auto; margin-right: auto;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-Ot_XBQc0AWo/Tl0PAQV7vLI/AAAAAAAAAWs/DhxUpctHE3Y/s320/IMG_3422.JPG" width="240" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;tr&gt;&lt;td class="tr-caption" style="text-align: center;"&gt;Meu livro autografado pelo autor: "À comadre Nika, um conselho:&lt;br /&gt;Não acredite no Velho. Ele mente".&lt;/td&gt;&lt;/tr&gt;&lt;/tbody&gt;&lt;/table&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="margin-bottom: 0.0001pt; margin-left: 0cm; margin-right: 0cm; margin-top: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-2787323536337689540?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/2787323536337689540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/feiticeira.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/2787323536337689540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/2787323536337689540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/feiticeira.html' title='Feiticeira: um comentário sobre Cira e o Velho, de Walter Tierno'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-ooJt6-P3d8s/Tl0OdXypbpI/AAAAAAAAAWo/GzXQGH-io7A/s72-c/cira_e_o_velho_3.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-6683838967539015096</id><published>2011-08-26T23:43:00.002-03:00</published><updated>2011-08-28T10:23:47.031-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Mini-Contos de Fadas III</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-enF4rrws39c/TlhZoFaOfaI/AAAAAAAAAWk/DkG4YdpKgz8/s1600/250px-I_samma_%25C3%25B6gonblick_var_hon_f%25C3%25B6rvandlad_till_en_undersk%25C3%25B6n_liten_%25C3%25A4lva.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-enF4rrws39c/TlhZoFaOfaI/AAAAAAAAAWk/DkG4YdpKgz8/s1600/250px-I_samma_%25C3%25B6gonblick_var_hon_f%25C3%25B6rvandlad_till_en_undersk%25C3%25B6n_liten_%25C3%25A4lva.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;1.&lt;br /&gt;- Humpf, não dê atenção a estes meninos bobos - diz a mãe para o Pequeno Polegar. - Ninguém vai te chamar de baixinho quando você for MÉ-DI-CO.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;2.&lt;br /&gt;- Vocês colocaram uma ervilha debaixo de 20 colchões para saber se eu era uma princesa de verdade? - perguntou a moça, incrédula.&lt;br /&gt;- Foi ideia da mamãe - respondeu o príncipe.&lt;br /&gt;- Ótimo! Nem casei e já tenho sogra.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;3.&lt;br /&gt;- Ok, ela podia ser uma bruxa, mas tinha bom gosto. Roupa preta com sapato vermelho é&amp;nbsp;&lt;i&gt;über fashion.&lt;/i&gt;&lt;br /&gt;- Com meias de listras?&lt;br /&gt;- Tendência, querida...&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&amp;nbsp;4.&lt;br /&gt;Os sapatinhos vermelhos cor de sangue brilhavam como maçãs na vitrine. A menina não os queria, precisava deles, isso sim. O que queria era os olhos verdes da inveja acompanhando-a quando ela os pusesse nos pés.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;5.&lt;br /&gt;A Pequena Vendedora de Fósforos&lt;br /&gt;Não há &amp;nbsp;como fazer graça, nem ternura, quando a história é sobre uma criança que morre de frio.&lt;br /&gt;&lt;div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-6683838967539015096?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/6683838967539015096/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/mini-contos-de-fadas-iii.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/6683838967539015096'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/6683838967539015096'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/mini-contos-de-fadas-iii.html' title='Mini-Contos de Fadas III'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-enF4rrws39c/TlhZoFaOfaI/AAAAAAAAAWk/DkG4YdpKgz8/s72-c/250px-I_samma_%25C3%25B6gonblick_var_hon_f%25C3%25B6rvandlad_till_en_undersk%25C3%25B6n_liten_%25C3%25A4lva.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-9000476488959879058</id><published>2011-08-26T16:47:00.001-03:00</published><updated>2011-08-27T17:20:34.837-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Receitinhas'/><title type='text'>Bolo Floresta Negra</title><content type='html'>Hoje estou na pressa de uma uma sexta em que a inspiração só chegou agora, mas as datas finais não estão nem aí para isso. Sendo assim, a receitinha vem sem a crônica de praxe. Mas, confesso que estou tão encantada com a minha invenção que acho que os comentários adicionais se tornam desnecessários. Ainda assim...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Quase todas sabem que Floresta Negra, no Brasil, é o nome que se dá uma torta feita com bolo de chocolate, chantilly e cerejas. (Não esquecendo que é o nome de uma floresta alemã e de um filme sensacional - e nada infantil - com a Sigourney Weaver fazendo uma fantástica&amp;nbsp;madrasta&amp;nbsp;da Branca de Neve, mas isso é outra história). Gosto da torta, assim, faz tempo que penso em como fazer um bolo que lembre o sabor. Claro que já fiz bolo de chocolate com pedacinhos de cereja. Ficou bom? Certamente. Mas daí que eu paro? Não sei se já informei por aqui, mas gosto mais de inventar, do que fazer devo o que sempre dá certo. Então...&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-LxaAJ5r76JM/Tlf02VEay0I/AAAAAAAAAWg/K6ziC6jjojE/s1600/st+dalfour+black+currant+preserves.jpg" imageanchor="1" style="clear: right; float: right; margin-bottom: 1em; margin-left: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-LxaAJ5r76JM/Tlf02VEay0I/AAAAAAAAAWg/K6ziC6jjojE/s1600/st+dalfour+black+currant+preserves.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Quem já circulou pelas prateleiras de importados do supermercado deve conhecer esta geléia. Para os que nunca se arriscaram a comprá-la, uma dica: as cerejas negras vem praticamente inteiras, quando não estão inteiras. A segunda dica, que deve agradar quem tem problemas ou ressalvas com açúcar, é que ela não leva açúcar na fabricação. Deu para entender as possibilidades deste vidrinho de paraíso? Então, vejam onde minha cabecinha fazedora de bolos foi.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Minha receita base que dá para decorar com facilidade. Três claras em neve reservadas, três gemas batidas em ponto de gemada com uma xícara de açúcar (dá para tentar com Tal7Qual ou outro adoçante que imite a quantidade do açúcar e possa ir ao forno). Depois meia xícara de óleo, batendo até a textura engrossar. Três xícaras de farinha peneirada, 3 colheres de chocolate 50% de cacau, 1 1/2 xícara de leite morno. Bate tudo. Tire da batedeira e misture as claras e uma colher bem cheia de fermento com uma colher de pau. Misture! Não bata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Isso é só bolo de chocolate, certo? É, mas faça o seguinte, após colocar toda a massa em uma forma untada (eu gosto das tipo pudim), coloque a geléia com uma colher não deixando nenhum espaço na linha em torno do círculo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Se você conseguir esperar esfriar... Bon apetit!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;(Não houve tempo para fotos)&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-9000476488959879058?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/9000476488959879058/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/bolo-floresta-negra.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/9000476488959879058'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/9000476488959879058'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/bolo-floresta-negra.html' title='Bolo Floresta Negra'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-LxaAJ5r76JM/Tlf02VEay0I/AAAAAAAAAWg/K6ziC6jjojE/s72-c/st+dalfour+black+currant+preserves.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5118246868905832776</id><published>2011-08-22T14:14:00.001-03:00</published><updated>2011-08-26T23:43:38.290-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Essa coisa de sempre chegar depois</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-sP_zvRUr134/TlKN_U1e60I/AAAAAAAAAWc/vAqkfVOGDoA/s1600/n_caminhar.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-sP_zvRUr134/TlKN_U1e60I/AAAAAAAAAWc/vAqkfVOGDoA/s1600/n_caminhar.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho tido a sensação de me mover na água. Uma câmera lenta que fica fora e dentro de mim ao mesmo tempo. Oh não, não se trata de um daqueles textos tipo "hora de expor minhas dúvidas existências". São mais reflexões de quem tem a sensação de estar atrasada em relação a um mundo que parece satisfeito em te engolir e derrubar (algo como as ondas da Praia da Solidão em Floripa).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste final de semana consegui ver um filme que queria ter visto há um ano atrás ou antes. Há duas&amp;nbsp;estreias&amp;nbsp;no cinema (que já são velhas em praças maiores) que quero muito assistir, mas que estão em horário não condizentes com pais que trabalham. Tenho tentado ler intercalando clássicos e material novíssimo, porém, sempre fico com a sensação de estar com o assunto de ontem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se meu devagar me incomoda? Não. É a pressa dos outros que acaba por me cansar. Mal tenho conseguido disfarçar minha cara de tédio ao ouvir o clássico: "Nossa, já é agosto. O ano está voando, não é? Logo é Natal." Não, o ano não está voando, está passando na mesma velocidade de todos os outros anos. Os físicos já provaram que o tempo não está acelerando (talvez, esteja justamente o contrário). Demorou para chegar agosto e zilhões de coisas aconteceram desde janeiro. Não viu? Não sentiu? Será que o problema é com o ano? Ou você ficou apenas empilhando notícia em cima de notícia, tão antenado com o mundo que "desantenou" do resto? Sabe quantas ditaduras caíram desde janeiro? Quantos massacres ocorreram? Quantas piadas sem graça foram ditas e repercutiram na mídia por semanas? Foi o suficiente para encher todo este tempo que não foi rápido, foi no tempo dele. Isso porque o tempo não acelera, só você.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As pessoas olham o Miguel com seus dois anos e cinco meses e me dizem que o tempo voa e como "eles" (as crianças) crescem rápido. Sinceramente, eu vivo cada etapa do meu guri e adoro o fato de cada dia ter ganhos e ser diferente. Ai de mim se ele estivesse ainda em alguma das etapas anteriores. Ele não está crescendo rápido, está no tempo dele, cada segundo no tamanho exato que um segundo deve ter. Talvez, quem está de fora, e não o olhe como eu, se surpreenda, mas não peça que eu acompanhe esta surpresa. De fato, no primeiro ano dele essas palavras até me incomodavam. Poxa, foi um parto punk, dias e dias de hospital, 3 cirurgias, 50 dias de UTI para ele, eu reaprendendo a andar e a respirar e a criatura vem me dizer que passou rápido? Rápido? Antes fosse, amiga, antes fosse.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha imensas alegrias e dores dos últimos... humm 8 anos (instalei a câmera lenta em 2003) passaram no tempo que tiveram de passar. Algumas, até demoraram um pouco mais. Não sou do tipo saudosista, pelo contrário, o tempo que passa vira história para contar e eu sou historiadora E escritora. Então, por que ficar lamentando? &amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eu chego depois dos outros sim, mas estou no meu tempo. Vou ler pela primeira vez um livro há muito escrito e que todo mundo já leu. Vou ver um filme que já passou para a sessão de clássicos da locadora. Vou comentar um fato que ocorreu há mais de mês. Acontece. Mas se o Miguel chamar, eu paro, só para ficar olhando ele crescer.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ah... e ainda faltam quatro meses para o Natal (dá para derrubar um monte de ditadores até lá).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-1n1sfJ5GudE/TlKNaZcW5xI/AAAAAAAAAWY/QclswJFD_Ms/s1600/IMG_3352.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-1n1sfJ5GudE/TlKNaZcW5xI/AAAAAAAAAWY/QclswJFD_Ms/s320/IMG_3352.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5118246868905832776?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5118246868905832776/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/essa-coisa-de-sempre-chegar-depois.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5118246868905832776'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5118246868905832776'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/essa-coisa-de-sempre-chegar-depois.html' title='Essa coisa de sempre chegar depois'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-sP_zvRUr134/TlKN_U1e60I/AAAAAAAAAWc/vAqkfVOGDoA/s72-c/n_caminhar.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5867956016015040022</id><published>2011-08-20T00:17:00.002-03:00</published><updated>2011-08-22T14:14:23.944-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Do Animal contador de Histórias</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-lpFDw8F8JgE/Tk8nHrw6__I/AAAAAAAAAWU/OlQM2F4U_ok/s1600/conata%25C3%25A7%25C3%25A3o_hist%25C3%25B3ria.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-lpFDw8F8JgE/Tk8nHrw6__I/AAAAAAAAAWU/OlQM2F4U_ok/s1600/conata%25C3%25A7%25C3%25A3o_hist%25C3%25B3ria.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O texto não é meu. Reproduzo na íntegra porque lê-lo é bom demais. Com vocês: Graham Swift - &lt;b&gt;Terra d'água.&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"Sei o que vocês sentem. Sei o que vocês sentem aí sentados em seus bancos, em atitudes de tédio, desânimo, ressentimento, resignação. Sei o que pensa toda criança quando submetida ao regime das aulas de História, a doses de passado enfiadas em colheres: 'Mas e o Agora? Agora, estamos no Agora. E o Agora?'&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Diante de vocês, um calvo quinquagenário tagarela dobre o Ancien Régime, Rousseau, Diderot e a insolvência da Coroa Francesa, atrás de vocês, além da janela, luz cinza de inverno, um pátio de recreio vazio, desolados e enevoados blocos de concreto... E à sua volta, esta sala de aula cheirando à mofo, em que vocês ficam suspensos, enjaulados como animais retirados do habitat natural.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Agora. E o Agora?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Prince chia - uma das inúmeras tentativas de subverter a Revolução Francesa, de perturbar a perturbação - e diz: 'O que importa é o aqui e agora'.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas o que é esse tão falado Aqui e Agora? Quantas vezes o Aqui e Agora vem até nós? Aparece tão raramente que nunca é o que imaginamos (...).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo o Aqui e Agora, que traz ao mesmo tempo prazer e terror, só raramente aparece - neo vem nem quando o chamamos. É assim que é: a vida inclui muito espaço vazio. Nós somos um décimo tecido, nove décimos de água: a vida é um décimo Aqui e Agora, nove décimos uma aula de História. Pois a maior parte do tempo o Aqui e Agora não é nem agora nem aqui.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que se faz quando a realidade é um espaço vazio? Pode-se fazer com que as coisas aconteçam - e invocar, com todos os riscos, um pouco de urgência simbólica; pode-se beber e ficar alegre, e esquecer o que a mente sóbria nos diz. Ou (...) pode-se contar histórias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O fato de eu me tornar professor de história pode ser diretamente&amp;nbsp;atribuído&amp;nbsp;às histórias que minha mãe me contava quando, como a maioria das crianças, eu tinha medo do escuro. (...)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu primeiro contato com a história tornou-se assim, na forma como saía dos lábios de minha mãe, inseparável de suas outras fábulas da hora de dormir: Alfredo deixando queimar os bolos, Canuto dando ordens às ondas, o rei Carlos escondendo-se num carvalho - como se a história fosse uma invenção agradável. E mesmo quando colegial, quando apresentado à história como objeto de estudo, quando alimentando deveras uma paixão implume que ia durar a vida inteira, ainda era a aura de fábula da história que me atraía, e eu acreditava, talvez como vocês, que a história era um mito. Até que uma série de choques com o Aqui e o Agora deu uma súbita objetividade a meus estudos. Até que o Aqui e Agora, me pegando pelo braço, me esbofeteando, e me mandando dar uma boa olhada na bagunça em que me encontrava, me informou que a história não era invenção, mas existia de fato - e eu fazia parte dela.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Assim, meti o peito na minha Matéria, Assim, comecei a olhar dentro da história - não apenas a manuseada história do vasto mundo, mas também, na verdade com zelo particular, a história dos meus ancestrais (...). Assim comecei a pedir da história uma Explicação. Só para descobrir, nessa busca dedicada, mais mistérios, mais coisas fantásticas, mais maravilhas e motivos de pasmo do que aqueles com que começara; só para concluir, quarenta anos depois - apesar da dedicação à utilidade, ao poder educativo da disciplina que escolhera -, que a história é uma fábula. E poderei eu negar que o que queria o tempo todo não era alguma pepita de ouro que a história acabaria fornecendo, mas a própria História: a Grande Narrativa, a enchedora de vácuos, a afastadora de medos da escuridão?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Crianças, só os animais vivem inteiramente o Aqui e Agora. Só a natureza não conhece memória nem história. Mas o homem - deixem-me dar-lhes uma definição - é o animal contador de histórias. aonde que que ele vá quer deixar para trás não uma esteira caótica, não um espaço vazio, mas as reconfortantes boias de sinalização e as indicações de estrada das histórias. Tem de continuar contando histórias, tem de continuar inventando-as. Enquanto houver histórias, está tudo bem, Mesmo em seus últimos momentos, dizem, na fração de segundo de uma queda fatal - ou quando se está se afogando - ele vê, passando rapidamente à sua frente, a história de toda a sua vida.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E quando se senta, com mais lazer mas não menos terror, no meio da catástrofe, quando se senta (...) em seu abrigo anti-nuclear, ou simplesmente se senta sozinho porque lhe levaram a esposa de mais de trinta anos que não mais o reconhece, nem ele a ela, e porque seus alunos, seus filhos, que outrora - sempre lembrando-se do futuro - vinham às aulas de história, não estão mais ali, ele conta, mesmo que só para si mesmo, mesmo que só para um público que é obrigado a imaginar, uma história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Portanto, deixem-me contar-lhes outra. Deixem-me falar a vocês".&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;SWIFT, Graham. &lt;u&gt;Terra d'Água&lt;/u&gt;. Trad. Marcos Santarrita. SP: Companhia das Letras, 1992.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Minha homenagem aos contadores de histórias.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5867956016015040022?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5867956016015040022/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/do-animal-contador-de-historias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5867956016015040022'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5867956016015040022'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/do-animal-contador-de-historias.html' title='Do Animal contador de Histórias'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-lpFDw8F8JgE/Tk8nHrw6__I/AAAAAAAAAWU/OlQM2F4U_ok/s72-c/conata%25C3%25A7%25C3%25A3o_hist%25C3%25B3ria.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3920599576111298471</id><published>2011-08-19T00:58:00.001-03:00</published><updated>2011-08-21T19:58:29.888-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Uma Livraria sem Limites</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-cKes3UXei7w/Tk3cOTKy7CI/AAAAAAAAAWQ/555ogjhNjzQ/s1600/limitrofe_com_cinta400.png" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-cKes3UXei7w/Tk3cOTKy7CI/AAAAAAAAAWQ/555ogjhNjzQ/s320/limitrofe_com_cinta400.png" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É interessante acompanhar um livro antes de nascer. Estamos acostumados a fazer isso com filmes (pelo menos eu estou). Quando um tema, ou diretor ou ator que aprecio se inicia num novo projeto, eu vou acompanhando notícias, vendo fotos, sabendo detalhes da produção. Algumas vezes vou na estréia, outras, aguardo as críticas. Não sou nenhuma religiosa com críticas, nem com resenhas de qualquer tipo. Tenho confiança no gosto de alguns críticos, então, aprecio saber a opinião deles. O que não me impede de formar a minha, é claro, e discordar veementemente quando for o caso. Discordo também de muitos sucesso de público (Titanic ser o maior sucesso do cinema mundial me faz pensar que nasci no planeta errado).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando vi as primeiras informações sobre &lt;i&gt;&lt;a href="http://livrarialimitrofe.blogspot.com/"&gt;A Livraria Limítrofe&lt;/a&gt;&lt;/i&gt;, de Alfer Medeiros, foi meio sem esforço que comecei a acompanhar. Li a degustação, acompanhei o blog, li outros textos do autor (confesso que Lobisomens não são minha praia). O fato é que a proposta me pareceu encantadora desde o início.Uma livraria em que se molda ao gosto literário de seus visitantes, oferecendo-lhes uma experiência única. Um sonho para qualquer leitor compulsivo como eu. Uma descrição de paraíso. Um Valhalla de mortais. Cada capítulo, um conto, um encontro e uma experiência única. Fui na estréia e só li resenhas após ler o livro em três sentadas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem já leu algum comentário meu sobre livros sabe que não faço resenhas. Indico, comento, falo de minhas impressões, junto outras histórias. Não farei diferente. Então, já começo dizendo que gostei do livro. A leitura flui rapidamente (o que é óbvio pelo tempo que levei para ler). O texto é ágil e cativante. Os contos se apresentam quase como jogos, onde se fica brincando de encontrar a base das referências (a esmagadora maioria sobre literatura dita de gênero: fantasia, FC, infantil, terror, crime, etc). Trata-se do texto de um leitor apaixonado que se dirige a outros leitores apaixonados. É possível que um leitor iniciante venha a ser seduzido pelo texto, coisa que faço votos. Contudo, acho que será nos viciados pelo tipo de literatura explorada por Alfer que o livro encontrará seu público.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por outro lado, o projeto gráfico do livro é igualmente fascinante. &lt;i&gt;Livraria&lt;/i&gt; vem sem capa. E isso também conta uma história. Se o limítrofe se refere ao limite entre o mundo real e o literário, colocar limites físicos ao livro seria encarcerá-lo. &lt;i&gt;Livraria Limítrofe&lt;/i&gt; como objeto é outro conto. E isso se repete nas páginas decoradas, pois elas também ajudam a descolar a história do livro e realizá-la em torno do leitor.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Emocionou-me o segundo conto, que tem algo de &lt;b&gt;O Sul&lt;/b&gt;, do Borges, embora seja o que eu tenha falhado mais em identificar os autores que dão o tom da história. Os personagens, em geral, não são tipos originais, mas pessoas bem comuns, das que se encontra todo dia, das que se conhece. Dá para ler e ir pensando: olha o Fulano aí. Mas isso tem &lt;b&gt;prós&lt;/b&gt; e &lt;b&gt;contras&lt;/b&gt;, pois a narrativa em primeira pessoa exige identificação e algumas vezes isso não ocorreu. Ou porque o personagem não soava totalmente verdadeiro, ou porque seu discurso tinha pequenas mudanças de tom, ou porque havia uma&amp;nbsp;frasezinha&amp;nbsp;que podia ter ficado de fora (nada que incomode, se você não for um leitor chato, o que eu sou).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O &lt;b&gt;pró&lt;/b&gt; vem do fato de eu não conseguir parar de ler antes do final. Queria ver o que o próximo personagem veria, saber seu autor predileto e ver como isso se entrecruzava com sua história pessoal. Talvez, esse seja o grande trunfo do livro. Imagine uma livraria que não vê um cliente, mas apenas o leitor no que ele foi e no seu futuro. Uma livraria que é também um labirinto de duas faces, uma para o passado outra para o futuro. Uma livraria cujos limites físicos são a imaginação dos que conseguem acessá-la.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A ideia vale o livro. O livro vale a ideia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3920599576111298471?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3920599576111298471/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/uma-livraria-sem-limites.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3920599576111298471'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3920599576111298471'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/uma-livraria-sem-limites.html' title='Uma Livraria sem Limites'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-cKes3UXei7w/Tk3cOTKy7CI/AAAAAAAAAWQ/555ogjhNjzQ/s72-c/limitrofe_com_cinta400.png' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5770683344779857482</id><published>2011-08-17T11:56:00.003-03:00</published><updated>2011-08-19T00:59:31.545-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Robôs, imprensa, ditadura e política.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-fbzmmJekqOw/TkvWOt8NpLI/AAAAAAAAAWM/H-hl_yL51pU/s1600/robo_gigante_screenshot3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="244" src="http://1.bp.blogspot.com/-fbzmmJekqOw/TkvWOt8NpLI/AAAAAAAAAWM/H-hl_yL51pU/s320/robo_gigante_screenshot3.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Durante minha última viagem à São Paulo terminei o volume 3 do &lt;i&gt;História de Robôs&lt;/i&gt;. Eu já tinha comentado o primeiro conto aqui, mas,depois acabei emperrando nos contos seguintes.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Sam Hall&lt;/b&gt; (de Paul Anderson) é bastante longo e, mesmo sendo excelente, levei dias para vencer por conta de outras razões que não a leitura. Ainda assim, há nele uma reflexão que se une, ao meu ver, a outro dos grandes contos do livros: &lt;b&gt;Se&lt;/b&gt; &lt;b&gt;Benny Cemoli não existisse &lt;/b&gt;(do fantástico Philip K. Dick). O primeiro conto tem ênfase em um mundo preso a uma ditadura técnica, em que tudo e todos são vigiados. Contínuos testes de fidelidade são feitos ao regime. Então, o personagem principal, um burocrata responsável pela máquina que faz a triagem e organização das notícias, resolve, por questões particulares criar um fictício rebelde, um herói de oprimidos, um guerrilheiro: Sam Hall. Benny Cemoli também é ficção dentro da ficção. É criado num planeta destruído, disputado por corporações que se apoderam de um jornal homeostático - isto é, um jornal capaz de "captar" a notícia. Porém, e se alguém pudesse controlá-lo? Se fosse possível criar notícias, mesmo que falsas? Não haveria aí uma realidade alternativa criando eventos e consequências que, de foto, não se ligariam ao real, mas seriam reais.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Eu fiquei fascinada com a leitura e não parei de pensar nisso por horas. Afinal, leio jornais todos os dias. Vários, de várias vertentes ideológicas (TODOS tem a sua). E não raro é possível se deparar com mentiras. Ou notícias que se contradizem ou que não nos dizem tudo. No entanto, elas criam efeitos e efeitos reais. Não serei leviana em dizer que temos uma ditadura dos meios de comunicação, que somos vigiados em nossas opiniões e consciências, que o factual e o factóide demoram a ser separados uma do outro ou nunca são. Não, não direi nada disso, mesmo com a sedução da ficção científica ficando menos ficcional a cada girada de tela do meu PC.&amp;nbsp;Mas que dá para pensar, dá!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;****&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Os três contos seguintes do livro são bons, apenas isso. &lt;b&gt;Fui eu que fiz você&lt;/b&gt;, de Walter M. Miller Jr; &lt;b&gt;Gatilho Humano&lt;/b&gt;, de J.F. Bone; e &lt;b&gt;Guerra com Robôs&lt;/b&gt;, de Harry Harryson. No fundo, os três tem algo de semelhante, pois parecem questionar este jogo deificado entre homens e máquinas e quem é o Deus de quem. Gatilho Humano tem a máquina como instrumento e o homem como um gatilho que depende do bom-senso. O problema é que o bom-senso é particular e restrito. E se não for o homem certo a estar no lugar errado na hora errada? Bum!&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;2066: ano da eleição&lt;/b&gt;, de Michael Shaara, seria um conto excelente não fosse a patriotada. Não se trata de anti-norteamericanismo, apenas, neste caso, a literatura perde para a patriotada. Não dá para ficar indiferente. Isso, caso, a literatura seja mais importante para você que os EUA e sua visão de si mesmo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;A chave-inglesa&lt;/b&gt;, de Gordon Dickson tem o personagem mais desagradável de todo o livro. Não gostei dele nem por um instante. Sua lógica e arrogância fazem do conto o único que pende para um certo suspense-pânico no final.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Disque F para Frankenstein&lt;/b&gt;, de Arthur C. Clarke foi, na verdade, o primeiro conto que li do livro, logo que o comprei e antes de chegar em casa. Motivo? Arthur C. Clarke. Isso não torna minha avaliação muito objetiva. Não nego que a palavra Frankenstein também tenha me chamado. Gosto bastante desse conto. Esse clima de conversar sobre uma tragédia que já se sabe, porém, ainda não chegou ao lugar em que se está. É um conto em que o clima de tensão supera a história. Mas... elogios irão minar o conto, deixo a quem ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;O circuito de Macauley&lt;/b&gt;, de Robert Silverberg, não é um grande conto, mas fala de tantas implicações filosóficas e neurológicas a respeito da arte que não me sinto à vontade em comentar. Eu tendo a concordar, mas sei da superficialidade da minha abordagem. Gostaria de conversar sobre ele com o &lt;a href="http://miltonribeiro.opsblog.org/"&gt;Milton Ribeiro&lt;/a&gt; e o &lt;a href="http://impromptu.opsblog.org/"&gt;Augusto Maurer&lt;/a&gt;, estes sim, capazes de discorrer sobre a música, quem a cria, quem a reproduz.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Judas&lt;/b&gt;, de John Brunner, volta a questão do Deus ex Machina. É óbvio de várias formas, mas extremamente atraente à leitura e ás questões que traz à tona.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Deixei, claro, meu favorito para o fim.&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Prova&lt;/b&gt;, de Isaac Azimov. Sem muita surpresa, é claro. Asimov, como Clarke não falam com meu intelecto, mas com uma parte muito emocional de mim e isso acaba obliterando, não raro, minha percepção deles. Este conto tem como se pode imaginar um robô encantador, como só Asimov sabia criar. &amp;nbsp;Infelizmente, não é possível falar mais e, &amp;nbsp;não recomendo a quem quer se surpreender que leia a introdução ao conto. Por outro lado, este ser adorável só o pode ser por ser um robô e sua perfeição está em ser exemplo, não em dominar nada. Uma das belas utopias de Asimov.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5770683344779857482?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5770683344779857482/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/robos-imprensa-ditadura-e-politica.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5770683344779857482'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5770683344779857482'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/robos-imprensa-ditadura-e-politica.html' title='Robôs, imprensa, ditadura e política.'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-fbzmmJekqOw/TkvWOt8NpLI/AAAAAAAAAWM/H-hl_yL51pU/s72-c/robo_gigante_screenshot3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3248859219456101773</id><published>2011-08-16T10:52:00.002-03:00</published><updated>2011-08-19T00:59:08.476-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Sobre gatos no Sapatinhos</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-mRZwc8oQdL8/Tkp1xqmRH8I/AAAAAAAAAWI/wjRWSBAsNrU/s1600/O_Livro_dos_Gato_4ded26a364c41.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-mRZwc8oQdL8/Tkp1xqmRH8I/AAAAAAAAAWI/wjRWSBAsNrU/s320/O_Livro_dos_Gato_4ded26a364c41.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sou uma apaixonada por livros infantis desde o primeiro que eu tive. Na verdade, e isso não é segredo, sou apaixonada por livros. Antes mesmo de me alfabetizar eu queria ter idade para ler um que só tivesse letras. Posava para fotos sempre com um dos livros do meu pai na mão. Invariavelmente era um daqueles da série Perry Rhodan. Meu pai dizia que aquele livro falava do futuro, de como seria a vida quando pudéssemos alcançar o espaço. Fascinada, eu folhava as páginas de papel jornal com seus signos enigmáticos por horas.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro que, logo, e quando era possível, comecei a ganhar aqueles livros grandes, ilustrados, cujas histórias eram contadas em frases. Passava por eles, mas, na maioria das vezes, só os olhava para inventar histórias para a minha irmã.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;De fato, conto como meus dois primeiros livros os que ganhei em julho de 1980. Tinha acabado de me alfabetizar e ia mudar de cidade. Minha professora da primeira série e meus colegas fizeram uma festa de despedida e deram-me dois livros que guardo como relíquias até hoje. Ela me deu As Aventuras de uma Andorinha, que era um texto longo e em prosa que demorei a ler. Eles, por escolha dela, deram-me O Patinho Feio em poesia. Foi o primeiro LIVRO que li, e também a primeira narrativa poética. Dali um mundo todo foi surgindo. Nunca mais deixei de amar os livros infantis.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como sempre tive crianças na família, acabei acompanhando os formatos que os livros infantis foram tomando nos últimos trinta anos. Vi os textos serem reduzidos sem que as ilustrações acompanhassem com alguma melhoria enriquecedora. Vi a cor substituir o conteúdo. Vi textos tão ruins que me davam a certeza de não ser feitos por escritores, mas por algum estagiário que o ajeitou entre uma cópia xerográfica e uma ida ao correio. Os resumos (?) de alguns contos de fada são de matar. Sem sutilezas mágicas, sem beleza, sem encanto. Nem vou falar da poesia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lentamente, observando os livros nos últimos dez anos, vejo as coisas mudarem. O texto está novamente ganhando relevo e ilustradores talentosos. Um cuidado maior com o livro infantil, mesmo aqueles pequenos, feitos para consumo, pois serão carregados e olhados e namorados até a exaustão (dos livros, não dos pequenos).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ontem voltei da Fantasticon 2011 trazendo para o Miguel, O Livro dos Gatos, primeiro livro infantil do Estevão Ribeiro. O livro é muito bonito, todo em preto e branco porque, afinal, criança ama pintar. As ilustrações não são óbvias. Pedem calma e observação. Pais tutores não são necessários, mas bem vindos para ajudar no encantamento.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E o texto?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Poesia. Linda, forte, mágica. Terminei a leitura num arrepio. Daqueles satisfeitos, emocionados. O tipo do livro que dá vontade de conhecer alguma criança para poder dá-lo de presente. O Miguel ainda é muito pequeno, amou o livro, mas vai demorar a compreender a história. Gostou da cadência da poesia e chamou de musiquinha. Ficarei encantada se este for o primeiro livro dele.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3248859219456101773?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3248859219456101773/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/sobre-gatos-no-sapatinhos.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3248859219456101773'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3248859219456101773'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/sobre-gatos-no-sapatinhos.html' title='Sobre gatos no Sapatinhos'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-mRZwc8oQdL8/Tkp1xqmRH8I/AAAAAAAAAWI/wjRWSBAsNrU/s72-c/O_Livro_dos_Gato_4ded26a364c41.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5082197609258779974</id><published>2011-08-07T17:36:00.001-03:00</published><updated>2011-08-16T14:02:01.902-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Receitinhas'/><title type='text'>Somente o necessário</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Saudade de colocar uma receitinha aqui no blog. Então, acontece que ontem fiz algo bem digno de vir para cá (sim, ainda estou devendo a receita de sopa de cebola, mas logo vem).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem acompanha as receitas do blog sabe que sou adepta (ao menos quando eu cozinho) das comidinhas minimalistas: pouco a fazer, muito a saborear. Esta aqui não foge a regra e o bom é que não foi aprovada apenas pelos de casa, logo, já coloco aqui com pelo menos 6 pessoas dizendo hummm.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Mas, como nunca dou uma receita sem contar uma história (imposto para quem vem aqui só querendo ingredientes e modo de fazer), vou começar dizendo que esta não é uma receita surgida de um gosto, mas do desejo. Eu realmente não gosto de fígado. De verdade, não gosto de nenhum tipo de miúdos em termos de carne (exceto língua bovina, mas isso é outra história). Simplesmente não vai. E olha que já tentei. Nem gosto do saber em outras coisas. Assim, fígado cozido de frango ou na sopa, ou fígado bovino à milanesa, não dá. Eu nem ao menos gosto da palavra. Nem do ela lembra. Nem das referências canibais tão comuns na literatura e no cinema de horror.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No entanto... acho patê de fígado irresistível. Simplesmente adoro. Chego até a engolir aqueles horríveis que se pode comprar no mercado e que tem tanta mistura, conservantes e colorantes que nem mais se parecem com um patê de fígado. Sempre que eu tenho um desejo destes, que o que há no mercado não consegue suprir, minha mãe costuma fazer para mim. Porém, esta semana o desejo foi também de fazer o patê. Misturei algumas receitas, algumas memórias e voilá!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Numa forminha pequena (tipo de bolo inglês) fiz uma cama de fatias de bacon. Usei umas 250g de bacon gordo, com pouca carne e retirei a parte da pele. Depois, o cortei em fatias finas para montar a base que, obviamente, dispensa que se use óleo ou unte a forma. Depois, coloquei o fígado de frango (algo em torno de 300g), sal, e cobri com uma cebola grande picada e 2 dentes de alho. Depois salsinha e cebolinha frescas, pimenta do reino branca&amp;nbsp;moída&amp;nbsp;na hora. Reguei tudo com conhaque, usei umas sete colheres para isso, mas fica à gosto. Cobri com o bacon restante e coloquei no forno alto por uns 45 min.&amp;nbsp;A casa se cobriu de um cheiro delicioso, daqueles que deve ter deixado os vizinhos com água na boca. Então, assim que o assado amornou foi todo para o liquidificador.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acredite, o resultado é extraordinário, mas para ficar bom, bastou usar o necessário. Até lembrei da música do Baloo. Essa é a cozinha que eu gosto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/GCiy_nRQ8dg/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/GCiy_nRQ8dg&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266"  src="http://www.youtube.com/v/GCiy_nRQ8dg&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5082197609258779974?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5082197609258779974/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/somente-o-necessario.html#comment-form' title='4 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5082197609258779974'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5082197609258779974'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/somente-o-necessario.html' title='Somente o necessário'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><thr:total>4</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-227431750806562266</id><published>2011-08-01T13:40:00.002-03:00</published><updated>2011-08-07T17:38:33.149-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Notas sobre o Habitante da Ilha Deserta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-HAKZsUKdWDI/TjbWamXRbwI/AAAAAAAAAVw/MKLfYrqCPUs/s1600/Ilha+deserta+com+o+porco.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="248" src="http://4.bp.blogspot.com/-HAKZsUKdWDI/TjbWamXRbwI/AAAAAAAAAVw/MKLfYrqCPUs/s320/Ilha+deserta+com+o+porco.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O Habitante&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O homem que habita a Ilha Deserta pode não ser um homem, mas pensa como um. Entenda, ele não pensa como “todos” os homens, mas como um bem específico. O habitante da Ilha Deserta pensa em si mesmo como único e sem igual. Sendo assim, ele é, obviamente, um ser superior. Não tão superior quanto o deus em que ele acredita, mas, como ele se pensa escolhido por este deus, é o único que pode se igualar a ele. Mas, não se engane, o habitante da Ilha Deserta não se acha diferente. Ele é que é “o igual”. Igual ao que se &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;deve&lt;/i&gt; ser, segundo as leis que ele acredita e que são as únicas importantes e verdadeiras, pois também foram proclamadas pelo deus que “o escolheu”. Todos os outros, que não são iguais a ele, têm defeitos graves. Trazem a marca da deterioração do mundo, da decadência que o habitante da Ilha Deserta vê. Para ele, o mundo não é mais o mesmo. O mundo era melhor antes. O mundo hoje é tolerante demais. E decadente porque tolerante. O mundo devia ser dos fortes e escolhidos como ele pensa que é. E tudo o que ele perde é por culpa destes que são diferentes. Eles lhe tiram o emprego. Tornam &lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;suas&lt;/b&gt; ruas inseguras. O fazem mais pobre, mais infeliz e menos escolhido do que ele pensa ser. Nesse raciocínio, só pode ser pior que o diferente estes seres horríveis que querem tolerar o diferente. Estes que poderiam ser iguais e pregam que o diferente é igual. O habitante da Ilha Deserta se esforça, mas não entende. Ele vai até a História e a molda ao seu gosto. Mata a sociologia, descrê da antropologia, ri da filosofia. Busca consolo na religião e também a molda ao seu gosto. O habitante da Ilha Deserta não vê o outro, nem pode. Vê apenas a si mesmo, único marco de perfeição e absoluta consonância com o destino brilhante, com os qual os desígnios divinos o marcaram.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A Ilha Deserta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Nela vivem o habitante da Ilha Deserta e todos os outros a quem ele quer invisíveis. Melhor se exterminados. Os diferentes conspurcam a Ilha que já foi boa, no passado, quando não havia tanta injusta tolerância. Quando não havia todo o mal criado por estes diferentes que, de uns tempos para cá, resolveram deixar de servir e passaram a querer ser vistos. Ora, não sabem os diferentes que seu único papel em existir é reforçar o quanto o habitante da Ilha Deserta é bom, bonito, perfeito e escolhido? O quanto ele é superior a todos os diferentes que aí estão? A Ilha Deserta só faz sentido por ser deserta de diferenças. Este é o mundo que o deus, em que o habitante da Ilha Deserta acredita, criou, e apenas para que este habitante, unicamente igual a si mesmo, habite.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Sobre o deus do Habitante da Ilha Deserta&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Esta figura é a imagem e semelhança de seu filho escolhido. Também mora numa Ilha Deserta. Não criou os diferentes e não sabe por que eles estão por aí. É mesquinho e intolerante. Como seu escolhido, não gosta das outras imagens que o apresentam como tolerante, bondoso e igualitário. Diz que a frase “vinde a mim” é uma mentira. Coisa de esquerdistas subversivos que querem ver o mundo virado. Querem encher a Ilha Deserta de gente diferente e acabar com a igualdade sagrada dando ela para todos. É o fim do mundo! Ou, pelo menos, da Ilha Deserta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Fonte da Ilustração: &lt;a href="http://galeriacores.blogspot.com/2009_07_01_archive.html"&gt;Galeriacores Cartoons&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-227431750806562266?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/227431750806562266/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/notas-sobre-o-habitante-da-ilha-deserta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/227431750806562266'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/227431750806562266'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/08/notas-sobre-o-habitante-da-ilha-deserta.html' title='Notas sobre o Habitante da Ilha Deserta'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-HAKZsUKdWDI/TjbWamXRbwI/AAAAAAAAAVw/MKLfYrqCPUs/s72-c/Ilha+deserta+com+o+porco.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-1674026025951600758</id><published>2011-07-24T11:02:00.001-03:00</published><updated>2011-07-29T11:13:13.047-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>A erudição de Lovecraft</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-f5vgiOwMk6I/Tiwlot8QKdI/AAAAAAAAAVs/tR4xsMp3N9Y/s1600/lovecraft3.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://1.bp.blogspot.com/-f5vgiOwMk6I/Tiwlot8QKdI/AAAAAAAAAVs/tR4xsMp3N9Y/s1600/lovecraft3.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre que começo a ler um autor que eu ainda não tinha lido, fico com aquela horrível impressão de ter chegado no fim da festa. Já rolaram os maiores babados, mas eu não tenho tempo de me inteirar de tudo. Então, como o jornalista que só conseguiu uma testemunha que soube por ouvir dizer, eu tento escrever. Vida dura esta... mas, a verdade, é que não me conformaria em não indicar um dos mais interessantes livros que li nos últimos tempos. Trata-se do longo ensaio histórico-literário feito por H.P. Lovecraft (que entremeei com a leitura de alguns contos deles que resenharei depois), intitulado &lt;i&gt;O Horror Sobrenatural em Literatura.&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Com um panorama traçado desde meados da época moderna, Lovecraft convida a uma deliciosa viagem pela literatura anglo-saxônica de horror sobrenatural. Mas não é apenas o trabalho de um escritor apaixonado pelo próprio gênero de trabalho. Lovecraft deixa claros os critérios com que leu cada época e cada um dos autores. Reconhece os pontos fortes e os fracos e a contribuição de cada um para o gênero. Acima de tudo, o escritor concebe uma encantadora definição para a&amp;nbsp;literatura&amp;nbsp;de horror sobrenatural e seu lugar no gosto dos leitores, embora, ele reconheça, ela nunca chegará a todo o público leitor pelo gosto e sempre encontrará muita dificuldade em ser&amp;nbsp;reconhecida&amp;nbsp;pela "grande literatura".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste último ponto, há uma avaliação lúcida e coerente. É muito difícil fazer uma literatura de gênero, capaz de açambarcar o gosto popular e, ainda assim, construir uma prosa imortal. Mas não é impossível, há bons exemplos e Lovecraft os analisa todos. Contudo, fica claro que, neste caso, a celebridade dos autores de gênero se dá menos pelas experimentações estilísticas que pela capacidade de criar fábulas a temporais, capazes de acessar as partes escuras da alma humana e fazê-las temer. Os autores capazes desse feito, são aqueles cujos escritos atravessam nossa sociedade aficionada ao realismo sem jamais caírem no ridículo. São os que, nas palavras de Lovecraft, exploram, acima de todos os medos, o medo do desconhecido.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ora, com o que povoamos a escuridão se não com nossas perversidades e horrores? O medo do desconhecido é o medo da loucura, da própria mente humana em desalinho. É ali que o pavor mais insuportável reside. Os personagens de Lovecraft podem salvar a vida, mas poucos mantém a sanidade. Os que mantém, após os episódios narrados, nunca mais serão os mesmos, carregam para sempre a marca do horror. Uma marca que sequer conseguem compartilhar, pois nela reside o indizível.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Terminei a leitura como uma sensação de inveja de uma escola de escritores como a professada por Lovecraft. Não estou falando dos escritores de literatura fantástica ou de horror, mas dessa ideia tão clara demonstrada por ele: a de que para mergulhar na literatura não basta apenas ler e conhecer os pares, mas que a presença de uma saudável erudição pode ser extremamente benéfica. Fiquei encantada e diminuída com o tamanho deste autor. Ávida por mais e mais dele. Mas, perdoem os fãs mais antigos, pois li apenas este livro e alguns contos e estas são as minha impressões no fim da festa. Devia ter chegado antes...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A quem interessar possa, há uma boa biografia com análise de seus escritos neste &lt;a href="http://sobrenaturalmentelindo.blogspot.com/2010/11/h-p-lovecraft.html"&gt;blog&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-1674026025951600758?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/1674026025951600758/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/erudicao-de-lovecraft.html#comment-form' title='8 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1674026025951600758'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1674026025951600758'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/erudicao-de-lovecraft.html' title='A erudição de Lovecraft'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-f5vgiOwMk6I/Tiwlot8QKdI/AAAAAAAAAVs/tR4xsMp3N9Y/s72-c/lovecraft3.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>8</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8439640160310437175</id><published>2011-07-22T18:15:00.002-03:00</published><updated>2011-07-24T11:03:10.299-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Mundo da Antecipação II</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-BbPVBxgb67M/TinmyU5QEfI/AAAAAAAAAVo/u7TqwSeo0Ec/s1600/historias_de_robos1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-BbPVBxgb67M/TinmyU5QEfI/AAAAAAAAAVo/u7TqwSeo0Ec/s320/historias_de_robos1.jpg" width="191" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;Volto a ler as antologias organizadas por Isaak Azimov. Desta vez não li, devorei. O Volume 1 de Histórias de Robôs é menos técnico, talvez, até menos capaz de criar vórtices em direção ao futuro, mas é tremendamente emocional. Enquanto o Vol 3 me fez ficar horas pensando após a leitura de um único conto, buscando cenários e implicações, o Vol 1, cujo primeiro conto é de fins do XIX, me fez saltar de um conto a outro com avidez aficionada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;O primeiro conto trás um tom gótico, mas ficou longe de ser meu favorito. De fato, meu encanto se deu por &lt;i&gt;Robbie&lt;/i&gt;, escrito pelo próprio Azimov aos 19 anos. O conto é obviamente a base de onde, anos depois, sairia &lt;i&gt;O Homem Bicentenário&lt;/i&gt;, mas ele não perde nada por isso. Pelo contrário, fiquei encantada com sua prosa enxuta e o sempre arrebatador talento de Azimov em criar robôs comoventes sem lhes tirar a lógica pura.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, em termos imaginativos, não há como não destacar outros dois contos.&lt;i&gt;&amp;nbsp;&lt;/i&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;&lt;i&gt;‎A volta do robô&lt;/i&gt;, de Robert Moore Williams&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="line-height: 14px;"&gt;&amp;nbsp;e sua sequência escrita pelo amigo Lester Del Rey: &lt;i&gt;Mesmo que os sonhadores morram&lt;/i&gt; (neste só o título já é uma peça). Imperdíveis aos apreciadores da boa FC.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Há ainda mais um conto que merece ser mencionado: &lt;i&gt;Adeus ao Mestre&lt;/i&gt;, de Harry Bates. Ele foi a base para o filme &lt;i&gt;O Dia em que a Terra Parou &lt;/i&gt;que, confesso, só vi a versão de 1951.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;Fica a dica de leitura para este fim de julho.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span class="Apple-style-span"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8439640160310437175?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8439640160310437175/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/mundo-da-antecipacao-ii.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8439640160310437175'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8439640160310437175'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/mundo-da-antecipacao-ii.html' title='Mundo da Antecipação II'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-BbPVBxgb67M/TinmyU5QEfI/AAAAAAAAAVo/u7TqwSeo0Ec/s72-c/historias_de_robos1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-6791617490642273540</id><published>2011-07-13T14:35:00.002-03:00</published><updated>2011-07-22T18:15:38.561-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Os sentidos na ficção</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-MOFQu0ovjPM/Th3XRkjS0uI/AAAAAAAAAVQ/18n4r2WPhwo/s1600/Oficina+de+Escritores.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-MOFQu0ovjPM/Th3XRkjS0uI/AAAAAAAAAVQ/18n4r2WPhwo/s320/Oficina+de+Escritores.jpg" width="227" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Acabo de terminar a leitura do livro &lt;i&gt;Oficina de Escritores&lt;/i&gt;, de Stephen Koch, professor de escrita criativa nas universidades de Columbia e Princeton. É com certeza uma boa aula. Um bom curso, eu diria. Daqueles te dá a dimensão da tua incipiência em tantas coisas no universo da escrita que, ao sair do livro, a gente se sente menor do entrou.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;É certo que ele passa um bom tempo a convencer seu leitor (aspirante à escritor) do óbvio. Não é possível ser um bom escritor sem ser um leitor melhor ainda. Não é possível escrever profissionalmente sem estudar para isso, independente do que se quer escrever. Cada tipo de texto vai exigir uma preparação diferente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que a primeira assertiva (muito embora eu saiba da sua verdade) sempre me deixa chocada. Adaptando a metáfora do autor: como alguém pode querer jogar futebol, se não gosta de assistir ao jogo? Seria como EU querer jogar futebol. Ou seja, um despautério total. Quanto a segunda afirmação, eu creio estar plenamente adaptada a uma existência acadêmica que não consegue encarar nada sem estudo. Mas imagino que haja uma boa quantidade de jovens aspirantes cuja crença no próprio talento é pouco permeável as tentativas de convencê-lo que, talento sem estudo é bom, mas nem sempre é legível ou, de qualquer forma, salvável em meio aos rasgos de amadorismo que o acompanham.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro é escudado nas frases de grandes escritores sobre o ofício de escritor. Koch não se furta a usar todos os argumentos de autoridade que tem em mãos. E funciona. Muito raramente ele não me convenceu. Contribuiu também sua visão genérica e ampla, sempre pronta a acolher as técnicas idiossincráticas de cada um. Mesmo ressaltando a necessidade nunca descartável de que: sim, haja alguma técnica ao realizar este tipo de trabalho.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De tudo, no entanto, gostei mais de duas coisas (e gostei de bastante coisa no livro). A primeira está no último capítulo, onde o autor faz um &lt;i&gt;tour&lt;/i&gt; pelos livros sobre o ofício de escritor, escritos por escritores. Uma pena que tenhamos tão poucos deles traduzidos. Acho que um grande público de jovens aspirantes se beneficiaria com isso, mesmo que a leitura em inglês esteja cada vez mais difundida. Por outro lado, fica uma sensação de que temos poucos trabalhos de escritores brasileiros consagrados falando do ofício. Sim, sim, nós temos muitas entrevistas em revistas com escritores falando sobre isso. Mas entrevista, por melhor que seja, é direcionada. Possuímos alguma coisa nas memórias de algum escritor como o Nélson Rodrigues, por exemplo. Porém, no conjunto, que chegue ao público leitor, se tem pouco, bem pouco, por parte de nossos maiores autores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O segundo elemento que me agradou sobremaneira ficou naquilo que Koch nomeou como VOZ. Não somente a voz dos personagens, mas a voz própria do autor e aquela com a qual ele quer contar cada uma das suas histórias.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sobre a voz do personagem, é interessante sua sugestão sobre o uso dos sentidos. Ou eu achei interessante porque uso isso, não sei. Mas construir uma personagem não apenas por sua aparência, mas por sua voz é algo que me tocou profundamente. Tenho personagens que já chegam a minha cabeça falando pelos&amp;nbsp;cotovelos. Outros são silenciosos, mas é daqueles silêncios eloquentes em que a postura diz tudo. Estes últimos me exigem dias de observação. Costumo pegá-los pelo olhar. E aí percebo que, quando escrevo, falo em olhos o tempo todo. Falo porque é neles que eu vejo o que quero ver. Obviamente, me cerco de cuidados e releituras para não atormentar o leitor que prefere ouvir, claro.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De qualquer forma, eu vejo ambos como uma espécie de jogo sinestésico. O bom olhar arrepia tanto ao autor quanto ao leitor. A voz correta cria uma cadência, um ritmo, um entendimento não transferível para outro personagem. Lembro de já ter escrito frases a serem ditas por alguém e ter de trocar seu autor, ou a forma do comentário, pois aquele a quem a fala originalmente se destinava, jamais a diria. Tenho uma personagem de quem o Guto vive reclamando por pouco ouvi-la. Claro, ela realmente quase não fala. Nem sei se um dia será falante. Não posso convertê-la numa tagarela e também, como autora, ela pouco me deixa invadir seus pensamentos. Transformar seus silêncios em eloquência, porém, é trabalho meu,&amp;nbsp;não&amp;nbsp;dela. Eu preciso escrever melhor, ela já é mais difícil de mudar (como o são pessoas que falam pouco, ou falam em demasia ou, ora, ela não vai mudar por hora, isso é mais um fato sobre ela).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A outra voz é a do escritor e o exercício proposto é tão interessante de ser feito consigo quanto com outros autores. Afinal, quem está narrando? Este autor que você lê, ele também é uma espécie de personagem e ele não se confunde com o narrador em absoluto, mesmo com o narrador externo, em 3ª pessoa e&amp;nbsp;onisciente. &amp;nbsp;O escritor é uma superposição de vozes. A sua real, que pode ser ou não censurada na hora da escrita e, por isso cria o personagem escritor que reside sob e muito além da narração. A que ele revela como narrador, a que se faz ouvir em cada personagem.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O escritor convive esquizofrenicamente com a arte e o papel. Ele nunca está exatamente sozinho, ou parado, ou pensando apenas. Assim, limpar essas vozes para se fazer entender é um exercício nem sempre fácil, mas interessante e importante. Certo, sempre há alguém a defender que vá tudo para o papel, sem controle. Que a arte é o incontrolável. Aí terei de concordar com Koch, não se controle e escreva para ninguém. Se quer comunicar, seja como for, conheça cada passo, cada voz. Se quiser misturar tudo, faça-o, mas consciência de o fazer. Alegar desconhecimento não torna ninguém mais talentoso, apenas desconhecedor da própria criação.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;P.S.: Belíssima capa com os recortes de azulejos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-6791617490642273540?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/6791617490642273540/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/os-sentidos-na-ficcao.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/6791617490642273540'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/6791617490642273540'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/os-sentidos-na-ficcao.html' title='Os sentidos na ficção'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-MOFQu0ovjPM/Th3XRkjS0uI/AAAAAAAAAVQ/18n4r2WPhwo/s72-c/Oficina+de+Escritores.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4480411716197101135</id><published>2011-07-10T11:20:00.001-03:00</published><updated>2011-07-13T14:36:16.176-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Conto'/><title type='text'>Mini-Contos de Fadas II</title><content type='html'>&lt;div style="margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-S9XvNydgQ3A/Thmxslp-S_I/AAAAAAAAAVI/JiDblLl3Yk0/s1600/sereiazinha.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://4.bp.blogspot.com/-S9XvNydgQ3A/Thmxslp-S_I/AAAAAAAAAVI/JiDblLl3Yk0/s200/sereiazinha.jpg" width="150" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Para quem gostou dos&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;a href="http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/02/mini-contos-de-fadas.html"&gt;&lt;span style="text-decoration: none;"&gt;primeiros&lt;/span&gt;&lt;/a&gt;, mais uma leva de Mini-Contos de Fadas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;  &lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mini-contos de Fadas II&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;1.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- Pele de Asno&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- Schssssss ninguém conta essa história.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- Por quê?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- Um pai que quer casar com a filha é realidade demais para a cabeça das crianças.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;2.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- Só se tem duas chances na vida: ou se nasce bem ou se casa bem - discursou o gato.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- E como se faz para casar bem? - perguntou o filho do moleiro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;- Pareça que nasceu bem.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;3.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Uma roupa que apenas os inteligentes veem? É melhor que esquente, porque, para a maioria, não vai tapar nada.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;4.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;Fecha o livro após a leitura do conto do Barba Azul.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;- Mamãe? É ruim ser curioso, né?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;- Não, filho. Ruim é matar pessoas e fazer disso um troféu.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;5.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;- Dizem que nesse mar dá sereias.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;- Sério? E qual é a isca?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;- Amor eterno...&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;br style="mso-special-character: line-break;" /&gt; &lt;span style="-webkit-border-horizontal-spacing: 2px; -webkit-border-vertical-spacing: 2px;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: medium;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4480411716197101135?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4480411716197101135/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/mini-contos-de-fadas-ii.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4480411716197101135'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4480411716197101135'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/mini-contos-de-fadas-ii.html' title='Mini-Contos de Fadas II'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-S9XvNydgQ3A/Thmxslp-S_I/AAAAAAAAAVI/JiDblLl3Yk0/s72-c/sereiazinha.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4975904418037533962</id><published>2011-07-08T14:42:00.002-03:00</published><updated>2011-07-10T11:23:13.119-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>O “Terrível” e os Livros</title><content type='html'>Ainda desencavando textos que estão na gaveta do meu PC. Este é bem datado, foi escrito no dia 14 de outubro de 2010. Por que a data é importante? Leia e verá.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-sEeRmuKQSuk/ThdBQGpbD_I/AAAAAAAAAVE/3Tqvhkw3lAE/s1600/TC-72742-MainIcon.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="232" src="http://3.bp.blogspot.com/-sEeRmuKQSuk/ThdBQGpbD_I/AAAAAAAAAVE/3Tqvhkw3lAE/s320/TC-72742-MainIcon.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;b&gt;O “Terrível” e os Livros&lt;/b&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNoSpacing" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;No dia 12 de outubro, usei o Twitter para lembrar minhas leituras de infância e adolescência (época em que ler era quase “feio” entre as pessoas da minha idade). Não tinha a intenção, mas meus comentários geraram um belo debate com alguns amigos sobre livros e gostos literários. Em dada altura, comentei sobre os livros que satisfizeram meu gosto pelo drama, pelo horror e pelo trágico na adolescência. Sempre foi minha convicção que os professores de literatura perdiam de explorar essa “atração mórbida” dos adolescentes para conquistar mais leitores.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Meus interlocutores, todos mais jovens que eu, e mais próximos da adolescência, tenderam a concordar comigo. É claro, ponderei, não basta o trágico pelo trágico, é preciso uma identificação – mesmo que horripilante – com a narrativa. Um exemplo é o fato de que nada é mais comum no Brasil do que encontrar jovens que odeiem &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Iracema&lt;/i&gt;, de José de Alencar – e, com força maior, odeiam os professores que os obrigaram a ler e que, após a primeira página, deram um jeito de enganar fragorosamente (inclusive eu) – que é um romance cheio de tragicidade. Porém, também se encontra com facilidade, na mesma faixa etária, gente que ama &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Noites na Taverna&lt;/i&gt;, de Álvares de Azevedo, escrito praticamente na mesma época. O livro de 1855 tem admiradores mesmo entre jovens que só conhecem os contos pelos extratos dos livros texto de literatura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Portanto, não é a antiguidade ou a novidade que regem o gosto literário dos adolescentes, mas essa atração pelo mórbido, pelo terror, pelo incomum. É o mesmo gosto que faz com que, nesta fase, se consuma filmes, jogos, imagens que remetam para aquelas coisas em que os adultos – mais preocupados com terrores diários, como as contas do fim do mês – preferem não pensar. Ou classificam como tolices: fantasmas, mortos-vivos, vampiros, dramas de culpa, amor, ciúme e morte.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;É certo que falo de minha experiência como leitora, que pode não ter nada a ver com a de você que me lê agora, mas eu estou muito longe de ser um caso particular e único. Meus interlocutores no dia 12, no Twitter, me provaram isso. E também me fizeram pensar em onde está a raiz desse gosto pelo terrível (o trágico, o drama e o horror puro e simples)? Vi-me retornando a dois livros que tenho em casa: o excelente &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Fadas no Divã&lt;/i&gt;, de Diana e Mario Corso, e o igualmente interessante &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Brincando de Matar Monstros&lt;/i&gt;, do norte-americano Gerard Jones. Em ambos os livros, os autores defendem a necessidade (a palavra é essa mesma) de se entrar em contato com o terrível através do ficcional (sejam livros, histórias contadas, filmes, desenhos animados) nas nossas idades mais jovens. Em outras palavras, nada de dizer que a madrasta não era tão ruim assim ou que a bruxa não quer de fato cozinhar João no caldeirão. Nada de amenizar a orfandade (elemento que exerce uma atração aparentemente sem fim, mesmo entre adultos), nada de dizer que monstros não existem e que não é preciso matá-los, ao menos de mentirinha. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Sei que tem gente que se horroriza com essa ideia, mas a argumentação dos autores me foi muito convincente. O mundo ficcional é seguro. É onde podemos experimentar as emoções que recalcamos desde a tenra infância de forma que elas não nos machuquem, nem machuquem os outros (esta também é a tese de Bruno Bettelhein). É o lugar onde podemos pensar: e se isso acontecesse comigo? Como eu reagiria? É onde podemos deixar nossos medos crescerem até o insuportável e, então, vermos o dia nascer (fala alguém que só apagou a luz de cabeceira quando já havia sol lá fora). É onde podemos ser maus e gostar disso, sem nos tornamos pessoas ruins para quem nos rodeia de fato.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Porém, muitos negam essa literatura para os mais jovens. Veem nela uma influência ruim, perniciosa. Acreditam que os jovens, em especial as crianças, devem conhecer apenas o lado bom e doce do mundo. Será que o certo é só lidar com o “terrível” quando ele bate à nossa porta? Deixar nosso cérebro sem o salutar exercício fictício da perda, da culpa e do terror? São as escolhas de cada um. A minha escolha sempre foi entrar em contato e viajar pelo lado escuro do humano primeiro nas deliciosas e seguras asas da ficção.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Para terminar e aproveitando que 29 de outubro foi o Dia Nacional do Livro e 31 de outubro é Halloween (algo que queiramos ou não já vem se incorporando em nossa cultura) ficam as dicas de leitura abaixo. É uma pequena seleção de antologias de contos. Preferi os textos curtos aos romances não pelo fato de a leitura ser mais rápida, mas para que ninguém precise ir dormir deixando uma história no meio (isso sempre me causou um medo terrível). A seleção também privilegia os escritos do século XIX, por gosto pessoal. Se está começando a carreira de leitor, dê uma olhada. Se tem filhos adolescentes, experimente presentear com um desses. Se já os leu, o clima do final de semana pode sugerir uma boa releitura. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Noites na Taverna&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;, Álvares de Azevedo (Editora nacional, 1994).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Contos Fantásticos do Século XIX&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;, seleção de Ítalo Calvino (Cia das Letras, 2004).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Contos de Grimm&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt; (Editora Nacional, 2000).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Contos de Horror do Século XIX&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;, seleção de Alberto Manguel (Cia das Letras, 2005).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Histórias de Fantasmas&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;, Charles Dickens (L&amp;amp;PM, 2010).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;A Carta Roubada e outras Histórias de Crime &amp;amp; mistério, &lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Edgar Alan Poe (L&amp;amp;PM, 2005).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;br /&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4975904418037533962?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4975904418037533962/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/o-terrivel-e-os-livros.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4975904418037533962'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4975904418037533962'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/o-terrivel-e-os-livros.html' title='O “Terrível” e os Livros'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-sEeRmuKQSuk/ThdBQGpbD_I/AAAAAAAAAVE/3Tqvhkw3lAE/s72-c/TC-72742-MainIcon.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3175804311549769988</id><published>2011-07-07T10:50:00.001-03:00</published><updated>2011-07-08T14:43:17.699-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Influências</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-bCUrDR5sNE4/ThW40jBZ5WI/AAAAAAAAAVA/-Fl6kSZVoPg/s1600/ts_eliot_36273t.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-bCUrDR5sNE4/ThW40jBZ5WI/AAAAAAAAAVA/-Fl6kSZVoPg/s320/ts_eliot_36273t.jpg" width="186" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Há alguns anos, quando eu ainda estava na faculdade, mantinha o costume de ir semanalmente à CESMA (Cooperativa dos Estudantes de Santa Maria) para namorar os livros. Quando era possível, eu comprava, quando não, apenas o namoro já trazia aquela satisfação que só os amantes de livros conhecem. Desta época desenvolvi alguns superpoderes. Como comprar um livro no impulso e só descobrir seu real papel na minha vida anos depois. Ou abrir livros em páginas aleatórias e retirar dali verdades eternas. Por vezes, encontrava um um trecho que me marcava tão profundamente que sua simples leitura não apenas valia a compra do livro, mas tinha o mesmo poder de um encontro com o destino (não que eu acredite em destino, mas acredito em encontros).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;O poema abaixo foi um destes:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;b&gt;Morte por Água&lt;/b&gt;&lt;/blockquote&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;T.S. Eliot&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Flebas, o Fenício, morto há quinze dias,&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Esqueceu o grito das gaivotas e o marulho das vagas&amp;nbsp;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;E os lucros e os prejuízos.&lt;/blockquote&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; Uma corrente submarina&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Roeu-lhe os ossos em surdina. Enquanto subia e descia&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Ele evocava as cenas de sua maturidade e juventude&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Até que ao torvelinho sucumbiu.&lt;/blockquote&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;Gentio ou judeu&lt;br /&gt;&lt;blockquote&gt;Ó tu que o leme giras e avistas onde o vento se origina,&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Considera a Flebas, que foi um dia alto e belo como tu.&amp;nbsp;&lt;/blockquote&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Ganhei o livro no meu aniversário seguinte e desde então sempre volto a esse poema. Obviamente é pessoal o que ele me causa e, talvez, jamais realize o mesmo poder em qualquer outra pessoa que venha a lê-lo. Porém, sempre que abro o livro Poesia de T.S. Eliot, não resisto em lê-lo. E sempre me vem o mesmo pensamento: É isso! É assim que quero escrever. Seja história, seja ficção. É no olhar de quem já viveu na carne a dor e a delicia de estar vivo que meu narrador que estar.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Se foi &lt;a href="http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/tolstoy-historiador.html"&gt;Tolstói&amp;nbsp;um dos meus mais fortes professores&lt;/a&gt;, T.S. Eliot tem o condão de encher o ar com a música narrativa que quero respirar.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3175804311549769988?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3175804311549769988/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/influencias.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3175804311549769988'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3175804311549769988'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/influencias.html' title='Influências'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-bCUrDR5sNE4/ThW40jBZ5WI/AAAAAAAAAVA/-Fl6kSZVoPg/s72-c/ts_eliot_36273t.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5586003797068887840</id><published>2011-07-06T12:14:00.001-03:00</published><updated>2011-07-07T10:51:27.707-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='História'/><title type='text'>Fragmentos de História da Vaidade</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;Esse artigo já foi publicado em outro blog, do qual, às vezes, sou colaboradora: o &lt;a href="http://thepinksideofpower.blogspot.com/"&gt;Pink Side&lt;/a&gt;. Trata-se de um blog bem humorado sobre meninas nerds e seus interesses e vaidades (que aparecem aí tanto de forma séria quanto de forma debochada). Conversando com uma aluna-amiga esta semana, ela perguntou por que este texto não estava também aqui nos Sapatinhos. É mesmo, por quê?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;Então, abaixo segue uma pequena pesquisa sobre a História da Vaidade, no tom que foi apresentado para o Pink Side.&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 13.5pt;"&gt;&lt;u&gt;&lt;b&gt;Fragmentos de História da Vaidade I&lt;/b&gt;&lt;/u&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Bem, se tem algo que define um nerd é a curiosidade, certo?&amp;nbsp;Logo, atentas à curiosidade nerd (nossa e alheia), aqui vão alguns fragmentos interessantes sobre a História da Vaidade. Você certamente não imagina que tudo sempre foi assim&amp;nbsp;&lt;i&gt;tão fácil&lt;/i&gt;, não é? Que, desde sempre, bastava levar um livrinho para abstrair da conversa chata de salão, se entregar a mãos competentes e&amp;nbsp;&lt;i&gt;voilá:&lt;/i&gt;&amp;nbsp;o milagre estava feito. Você passava com facilidade de uma nerd de óculos à uma&amp;nbsp;&lt;i&gt;mulher de aparência aceitável&lt;/i&gt;&amp;nbsp;(de óculos).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Não, não. A mulherada podia não ter salões, creminhos e todos os &lt;i&gt;leave in &lt;/i&gt;possíveis, mas dava seu jeitinho. O importante era o resultado e, claro, chamar uma atençãozinha básica para o visual.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Há uns 200 anos atrás não era diferente. Estamos falando do Brasil, mais propriamente do Rio Grande do Sul há dois séculos. E, acreditem, estar longe da corte não era o suficiente para fazer com que as mulheres que aí viviam esquecessem que uma &lt;i&gt;frescurinha&lt;/i&gt; alegra a vida.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Então, imaginem: uma festa.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Longos cabelos para serem arrumados, penteados e embelezados.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Lavar?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Água de bica (na cidade) ou de rio (no verão, tanto nas cidades quanto nos campos). Nem imaginem que se lavava a cabeça no frio do inverno, ou na época das regras, ou... interdições é que não faltavam.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Pentear? Claro.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;As maçarocas eram domadas com um pouco de óleo. O de mocotó era famoso por aqui, mas era preciso macerá-lo com ervas para tirar o cheiro forte.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="font-size: 13.5pt; line-height: normal; margin-bottom: 0.0001pt; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;E os enfeites?&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;Bem, flores seriam a primeira opção, mas não a única. E se a garota em questão quisesse “causar”? Se a garota em questão quisesse algo... assim:&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-u5rqXd3Wo0M/ThRuZIV_v3I/AAAAAAAAAUw/j9aiz7-AZ-8/s1600/19237.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-u5rqXd3Wo0M/ThRuZIV_v3I/AAAAAAAAAUw/j9aiz7-AZ-8/s1600/19237.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 16px;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Convenhamos que para o início do século XIX, o penteado é lindo. Mas aqueles brilhinhos... como consegui-los? E, morando no fim do mundo? Sem falar na pobreza atávica dos primeiros povoadores. Isso seria suficiente para muita gente desisitir, mas se vocês acham que a criatividade das(os) brasileiras(os) é recente, é melhor repensar e olhar abaixo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-XJJLdt1fMq4/ThRunpRRPYI/AAAAAAAAAU0/ai_UHkmYd90/s1600/vagalume.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="218" src="http://2.bp.blogspot.com/-XJJLdt1fMq4/ThRunpRRPYI/AAAAAAAAAU0/ai_UHkmYd90/s320/vagalume.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Você conhece este bichinho?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Não?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Povo da cidade grande... Isso é um vaga-lume ou pirilampo. Inseto bem comum na fauna das nossas matas. Quem foi criança há mais tempo, talvez se lembre de pegá-los com um vidro que, depois de cheio e tampado, era levado para iluminar reuniões “secretas” ou fazer às vezes de vela em rodas de história de terror.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Porém, alguém com habilidade, pode pegá-los assim:&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-Pb3_zmVS1G4/ThRu2YrBzYI/AAAAAAAAAU4/juzFMg-qEdw/s1600/vagalume-722359.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-Pb3_zmVS1G4/ThRu2YrBzYI/AAAAAAAAAU4/juzFMg-qEdw/s1600/vagalume-722359.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Eles não são muito rápidos no voo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mas você já adivinhou o que nossas ancestrais faziam, não é?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Exatamente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Os penteados festivos vinham cheios dessas luzinhas lindas e “naturais”, que eram gentilmente enroladas nos fios. Óbvio que os bichinhos tinham de estar vivos, senão não tinha efeito algum. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;O fato foi atestado por um dos viajantes que passou pelo Rio Grande do Sul nas primeiras décadas do século XIX, o inglês John Luccock. Como foi o único a documentar o fato, se pode se perguntar se foi uma moda passageira, ocasional ou fruto de uma crise sem par (de excesso) de criatividade.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Por mim, fico com 3 imagens que não me saem da cabeça.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpFirst" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;1. O desespero do bichinho preso no cabelo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpMiddle" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;2. A ideia de insetos vivos ou mortos enroscados no cabelo me parece uma imagem infernal.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;3. Imagine se seu par de dança não curtisse o efeito, ou se assustasse? Imagine o pobre Mr. Darcy estapeando a cabeça da Lizzye, apavorado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4Umeon7vDD4/ThRv2JTzsBI/AAAAAAAAAU8/PsnfipDkwDU/s1600/0.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://4.bp.blogspot.com/-4Umeon7vDD4/ThRv2JTzsBI/AAAAAAAAAU8/PsnfipDkwDU/s320/0.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoListParagraphCxSpLast" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin: 0cm; mso-add-space: auto; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="color: black; font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Mas, até que o efeito geral podia ser bonito, não é? &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;Se alguém resolver testar, mande fotos :D.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="line-height: normal; margin-bottom: .0001pt; margin-bottom: 0cm; text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: 'Times New Roman', serif; font-size: 12pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5586003797068887840?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5586003797068887840/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/fragmentos-de-historia-da-vaidade.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5586003797068887840'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5586003797068887840'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/fragmentos-de-historia-da-vaidade.html' title='Fragmentos de História da Vaidade'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-u5rqXd3Wo0M/ThRuZIV_v3I/AAAAAAAAAUw/j9aiz7-AZ-8/s72-c/19237.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8545860272220481234</id><published>2011-07-05T11:50:00.001-03:00</published><updated>2011-07-06T12:16:25.259-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Vampiros: Sangue e sexo - quarta parte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-MCLl1kXiUC0/ThMkq8VzJSI/AAAAAAAAAUo/AOAEUI-jhEc/s1600/maca1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="200" src="http://3.bp.blogspot.com/-MCLl1kXiUC0/ThMkq8VzJSI/AAAAAAAAAUo/AOAEUI-jhEc/s200/maca1.jpg" width="200" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Vampiros no século XXI – Crepúsculo e além.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Tendo em conta este início de século, não há como se falar em vampiros sem falar na saga Crepúsculo. Amadas e odiados, os vampiros brilhantes de Stephanie Meyer só parecem ser imunes a indiferença. Até porque, mesmo que você não lhes dê a mínima atenção, com certeza, conhece alguém que dá.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Porém, a escalada dos vampiros no século XXI antecede a saga&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Crepúsculo&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;. Games, RPGs, HQs e mesmo no reino da literatura ocorreu um continuo e ascendente interesse por esse tipo de personagem. E, em nenhum destes, o sangue e a sensualidade deixaram de aparecer conjuntamente. Não comentarei as ocorrências literárias, por não conhecê-las todas. Minha simpatia por vampiros é limitada.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Contudo, entre todos estes exemplos, foi a série&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-weight: normal;"&gt;Crepúsculo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;que, neste início de século, alcançou um dos mais rápidos sucessos da cultura de massa que se tem notícia. Na TV, duas séries seguiram sua esteira, mas enfatizando aspectos diferentes. A série&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-weight: normal;"&gt;True Blood&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;b&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-weight: normal;"&gt;r&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;etoma o mito e tenta atingir – com a mesma força – um público um pouco mais velho.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;Sangue e sexo em suas formas explícitas rolam na tela. A outra série, que faz o tipo programada para o sucesso - é obra de uma agência em que elementos capazes de causar entre o público são reunidos e escritos sob encomenda - é &lt;i&gt;Vampire Diaries. &lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Nela, apesar dos elementos de terror light, o romance aparece em dose dupla numa espécie de quatrilho vampiresco.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Guardadas todas as diferenças entre os fenômenos pop é possível perceber o que permanece como igualdade. Mocinhas virgens, vampiros galãs e um amor proibido, ou quase, por diferentes questões (no mais das vezes, porque ela tem pulso e ele não).&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Outro elemento que se pode apontar como semelhança, vem do fato de que: os vampiros mocinhos não são apenas bonitos, inteligentes e irresistivelmente sexis, são apaixonados por suas mocinhas e muito super-protetores. Sim, eu compreendo que há enormes diferenças na roupagem em que isso é apresentado. Afinal,&amp;nbsp;&lt;i&gt;True Blood&lt;/i&gt;, por exemplo, carrega no sangue e no sexo. Já na saga&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-weight: normal;"&gt;Crepúsculo&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;o sangue é mínimo e o sexo só acontece com amor e após o casamento. Em &lt;i&gt;Vampire Diaries&lt;/i&gt; o sexo está envolto por desejos reprimidos, e o sangue envolve uma infinidade de outras criaturas sobrenaturais.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Contudo, acho que a semelhança da raiz que expus acima é mais importante para análise que estou propondo (entre tantas imagináveis).&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Afinal, será que é possível fazer pensar uma parcela de nossa sociedade através de sua devoção a um livro ou a uma série de TV, tal como apresentei para &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-weight: normal;"&gt;O Vampiro&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;, no início do século XIX, e&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;strong&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-weight: normal;"&gt;Drácula&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/strong&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;, no fim do mesmo?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Minha intenção aqui é uma análise sociológica e não uma avaliação do gosto de ninguém pelo que quer que seja. Analisar e avaliar são coisas bem diferentes.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Atendo-se à análise, podemos tentar responder estas questões com algumas ideias gerais. Vivemos em uma sociedade carente, que quer a todo custo encontrar um suprimento de amor ilimitado e imortal para sentir-se segura. Isso é ainda mais patente se pensarmos no universo de relações efêmeras que tem sido a tônica do nosso tempo. Hoje em dia, ao contrário do que foi nos anos 80, é moda casar, faz-se o maior alarde para isso. Existem celebridades (e pessoas que seguem suas vidas) que se casam todos os anos (às vezes, até com o mesmo marido). Contudo, separa-se com a mesma freqüência, quase o mesmo alarde e igual rapidez. As revistas de fofocas parecem se sustentar quase exclusivamente no binômio: casa-separa.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Ora, não se espera que um vampiro te diga numa bela manhã: “Bem querida, foi interessante, mas no momento o sangue AB safra 18 anos da vizinha está me seduzindo mais que o seu”. Tampouco se espera ver uma foto (os vampiros do século XXI aparecem em fotografias – eles são mais corpóreos que seus antepassados) de seu vampiro numa revista &amp;nbsp;grudado no pescoço de sua melhor amiga.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Uma das características dos vampiros apaixonados é que eles são fiéis. Seu amor demora a ocorrer (geralmente séculos) e, quando ocorre, é para com uma eleita que lhe foi prometida pelo destino (a infidelidade só aparece como deslize romântico). Em outras palavras, estamos falando de um amor idealizado, estamos falando de almas gêmeas, de diferentes que se completam e, claro, de uma relação para toda a eternidade.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Comparados com seus antepassados, os vampiros de hoje não são mais asseclas do demônio, não trazem em si a marca da danação. Os de Meyer tem em sua casa confortável e clara, uma enorme cruz entalhada em madeira e filosofam se possuem ou não alma. Conheço pouco da mitologia das duas séries, mas me parece que, no caso de &lt;i&gt;True Blood&lt;/i&gt;, os vampiros ali são praticamente uma mutação.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Logo, e deixo claro que estou apenas exemplificando com estas séries, os vampiros do século XXI parecem apresentar uma tendência a ter esvaziado seu conteúdo metafísico, suas ligações místicas, seu ódio à cruz, ao alho e à água benta. O demônio no século XXI tem menos força que as modificações no genoma, logo, vampiros são uma espécie com suas próprias regras e não uma raça de condenados. Não achem que estou esquecendo do filme &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Drácula 2000&lt;/i&gt; que levou as questões metafísicas&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;ao extremo. Mas..., se não me engano, o filme foi um fracasso de bilheteria (ok, o roteiro é ruim e as interpretações péssimas, mas ainda vale o exemplo). Logo, parece que esse vampiro à moda antiga foi perdendo seu apelo para os novos, belos e incompreendidos rapazes de caninos afiados.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Mas, cá entre nós, como se condenar as mocinhas não querem ser salvas dos vampiros modernos? Por que culpá-las por não quererem trocar suas promessas de amor eterno, ainda que complicado, por um amor complicado que já sabe de saída que não vai ser eterno? O mundo em que vivemos&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;não é apenas de amor, mas de continuidade, de segurança, de relações duradouras nas quais possamos pautar nossos desejos, nossa existência e todos os nossos planos de futuro. Somos tão inseguros e carentes de poder e controle sobre nossas vidas que, neste imaginário, os vampiros deixam de ser uma ameaça para serem heróis, cheios de valentia e que, apesar do desejo por sangue refreiam seus instintos, seguram a própria e se tornam os mais devotos amantes e protetores. Não que não existam vampiros ruins, eles povoam as sagas, porém, há o diferente, aquele que não se encaixa, o que sabe amar.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-converted-space"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp;Parece óbvio aí que voltamos a outro velho mito (incrivelmente popular e longevo), o do amor de redenção (mas isso é papo para outro post).&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Por outro lado, creio que, mais que uma característica social, encontramos na popularidade dessas histórias de amor parte da grande encruzilhada em que o pós-feminismo lançou muitas mulheres. Afinal, que tipo de homem se quer? E percebemos que existe algo de antigo, algo próprio dos homens de antigamente que as mulheres ainda desejam.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Não é a toa que os vampiros são homens de aparência jovem, mas velhos em idade e alma. O que seria isso? Afinal, as mulheres lutaram tanto por sua independência, pela capacidade de abrirem seu caminho por si próprias. Lutaram mais ainda para que os homens reconhecessem essa capacidade e a respeitassem (o que ainda precisam alcançar com um grande número deles). Contudo, ao que parece, nossas “virgens” (que podemos traduzir por aquelas que acreditam que nunca amaram ou foram amadas verdadeiramente) mantém, lá no fundo, o desejo por serem protegidas, cuidadas, não da forma sufocante do passado (as “virgens” modernas são "rebeldes"), mas de uma forma amorosa, quase idolatrada. Os vampiros do século XXI vivem para suas amadas e esse é o maior desejo delas. E, para não fugir do tema: sim, há sexo, muito e do bom. E sangue... bom, um pouquinho de perigo sempre dá tempero.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Porém, é preciso lembrar que vampiros não tem pulsação, não respiram, não podem sair durante&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt; &lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;os dias de sol... ahh e, claro, não existem&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt;.&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="apple-style-span"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif; font-size: 10pt;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8545860272220481234?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8545860272220481234/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo-quarta-parte.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8545860272220481234'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8545860272220481234'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo-quarta-parte.html' title='Vampiros: Sangue e sexo - quarta parte'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-MCLl1kXiUC0/ThMkq8VzJSI/AAAAAAAAAUo/AOAEUI-jhEc/s72-c/maca1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-1979628130105689161</id><published>2011-07-04T09:40:00.001-03:00</published><updated>2011-07-05T11:53:34.886-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Vampiros: sangue e sexo - terceira parte</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-JZVQ6oOP_KE/ThG0XI7TqNI/AAAAAAAAAUk/lW-Kxx5amjU/s1600/Nosferatu2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="219" src="http://3.bp.blogspot.com/-JZVQ6oOP_KE/ThG0XI7TqNI/AAAAAAAAAUk/lW-Kxx5amjU/s320/Nosferatu2.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Vampiros no século XX.&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;(Os comentários sobre filmes não pretendem ser exaustivos e algumas coisas como HQ e literatura vão ser apenas referidas. A intenção é tão somente dar um panorama para que se perceba a idéia geral da evolução do tema.)&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;O século XX somou novos elementos ao mito do vampiro. O principal deles foi a imagem e o cinema o seu difusor. A idéia de veicular terror e sexualidade então ficou ainda mais forte. Mesmo no primeiro filme exibido, Nosferatu (com o vampiro mais feio do cinema), o tema da sexualidade estava lá. A cena da mocinha na cama enquanto o vampiro sobe as escadas apela para os dois elementos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Depois, Bella Lugosi encarnou o aristocrático Drácula e seu infalível poder de sedução. Você até pode achar o cara feioso, mas eu garanto que a sua avó achava que ele dava um caldo. Mais adiante, o mito ganhou o rosto e a voz de Christopher Lee. Isso mesmo, o Saruman. Logo, quem poderia resistir ao seu chamado.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Dá para ver, no entanto, que durante um bom tempo, terror foi filme de menino. Ninguém pensava em investir muito em um vampiro realmente atraente. Um bom terno e uma capa num cara de olhar expressivo era o suficiente. No entanto, as mocinhas... estas sim vão ficando cada vez mais sexys (questão de público). São longas e esvoaçantes camisolas brancas, vestidos negros e vermelhos cada vez mais decotados e, claro, com o pescoço e boa parte dos seios bem à mostra.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Na literatura, os vampiros invadiram os quadrinhos onde o sangue, bem como a sexualidade escorriam das páginas. Surge a Vampirella, com trajes mínimos para a delícia dos adolescentes. Ela, porém, não foi a primeira, Carnilla, sua antepassada literária era igualmente fogosa. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Em 1967, Roman Polansky deu aos vampiros outra faceta: o humor. O clássico &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A Dança dos Vampiros&lt;/i&gt; mais fazia rir do que assustava. Ainda mais debochado, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Amor à Primeira Mordida&lt;/i&gt; (de 1979), tem Drácula indo para Los Angeles e ficando com a mocinha no final.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Em minha opinião, porém, há um marco, em 1975, em relação à figura do conde. É deste ano o filme Drácula, com Frank Langella. Creio ser este, até hoje, o mais sensual dos filmes com o conde. Langella estava no auge. Era puro charme. Quem se importa se houve uma briga pelos direitos do livro que fez com que os realizadores alterassem o roteiro? Quem se importa se no filme Mina é Lucy e Lucy é Mina? Se ambas são filhas do Dr. Seward? Se Van Helsing morre com o Drácula? Quem se importa com isso depois de ver a quentíssima cena de sexo filmada quando o vampiro invade o quarto de Lucy e ela se entrega a ele?&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Creio que foi neste momento que as garotas realmente começaram a deixar de se agarrar, com medo, aos namorados no cinema e passaram a puxar a gola role e pensar: “me morde!” A ideia de um vampiro bonito charmoso por quem as garotas querem se deixar morder foi ganhando força. Nos anos 80, isso aparece desde versões meio ridículas, como &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;A Hora do Espanto&lt;/i&gt;, até o, agora teencult, &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Os Garotos Perdidos&lt;/i&gt;. A exceção, talvez, tenha sido o estranho e cultuado &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Fome de Viver&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;, mas, na época, David Bowie era tudo de bom.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Os quadrinhos continuaram a privilegiar a mistura de sangue e sensualidade, nunca se esquecendo do primeiro, enquanto o cinema foi lentamente amenizando a atmosfera.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Acho que os anos 90 marcam uma escalada de uma verdadeira vampiromania. Não que isso tenha sumido em alguma época, sempre houve redutos, contudo, de forma generalizada a coisa toda ganha mais corpo a partir daí. Pode-se lembrar, no cinema, de pelo menos, dois “arrasa-quarteirões” que, antes de tudo, investiram em vampiros de tirar o fôlego. Falo, claro, do &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Drácula de Bram Stocker&lt;/i&gt;, do Coppola, e de &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Entrevista com o Vampiro&lt;/i&gt;. O primeiro resgata o texto literário original e é uma pena que não tenha levado muitas pessoas à sua leitura. O romance original é genial, todo escrito em cartas e diários. O interessante do filme é investir pesado numa sensualidade que o livro apenas indica, e que os pudores da época em que foi escrito haviam barrado. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Já &lt;i&gt;Entrevista com o Vampiro&lt;/i&gt; traz à baila uma novíssima literatura (para a época) que, inclusive, recriava um pouco o mito. Saem os morcegos e entra uma sede por sangue que é vivida displicentemente. Os vampiros são os protagonistas, suas vidas (ou melhor, suas mortes) são o que interessa. O leitor (e o espectador) passam a torcer pelos vampiros que vivem num mundo em que o bem e o mal não está ligado ao número de vidas humanas que são arrebatadas pelos seus dentões. Contudo, o filme deixou toda a sensualidade na figura dos dois belos vampiros e o resto foi suprimido, pois a imagem de um homem adulto com uma garotinha não entusiasmou muito e tudo ficou apenas em um beijo. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Apesar de não ser fã de Anne Rice como escritora, admito que ela faz uma interessante reflexão sobre a imortalidade nos livros. Veja, uma das formas que leva os vampiros à morte, na concepção da autora, é o fato de este não conseguir mais compreender a temporalidade em que está. Nesse caso, necessita de um vampiro mais jovem, mais permeável aos novos tempos para que este consiga ajudá-lo a transitar em numa época em que ele não compreende mais. Um vampiro envelhecido perde força, não consegue mesclar-se ao ambiente que lhe permite caçar com eficácia e proveito. Ora, isso pode trazer uma analogia interessante ao envelhecimento. Esse envelhecimento que vai congelando a capacidade de compreender o mundo que nos cerca e, ao mesmo tempo, nos exige uma permeabilidade e uma feroz resiliência ao novo sob a pena de estarmos mortos, mesmo ainda estando vivos. Vivemos em um mundo em que pululam exemplos disso.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Na TV, uma nova febre por séries deu longa vida à &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Buffy, a caça-vampiros&lt;/i&gt; e &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Angel&lt;/i&gt;, além de outras não tão bem sucedidas. Aqui, como no filme de Coppola, a sensualidade vai lentamente perdendo espaço para o romance. Agora, o que antes era um jogo de sedução fatal foi se tornando um amor impossível. A história das mocinhas com os vampiros virou Romeu e Julieta.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;A verdade é que, de alguma forma, em especial ao longo dos anos 80 e 90, os vampiros foram açucarando. Talvez, apenas Jonh Carpenter tenha conseguido resgatar com paixão a imensa sede por sangue desses personagens. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;O século XXI&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-1979628130105689161?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/1979628130105689161/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo-terceira-parte.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1979628130105689161'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1979628130105689161'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo-terceira-parte.html' title='Vampiros: sangue e sexo - terceira parte'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-JZVQ6oOP_KE/ThG0XI7TqNI/AAAAAAAAAUk/lW-Kxx5amjU/s72-c/Nosferatu2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5024109746339296431</id><published>2011-07-03T10:27:00.002-03:00</published><updated>2011-07-04T09:40:54.432-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Vampiros: sangue e sexo - segunda parte</title><content type='html'>&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-HMwlIJRiwgM/ThBtY6r5r8I/AAAAAAAAAUg/YE9albkEPDs/s1600/leilaoantivampirochristie30.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="203" src="http://3.bp.blogspot.com/-HMwlIJRiwgM/ThBtY6r5r8I/AAAAAAAAAUg/YE9albkEPDs/s320/leilaoantivampirochristie30.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Os vampiros sensuais do século XIX e a nova mulher.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;É já no início do século XIX que o vampiro ganha conotações sensuais. Em 1816, no mesmo ano que Frankenstein veio ao mundo (na verdade, foi inclusive na mesma ocasião), nasceu o romance &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;O Vampiro&lt;/i&gt;. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Conta a história, que num verão chuvoso às margens do lago Leman na Suíça, um grupo singular formado pelos poetas Lord Byron e Percy Shelley, acompanhados respectivamente, o primeiro pelo médico pessoal, Jonh Polidori, e o outro por sua jovem namorada, Mary, depois, Mary Shelley. O grupo fez uma aposta sobre quem criaria a mais horripilante história de horror. Sabemos que o vencedor foi a jovem Mary com seu &lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;Frankenstein&lt;/i&gt;, e sabemos que os dois escritores consagrados nada deixaram para a posteridade nesse sentido. Contudo, o romance de Polidori também veio ao mundo e, afirmam muitos críticos, foi ele quem primeiro deu a feição do vampiro suas características de aristocrata, seu refinamento, sua mais absoluta, cruel, sedutora e perigosa humanidade. Sua inspiração, ninguém menos que o soturno e irresistível Lord Byron. Diga-se de passagem, o belo Byron inspirou toda uma geração de românticos que deram origem ao real gótico do século XIX. Para quem não conhece, abaixo um de seus poemas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;i style="mso-bidi-font-style: normal;"&gt;&lt;u&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Versos Inscritos numa Taça Feita de um Crânio&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/u&gt;&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Tradução de &lt;span style="color: windowtext;"&gt;Castro Alves&lt;/span&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;Não, não te assustes: não fugiu o meu espírito&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Vê em mim um crânio, o único que existe&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Do qual, muito ao contrário de uma fronte viva,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Tudo aquilo que flui jamais é triste.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Vivi, amei, bebi, tal como tu; morri;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Que renuncie e terra aos ossos meus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Enche! Não podes injuriar-me; tem o verme&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Lábios mais repugnantes do que os teus olhos.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;Onde outrora brilhou, talvez, minha razão,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Para ajudar os outros brilhe agora e;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Substituto haverá mais nobre que o vinho&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Se o nosso cérebro já se perdeu?&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;Bebe enquanto puderes; quando tu e os teus&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Já tiverdes partido, uma outra gente&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Possa te redimir da terra que abraçar-te,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;E festeje com o morto e a própria rima tente.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;E por que não? Se as fontes geram tal tristeza&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Através da existência -curto dia-,&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Redimidas dos vermes e da argila&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Ao menos possam ter alguma serventia.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Ora, quando os vampiros se tornam figuras sensuais, suas vítimas preferências, as jovens virgens, deixam de ser apenas presas tenras e, muitas vezes, até a sua inocência se perde. Logo, a sedução vampiresca passa a ser um chamariz para estas jovens. E, por que não dizer, jovens que se tornavam, em função da sociedade repressora da época, elas próprias sedentas de sexo e de seu próprio sangue virginal derramado.&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;À medida que nos encaminhamos para o fim do século estas jovens vão perdendo gradualmente sua inocência e nasce o que os historiadores chamaram de “a nova mulher”, um fenômeno do final do século XIX. Mas quem era ela? Não podemos confundi-la com as feministas da década de 1960, porém, estas mulheres fizeram sua própria revolução à sua maneira. Elas queriam votar – as sufragistas -, começaram a trabalhar fora, andar de bicicleta e, principalmente, queriam casar por amor e não por conveniência paterna. Essa nova mulher era, de certa forma, aterrorizante para os homens da época, que não sabiam como controlar os novos desejos de suas mulheres.&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Assim, quando alguém lê Drácula, um dos romances símbolos desse período e o grande fundador da vampiro-mania do século XX, pode ver nas entrelinhas várias dessas preocupações que o autor exterioriza de forma metafórica no romance.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Vamos falar de algumas destas metáforas.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;A &lt;i&gt;nova mulher&lt;/i&gt; é representada pelas duas jovens que existem no romance. Mina e Lucy. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;1. Mina encarna a mulher que quer sair do lar, potencialmente a mais perigosa. Ela aprendeu estenografia, trabalha como secretária, datilografa os escritos de seu futuro marido, Jonathan Harker. É uma mulher que, apesar das aparências, está saindo do controle masculino. De fato, todo o romance é uma tentativa de submeter Mina novamente mostrando que o mundo fora do casamento controlado é assustador e maldito. Mina quase é devorada por esta maldição, porém, sua boa índole e contenção, sua resistência à sedução do vampiro e, especialmente, os homens que se empenham por ela, trazem-na de volta ao caminho da salvação. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;2. Lucy, ao contrário, é uma jovem mais sensual que vê no casamento uma forma de dar vazão à seus desejos. Isto é, para os homens do século XIX, uma forma completamente errada de se encarar o casamento. Ao se deixar seduzir e devorar pelo vampiro, a jovem Lucy se torna uma vampira e o pior tipo de mulher que pode existir, aquela que é capaz de atacar o que há de mais sagrado na humanidade, suas crianças. Lucy se torna uma devoradora de bebês e isso é a mostra de sua completa degradação moral, é o sinal de sua entrega ao vampiro. Os historiadores da literatura apontam a morte de Lucy como uma metáfora (certamente não intencional) do que o casamento vitoriano reservava à mulher e, ao que se acreditava (e talvez, Stocker acreditasse), ela deveria se submeter. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;a) Lucy tem a cabeça cortada – a mulher casada não pensa a não ser pela cabeça do marido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;b) Seu coração foi trespassado por uma estaca – a mulher casada não sente, ela apenas serve ao marido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;c) Sua boca foi cheia com alho – a mulher casada não fala a não ser pela boca de seu marido.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Esta é a resposta masculina a sensualidade feminina em fins do século XIX. É claro que sua luta por emancipação exigiria uma ação maior, daí a metáfora da caça ao vampiro e da gratidão da “doce” Mina que ao fim de tudo se acomoda aos papéis de esposa e mãe.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;3. O próprio vampiro traz em si várias metáforas. Ele é a sensualidade e, neste caso, sua associação com o sangue é óbvia. O fato de ele entrar no quarto das jovens virgem – local sacrossanto e vedado a todos os homens – faz dele o repositório deste desejo de violação que era também o lado negro desta sociedade repressora. Por outro lado, o vampiro também pode ser associado, neste período, como uma metáfora da sífilis – doença do sangue de cunho sexual – e o fato de que esta entrava nas casas de família pelas mãos dos “homens de bem” (não esqueça que foi Jonathan, namorado de Mina, que vendeu Carfax, propriedade inglesa, para o conde. E que ele próprio tem seu período de infidelidade com as “noivas vampiras” de Drácula).&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;4. Por fim, temos a análise dos heróis. Quem eram eles? Dois médicos, um aristocrata, um advogado e um “norte-americano”, em resumo, o que se acreditava ser a nata da sociedade masculina da época. Os verdadeiros senhores do mundo.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;[Sobre esta parte do texto, já publiquei um outro artigo no &lt;a href="http://sul21.com.br/jornal/2011/01/misoginia-muito-alem-dos-vampiros/"&gt;Jornal Sul21&lt;/a&gt;)&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;Continua...&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5024109746339296431?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5024109746339296431/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo-segunda-parte.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5024109746339296431'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5024109746339296431'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo-segunda-parte.html' title='Vampiros: sangue e sexo - segunda parte'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-HMwlIJRiwgM/ThBtY6r5r8I/AAAAAAAAAUg/YE9albkEPDs/s72-c/leilaoantivampirochristie30.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-7144236393823303324</id><published>2011-07-02T10:09:00.002-03:00</published><updated>2011-07-03T10:28:54.730-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Ensaios'/><title type='text'>Vampiros: Sangue e sexo</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-4h-aXsHiBFE/Tg8YiJbGtOI/AAAAAAAAAUc/ICWnXQOU-8Y/s1600/lilith2.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-4h-aXsHiBFE/Tg8YiJbGtOI/AAAAAAAAAUc/ICWnXQOU-8Y/s320/lilith2.jpg" width="209" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Realmente não sou uma entusiasta dos vampiros. Não nego, porém, que já tivemos nossos momentos. Revirando meu material arquivado, achei este texto escrito há alguns anos, em que fiz uma retomada histórico literária do mito. Como estou há mais de semana sem postar no blog (e sem ver o fim do trabalho do final do semestre), achei que o texto poderia render. De fato, renderá 4 postagens aos que tiverem interesse e paciência para acompanhar. Não é nada exaustivo e possui poucas pretensões. De fato, é quase aquele tipo de conversa que a gente puxa para quebrar o silêncio.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E, aí? Sobre vampiros...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem....&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="center" class="MsoNoSpacing" style="text-align: center;"&gt;&lt;b style="mso-bidi-font-weight: normal;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;u&gt;Vampiros: sangue e sexo&lt;/u&gt;&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div align="right" class="MsoNoSpacing" style="text-align: right;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Quando se pensa em vampiros, geralmente, alguns temas aparecem associados de forma quase inseparável. A correlação entre vampirismo, sangue, sexo e morte parece existir desde sempre, porém, tal associação também tem raízes históricas e, claro, literárias.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;A presença de vampiros é atestada no imaginário humano desde a Mesopotâmia e do Egito antigo. No entanto, é importante lembrar que as figuras sugadoras de sangue que aí apareciam diferem em muito dos sensuais vampiros nascidos no século XIX. Os primeiros seres vampiros tinham asas e eram, em sua maioria, divindades femininas, acusadas, na maioria das vezes, de sugar o sangue de animais (uma possível explicação para os ataques dos morcegos-vampiros) ou de bebês (uma possível explicação para a altíssima mortalidade infantil). Estes seres faziam parte do arcabouço de demônios de diversas culturas, sendo temidos, odiados, mas também reverenciados, pois, muitas vezes, a oferenda certa poderia impedir o ataque.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Uma vampira famosa deste período foi Lilith que, de acordo com a tradição caldéia e hebraica, foi a primeira mulher de Adão. Narra o mito que Lilith foi criada do barro, tal como Adão e que, por isso, ela jamais aceitou submeter-se a ele. Na tradição, isso se reflete no fato de Lilith não aceitar ficar por baixo do homem na posição sexual. Sua desobediência foi punida e Lilith foi expulsa do paraíso, sendo substituída por Eva. A qual, como se sabe, se submetia, mas, por outro lado, sabe usar o charme para convencer o homem a fazer o que ela quer... (mas isso é outra história). Lilith, ainda segundo o mito, foi juntar-se a Lúcifer, o anjo caído, mas novamente não houve acerto. Afinal, porque o diabo, criado por um Deus machista também não o seria? Lúcifer quis submeter Lilith e ela o abandonou. Conta-se que ela vagou solitária por muitos anos até que encontrou Soriel, o anjo da compaixão, este belo anjo amou-a e abandonou o céu para viver com ela. Em função disso, tanto o casal quanto seus filhos foram demonizados pelas culturas do Oriente Médio. A figura de Lilith ganhou asas de morcego e dentes vampíricos e se tornou o símbolo do feminino insubmisso e, por isso, demoníaco.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Durante os milênios que se seguiram poucos vampiros tiveram a notoriedade de Lilith. Quase todos que se apresentaram nas culturas humanas eram demônios menores, apenas com forma vagamente humana. Com o tempo, porém, os vampiros foram sendo cada vez mais aproximados de figuras humanas reais. As bruxas do início da Idade Moderna, por exemplo, foram muitas vezes acusadas de entrarem nas casas vizinhas para sugarem o sangue das crianças. Deste período, resta a tradição, ainda vigente na ilha onde fica a cidade de Florianópolis. Dizem os pescadores que quem tem criança pequena em casa deve sempre dormir com a chave na fechadura da porta, isso impede a entrada da bruxa que vem sugar o sangue do pequeno.&lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Assim, apesar da figura sensual de Lilith, os vampiros estiveram, por muito tempo, reduzidos a sua função principal de sugadores de sangue, especialmente de animais e de crianças pequenas. É já em plena idade moderna, por volta do século XVI, que os vampiros começam a mudar de face, especialmente, pela nova identidade de suas vítimas e pela aparição de algumas figuras históricas que encarnaram de forma tenebrosa as feições mais demoníacas da essência humana. &lt;o:p&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Em termos de identidade das vítimas, as crianças pequenas deixaram de ser o alvo principal. Jovens, especialmente meninas, no início da adolescência, se tornam as principais vítimas das histórias de vampiros. Há quem acredite que essa mudança aparece juntamente com a identificação de uma “nova doença”, a chamada clorose. Esta era, na verdade, uma anemia profunda que acometia às meninas no período da menarca, a primeira menstruação. Sem a alimentação e reposição adequada de minerais, muitas meninas vinham verdadeiramente a falecer. Sendo assim, o sangue se une à idade e ao sexo da nova vítima preferencial dos vampiros. Essa mudança irá também influenciar a identidade dos vampiros, os quais, logo, logo passam a ser caracterizados mais vezes como entidades masculinas do que como femininas. O próprio crescimento que a figura do demônio tem no imaginário cristão desta época contribui para isso.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Quando as personalidades humanas que encarnaram elementos que os estigmatizaram como vampiros, a mais conhecida é, de fato, um homem: Vlad Dracul ou Vlad Tepes, o empalador. O príncipe da Valáquia no século XVI, região que hoje faz parte da atual Romênia, foi tão cruel e maligno que os povos das regiões dominadas por ele (e que já possuíam o mito do vampiro) passaram a identificá-lo como tal. Dizem que Vlad gostava de alimentar esses medos e que, além de empalar suas vítimas, faziam encher taças do seu sangue e bebia em frente ao povo para aterrorizá-lo.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Contudo, infelizmente, ele não foi o único. Séculos antes dele, em fins da Idade Média, outro assassino famoso, que poderia muito bem ser associado ao mito do vampiro, não foi um governante cruel, mas um verdadeiro serial killer com instinto de predador sexual. Gilles de Rais, que foi companheiro de armas de Joana D’Arc, fez desaparecer adolescentes, meninos e meninas, em suas terras, torturou-os sexualmente em missas negras até por fim matá-los. Foi preso e julgado, sendo queimado por seus crimes. Ele não bebia sangue, mas ajudou a associar a crueldade sanguinária com o apetite pelos jovens.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;A terceira figura foi, esta sim, uma mulher. A Condessa Elizabeth Bathory, ou a condessa sanguinária, ficou famosa por sua crueldade com seus criados e criados, chegando a assassinar vários deles. Teve fama de vampira por ser acusada de morder e dilacerar a carne de suas criadas. Outros também dizem que ela costumava matar jovens virgens da redondeza de seu castelo para banhar-se em seu sangue e assim manter sua notória beleza.&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;o:p&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/o:p&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;Continua...&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNoSpacing" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: Cambria, serif;"&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-7144236393823303324?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/7144236393823303324/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7144236393823303324'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7144236393823303324'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/07/vampiros-sangue-e-sexo.html' title='Vampiros: Sangue e sexo'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-4h-aXsHiBFE/Tg8YiJbGtOI/AAAAAAAAAUc/ICWnXQOU-8Y/s72-c/lilith2.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-5295532056865171615</id><published>2011-06-28T10:15:00.001-03:00</published><updated>2011-07-02T10:10:36.107-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Amigos de papel - Gisela</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;Quando eu tinha 9 anos a Gisela tinha 13. Ela era loira, lisa, tinha olhos verdes e era alta para a idade. Eu era crespa, usava óculos e me achava feia-esquisita com um nome esquisito. Eu morava em Santa Maria e a Gisela em Porto Alegre. Ela tinha um pastor alemão chamado Prisco, que adorava sorvete de morango. Lá em casa tinha a Corruga, uma pastor alemã que era só dela mesma porque já chegou adulta para morar no nosso pátio. Eu tinha um pouco de medo da Corruga porque ela era quase maior que eu, mas tínhamos o mesmo mau humor e ambas odiávamos o Totó, um cachorrinho chato que achava que todo mundo era poste. O Prisco ia com a Gisela para todo lado, a Corruga não saía da casa porque a gente tinha medo que ela fugisse e não voltasse mais (o que ela fez no primeiro portão descuidado que viu).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;A Gisela gostava de ler. Foi ela quem me apresentou Agatha Christie, embora eu ainda tenha demorado alguns anos para chegar lá. Gisela andava de bicicleta por toda a Porto Alegre, inclusive de noite. Eu só andava de bicicleta no pátio de casa. Santa Maria é muito cheia de subidas e descidas e eu só tirara as rodinhas à custa de muitos tombos. Tinha medo de perder a direção e arrebentar a cara e perder todos os dentes da boca.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;A Gisela tinha apenas uma amiga de sua idade e, fora ela, seu melhor amigo era um inspetor de polícia. Eu tinha muitos amigos crianças. Brincávamos em casas em construção, as de dois andares eram castelos, as térreas, labirintos. A Gisela resolvia mistérios. De vizinhos esquisitos até assassinatos. Uma vez acharam um corpo num terreno baldio no meu bairro. Ficamos todos retidos em casa por quase uma semana. Nem saberia dizer como era um inspetor de polícia.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Gisela foi minha heroína por muito tempo. Eu queria ter 13 anos e fazer tudo o que ela fazia. Aos 13, porém, eu tinha mais interesse em meninos do que em resolver coisas estranhas. Ao menos, já lia em Agatha Christie, que tinha dupla função de matar minha sede por mistérios, a uma distância segura, e dava assunto para conversar com os meninos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Com o tempo, no entanto, fui me afastando da Gisela, mas não sem antes ter toda a coleção na minha estante e saber quase de cor algumas histórias. Eu passei dos 13, ela não. Eu descobri outros livros, e ela foi ficando mais tempo na minha estante. Há alguns anos, quando saí de casa, deixei a Gisela e meus livros de criança, só os de trabalho já eram bastante peso para minha vida cigana. A Gisela veio morar em minha casa há pouco tempo, e até pensei em voltar a ela, mas ainda batalho entre o amor da memória e meus olhos já menos encantados. Por enquanto, apenas aprecio minha amiga de volta a minha estante. Ao menos, até a hora de apresentá-la para o Miguel.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/-2e04DtZgiTw/TgnR24K9s8I/AAAAAAAAAUE/-DWRhlOO7QQ/s1600/IMG_3368.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://1.bp.blogspot.com/-2e04DtZgiTw/TgnR24K9s8I/AAAAAAAAAUE/-DWRhlOO7QQ/s320/IMG_3368.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;b&gt;&lt;i&gt;Gisela&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; era escrita por Gladis N. Stupf González (1940-1994) e hoje consegui um simpático contato com o filho dela que me deu a boa notícia que, talvez, Gisela possa voltar a ser editada, assim como as outras séries da autora: &lt;b&gt;&lt;i&gt;A Turma do Falcão Dourado&lt;/i&gt;&lt;/b&gt; e&lt;i&gt;&lt;b&gt; Chico e Faísca&lt;/b&gt;&lt;/i&gt;. Penso que, num momento em que a literatura infanto-juvenil, por tanto tempo negligenciada, volta a crescer e aparecer é hora de lembrar e fazer homenagens a gente que escreveu em uma época que os leitores estavam distantes, pouco acessíveis e, muitas vezes, pouco dispostos.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;&lt;br /&gt;&lt;/b&gt;&lt;br /&gt;&lt;b&gt;Amigos de papel&lt;/b&gt; será uma pequena série de posts que terão como tema autores e livros da minha infância. Não é dica nem nada, apenas um registro de memória para os que povoaram minhas tardes e noites antes de dormir.&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-5295532056865171615?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/5295532056865171615/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/amigos-de-papel-gisela.html#comment-form' title='1 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5295532056865171615'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/5295532056865171615'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/amigos-de-papel-gisela.html' title='Amigos de papel - Gisela'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/-2e04DtZgiTw/TgnR24K9s8I/AAAAAAAAAUE/-DWRhlOO7QQ/s72-c/IMG_3368.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>1</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-7078804098700190976</id><published>2011-06-13T09:26:00.002-03:00</published><updated>2011-06-28T10:17:18.832-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Segunda-feira: ame ou deixe-a</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-iDTGe8M5Mtw/TfX_D4NobXI/AAAAAAAAAUA/CgFt2H93XeU/s1600/garfield-e-o-fim-do-fim-de-semana.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://2.bp.blogspot.com/-iDTGe8M5Mtw/TfX_D4NobXI/AAAAAAAAAUA/CgFt2H93XeU/s320/garfield-e-o-fim-do-fim-de-semana.jpg" width="227" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;É meio unânime o fato de se odiar segundas-feiras. Todo o mau humor é desculpável nesse dia. Toda a reclamação é aceitável. Todas as coisas por fazer parecem piores neste dia que em qualquer outro. Se alguém aparece cantando e feliz logo é taxado de louco.&amp;nbsp;Pois eis minha loucura: eu gosto de segundas-feiras.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Começou assim:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sempre gostei de estudar, mas segunda-feira tinha aula de história e de português e de literatura, logo, um dos melhores dias da semana. Terça e sábado tinha filosofia no primeiro período, quer perfeição mais perfeita?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quando entrei para a faculdade, depois de muito, mas muito estudo mesmo, eu o fiz para o curso de direito. Levei dois semestres e um mês para perceber nossa incompatibilidade epidérmica e chorava escondida por medo de fazer o óbvio. Isto é, ou eu abandonava o barco ou afundaria e passaria a vida afogada junto dele. Num desses dias, meu descontrole chegou aos olhos do meu pai e aí recebi minha primeira grande lição sobre segundas-feiras.&amp;nbsp;"Duas coisas a gente não pode errar - disse ele - o que se faz ou com quem se está. Se você erra num deles, ou sua semana vai ser uma merda ou seu final de semana vai ser uma merda."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Lá fui eu seguir o sábio conselho paterno, embora, nem todos considerem assim. Há quem ache que minha continua busca por fazer apenas o que eu gosto seja uma porta para a depressão. Outros - quando reclamo - respondem com as pérolas: "a vida é assim mesmo"; "a gente sobrevive"; "às vezes, tem de se fazer o que não se gosta"; "tem que pagar as contas". É, tudo isso. Mas quem disse que tenho de me conformar? Quem disse que tenho de aceitar uma vida chata porque a vida "é assim"? Se eu aceitar isso, aceito o pior: a ideia de que a vida é coisa pronta, não em construção. Que eu sou coisa pronta e não em construção. Melhor morrer, digo eu.&amp;nbsp;Não! (E farei uma Marcha sobre isso e sobre o direito à poder amar às segundas-feiras). Se não posso amá-las hoje, trabalharei o tempo que for para amá-las um outro dia. Enquanto trabalho, penso nesse dia futuro e amo ter segundas-feiras para começar a construí-lo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Há algumas semanas, meu primo Vinícius disse-me algo genial:&amp;nbsp;"As pessoas reclamam que segunda-feira começa tudo de novo. Não é bom poder começar tudo de novo?"&amp;nbsp;Verdade. São os recomeços que dão sentido às coisas e não a continuidade, ou não só ela. Na semana em que ele me disse isso, eu estava preparando uma palestra sobre mitos e me foi impossível não associar. E, claro, lamentei um pouco o fato de, como humanidade, termos perdido a noção da real circularidade do tempo, dos ciclos de nascimento, morte e renascimento que nos comandam. A semana é apenas um deles.&amp;nbsp;A gente morre no domingo à tarde, após as inversões do meio dia e dos seus excessos (coisas próprias de condenados), E renasce na segunda-feira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro, os bebês nascem chorando, então, quer reclamar, reclame. Mas depois do choro inicial, criança choraminguenta é muito, mas muito chata.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-7078804098700190976?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/7078804098700190976/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/segunda-feira-ame-ou-deixe.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7078804098700190976'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7078804098700190976'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/segunda-feira-ame-ou-deixe.html' title='Segunda-feira: ame ou deixe-a'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://2.bp.blogspot.com/-iDTGe8M5Mtw/TfX_D4NobXI/AAAAAAAAAUA/CgFt2H93XeU/s72-c/garfield-e-o-fim-do-fim-de-semana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-4270316181223713749</id><published>2011-06-04T18:24:00.001-03:00</published><updated>2011-06-13T09:29:31.193-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Receitinhas'/><title type='text'>Dia de Bolo - Nozes.</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-4ie2r3ez9gg/TeqhjYuvs5I/AAAAAAAAATs/PVRAleEGjtk/s1600/DSCI0015.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://3.bp.blogspot.com/-4ie2r3ez9gg/TeqhjYuvs5I/AAAAAAAAATs/PVRAleEGjtk/s320/DSCI0015.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Meu pai sempre sonhou em voltar para o campo. Saiu de lá muito jovem, junto ao êxodo rural que nos anos 60 despossuiu vários pequenos produtores e os enviou para a cidade. De qualquer forma, o cantinho que meu avô tinha nem de longe daria para alimentar 11 crianças. Foi por esta época que meu pai pegou o gosto por fruta verde. Isso porque ele e os irmãos nunca deixavam as pobres amadurecerem. Imagino que deveriam se assemelhar a uma praga de gafanhotos. Certa vez, os velhos resolveram trapacear a gurizada. Passaram água com farinha nos caules das árvores e avisaram que era veneno. Foi justo meu pai quem descobriu e avisou os irmãos. Lá se foi mais um ano em que as frutas nem chegaram a cair no chão.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Cresci ouvindo essas histórias e ele dizendo que queria, de novo, ter uma terrinha. Só que sonhávamos diferente. Ele queria voltar à terra que fora do pai dele e eu queria que ele tivesse alguma coisa que não ficasse à quase 4h da casa onde morávamos e que também, fosse um lugar que eu verdadeiramente gostasse. Isso rendeu alguns debates e até umas decepções de lado à lado, mas chegou o dia em que ele também queria algo mais perto. E, justamente nessa época (as coincidências não são ótimas?), minha comadre queria se livrar de uma pequena chácara que herdara. Eu havia acabado de publicar meu livro &lt;i&gt;Dizem que foi Feitiço&lt;/i&gt; e muita gente achou que eu tinha enfeitiçado o meu pai para ele pirar pela tal chácara. Explico: eu tinha ficado órfão quando minha amiga decidira vender um lugar que eu adorava. Imagine aquilo nas mãos de um estranho?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Confesso que o arrastei até lá - "só para mostrar o lugar" - com segundas, terceiras e até quartas intenções, mas feitiço é exagero da oposição. Quando ele pediu para andar pelo lugar sozinho, eu pensei: "agora vai!". Quando ele voltou e se ofereceu para assar um churrasco: "BINGO!". Irremediavelmente apaixonado. Então, ele acabou comprando o lugar que, de brinde, veio com 70 pés de nogueiras pecãs.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tudo isso para introduzir o bolo de hoje e que, pelo sabor, merece pompa e circunstância.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Claro, no meu caso, a receita começa com algum trabalho: coletar as nozes, quebrá-las (o que é divertido), assá-las levemente (até dourar no forno convencional ou em 3 blocos de 3 minutos no micro-ondas). Quem comprar pode pular essas fases (mas uma assadinha deixa com mais gosto). Depois de frias passá-las no liquidificador. Não espere uma farinha. As nozes são gordurosas e se transformam praticamente numa manteiga. E, bem, isso muda tudo na hora de usá-las numa receita. Não dá para simplesmente manter sua receita clássica e adicionar nozes. Já tentou fazer docinhos de leite condensado com nozes e eles se recusaram a dar ponto? É isso. Quando você usa nozes, o ideal é eliminar as outras gorduras e deixar isso com elas e, caso não tenha visto nenhum Globo Repórter na vida, saiba que é das melhores gorduras que há.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Bem, o bolo, então, fica assim: 3 claras em neve, depois as 3 gemas batidas com 1 xícara e meia de açúcar em ponto de gemada. Adicione um xícara com a tal pasta de nozes já feita e bata para misturar. Vão mais 3 xícaras de farinha - eu tenho peneirado e encontro "cada coisa" que&amp;nbsp;reitera&amp;nbsp;a necessidade - peneirada! Não dá para bater, pois a mistura estará muito seca, então adicione, 2 xícaras de leite morno. Depois de tudo batido, com cara de massa de bolo, misture as claras com delicadeza e um colher bem cheia de fermente. Põe no forno pré-aquecido à 180°. Recordando que estando no RS, o pré-aquecimento é longo e assar vai demorar mais tempo por causa do frio, ok?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Sem dicas de cobertura. É a primeira vez que faço, queria sentir a massa em sua plenitude. Por outro lado, tem coisas que são tão boas - como fazer o que se gosta e viver com quem se ama - que nem precisam de cobertura.&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://2.bp.blogspot.com/-Qia0WPTgkh0/TeqiWUj2YZI/AAAAAAAAATw/vrWQ4-TOENY/s1600/IMG_3343.JPG" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="240" src="http://2.bp.blogspot.com/-Qia0WPTgkh0/TeqiWUj2YZI/AAAAAAAAATw/vrWQ4-TOENY/s320/IMG_3343.JPG" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-4270316181223713749?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/4270316181223713749/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/dia-de-bolo-nozes.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4270316181223713749'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/4270316181223713749'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/dia-de-bolo-nozes.html' title='Dia de Bolo - Nozes.'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-4ie2r3ez9gg/TeqhjYuvs5I/AAAAAAAAATs/PVRAleEGjtk/s72-c/DSCI0015.JPG' height='72' width='72'/><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-56247311251929685</id><published>2011-06-03T16:30:00.002-03:00</published><updated>2011-06-05T22:09:07.738-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Difícil comunicação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-aj-5EQZDvf0/Tek1Noq_e-I/AAAAAAAAATo/_UZjOtQBpfI/s1600/professora1.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://3.bp.blogspot.com/-aj-5EQZDvf0/Tek1Noq_e-I/AAAAAAAAATo/_UZjOtQBpfI/s1600/professora1.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp; &amp;nbsp;&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Isso aconteceu lá pelo fim dos anos 1960. Minha mãe estagiava em uma escola estadual e, naquele tempo, isso era coisa de status. Ser professora era um valor e se recebia respeito e não olhar de pena, nem de desprezo. Havia quem dissesse que casar com professora era dar o golpe do baú. Até porque, convenhamos, não se imaginava que algum dia viesse a faltar emprego para quem tinha o magistério.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;De qualquer forma, entre o respeito e a admiração, havia inclusive aquelas pessoas que pareciam temer um pouco aos professores. Afinal, uma professora falava sempre corretamente e escrevia mais corretamente ainda. Conhecia muitos termos diferentes e até difíceis de pronunciar. Professora, como se dizia, era biscoito fino.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;Claro que sempre havia uma ou outra que levava essa importância um pouco mais longe e, quando não deixava a assistência indignada, podia levar um tombo de ficar na história. &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;Minha mãe presenciei este, certo dia, quando ajudava nas matrículas e outra professora se encarregava de conversar com os pais dos alunos.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Nome da criança? – perguntou a colega, num tom antipático para com as roupas puídas da mãe.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Januário da Silva Cruz.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Idade? – a outra mascava chiclete.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Seis ano.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Nacionalidade?&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Como? &lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Nacionalidade? – repetiu a colega como se o termo fosse auto-explicativo e a outra apenas não a ouvisse bem.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Não lhi entendi – retorquiu a mãe, já meio apavorada.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Onde é que a criança nasceu? - perguntou, por fim a minha colega, já quase berrando de impaciência.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;– Ah – fez a outra compreendendo. – Nu hispital.&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-56247311251929685?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/56247311251929685/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/dificil-comunicacao.html#comment-form' title='0 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/56247311251929685'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/56247311251929685'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/dificil-comunicacao.html' title='Difícil comunicação'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-aj-5EQZDvf0/Tek1Noq_e-I/AAAAAAAAATo/_UZjOtQBpfI/s72-c/professora1.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>0</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-1490088271510914629</id><published>2011-06-01T13:43:00.005-03:00</published><updated>2011-06-09T13:13:19.887-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Steampunk? É, Steampunk!</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://1.bp.blogspot.com/--2jQbVGJqp8/TeZoQhl9xfI/AAAAAAAAATI/NMicmBSOkWU/s1600/steampunk-computer-.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://1.bp.blogspot.com/--2jQbVGJqp8/TeZoQhl9xfI/AAAAAAAAATI/NMicmBSOkWU/s320/steampunk-computer-.jpg" width="317" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Mas, afinal, o que é Steampunk?&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Steampunk (ou Punk à vapor) é um sub-gênero bem especial da ficção científica. Especial porque, ao invés de ter sua ação no futuro, ele tem a ação no passado. Essa característica faz com que o Steampunk não seja apenas um gênero literário, mas também o substrato de uma estética que brinca com o passado e os possíveis futuros que determinadas alterações poderiam ter produzido.&amp;nbsp;É um gênero, ao mesmo tempo, novo e antigo. É novo porque só recebeu o nome muito recentemente. Mas também é antigo porque pode ter suas origens mapeadas em autores como Julio Verne e Mary Shelley. Com todos estes elementos, não é à toa que o século vedete do gênero seja o XIX (embora, nada impeça de os autores irem ainda mais atrás no tempo, o que, aliás, &lt;a href="http://cidadephantastica.blogspot.com/2010/08/festival-punk.html"&gt;eles já tem feito&lt;/a&gt;).&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O Steampunk é um exercício de imaginação com a pergunta: e se a tecnologia do vapor tivesse avançado extraordinariamente? Como seria ter máquinas e capacidades tecnológicas incríveis sem o uso dos combustíveis líquidos ou da eletricidade?&amp;nbsp;Se, como falo aos meus alunos, em História os "SES" não existem, na ficção Steampunk, tudo se faz a partir destes inúmeros "SES".&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Contudo, a tecnologia se propõe a ser apenas uma parte com a qual este gênero lida. Isso porque o Steampunk traça sua&amp;nbsp;ascendência&amp;nbsp;até outro&amp;nbsp;sub-gênero&amp;nbsp;da ficção científica, o Cyberpunk. Este outro sub-gênero - cuja nomenclatura é inaugurada pelo romance Neuromancer, de &lt;a href="http://www.williamgibsonbooks.com/"&gt;Willian Gibson&lt;/a&gt; - se localiza no futuro e lida com as possibilidades cibernéticas e com a distopia. Entenda, porém, que não se trata de uma distopia apocalíptica, mas um tipo de distopia que interfere na vida das pessoas sem que, muitas vezes, eles percebam a raíz do tormento. É quando um ou outro personagem atinge esta percepção que, em geral, a trama se desenvolve. Aliás, é justamente em função deste ponto que o termo PUNK foi adicionado ao nome do sub-gênero. Todos recordam, claro, que o movimento punk de fins da década de 1970 e década de 1980, tinha um caráter contestador da sociedade como um todo e era marcado por uma postura de recusa e mas também anti-política de seus participantes. Logo, o Cyberpunk preocupa-se menos em pensar alternativas políticas (como outros tipos de ficção distópica) e se concentra fortemente no mal estar do ser humano, num mundo onde as regras tecnológicas parecem engolir as alternativas éticas. Mais que isso, o Cyberpunk tem como principal dinâmica mesclar a alta tecnologia com a imensa pobreza gerada pelo capitalismo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: sans-serif; font-size: 13px; line-height: 19px;"&gt;&lt;i&gt;"Os personagens do cyberpunk clássico são seres marginalizados, distanciados, solitários, que vivem à margem da sociedade, geralmente em futuros despóticos onde a vida diária é impactada pela rápida mudança tecnológica, uma atmosfera de informação computadorizada ambígua e a modificação invasiva do corpo humano."&lt;/i&gt;&lt;/span&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;Lawrence Person&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Quem tiver curiosidade sobre o tema (e não só pela literatura), eu indico fortemente os artigos da &lt;a href="http://www.adriamaral.com/"&gt;Adriana Amaral&lt;/a&gt;, doutora pesquisadora em cyber cultura da UNISINOS. Ela inclusive chega a traçar as matrizes do gênero nos contos de Phillip Dick, famoso por fornecer a base para os roteiros de Blade Runner e Menority Report (ambos filmes que dispensam apresentações).&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Aliás, para quem gosta de cinema, o gênero Steampunk também fez suas aparições, mas todas esquecíveis e bem menos honradas que as aparições do Cyberpunk. De fato, eu indico apenas um filme. Uma animação de Fantasia em que aparecem elementos Steampunk, o magnífico &lt;a href="http://site.studioghibli.com.br/filmografia/o-castelo-animado/"&gt;O Castelo Animado&lt;/a&gt;.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;No Brasil, o gênero está apenas iniciando, mas já tem agitado a imaginação de vários autores nacionais. Afinal, há tantas perguntas a responder neste retrofuturismo histórico. Como seria o Brasil? E suas guerras? Haveria escravidão? Qual a posição da mulher nesta velha nova sociedade? Não há limites na ficção.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Por que essa explicação toda?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Porque esta semana um conto meu - que ficou inédito aqui no blog por ter sido escrito muito próximo ao prazo de envio - foi selecionado para uma antologia de contos Steampunk e muitos amigos vieram perguntar: afinal, que gênero é esse? Então, aqui está.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;O livro vai ser lançado em agosto na Fantasticon em São Paulo (12, 13 e 14 na Biblioteca Viriato Corrêa) e vai ser publicado pela &lt;a href="http://www.editora.estronho.com.br/"&gt;Editora Estronho&lt;/a&gt; que, neste volume específico, dedicou a antologia apenas a autoras. O título da coletânea é &lt;a href="http://www.editora.estronho.com.br/index.php/steampink"&gt;Steampink&lt;/a&gt; - uma brincadeira que deu o que falar - e a capa estilosa é essa aí abaixo.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-2RJlWAhDkcQ/TeZmYC2oyXI/AAAAAAAAATE/3MuLgzzvrr4/s1600/steampink_frente.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-2RJlWAhDkcQ/TeZmYC2oyXI/AAAAAAAAATE/3MuLgzzvrr4/s320/steampink_frente.jpg" width="210" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Sobre o conto - &lt;i&gt;O&amp;nbsp;Pena e o Imperador&lt;/i&gt; - os que o lerem, não esqueçam de me dizer o que acharam.&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-1490088271510914629?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/1490088271510914629/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/steampunk-e-steampunk.html#comment-form' title='7 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1490088271510914629'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1490088271510914629'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/06/steampunk-e-steampunk.html' title='Steampunk? É, Steampunk!'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://1.bp.blogspot.com/--2jQbVGJqp8/TeZoQhl9xfI/AAAAAAAAATI/NMicmBSOkWU/s72-c/steampunk-computer-.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>7</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-1344317665567148158</id><published>2011-05-18T12:01:00.007-03:00</published><updated>2011-06-01T23:13:07.900-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Leituras'/><title type='text'>Tolstói historiador</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;De Tolstói sempre recordo duas coisas.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Que em seus romances, nenhum personagem aparece ao acaso, como simples figurante. O autor sempre deixa claro que por trás do nome, do título e da fachada, há nele todo um universo, uma história inteira que ele conhece, apenas, não pretende contar naquele momento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;&lt;div class="MsoNormal" style="text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="font-family: inherit;"&gt;&lt;span style="font-size: 13.5pt; line-height: 115%;"&gt;"&lt;/span&gt;Era a condessa Rostov uma senhora de rosto magro, tipo oriental, dos seus quarenta e cinco anos, visivelmente esgotada por doze partos sucessivos. A lentidão do seu passo e amorosidade da sua fala, consequências do quebranto das suas forças, davam-lhe um ar de dignidade que inspirava respeito. A princesa Ana Mikailovna Drubetskaia também se encontrava presente, íntima da casa que era, ajudando-a a receber as visitas e a manter a conversação. A gente nova&amp;nbsp;estava nas dependências das traseiras, desinteressada das visitas."&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;b&gt;Guerra e Paz&lt;/b&gt;, &amp;nbsp;vol.1, cap. 10&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;E que poucos trechos de livros me influenciaram tanto quanto este, em que ele fala sobre a história do "exíguo canto do mundo denominado Europa".&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;"Em 1789 estala uma sublevação em Paris; cresce, alastra, concretiza-se no movimento dos povos de Ocidente para Oriente. Repetidas vezes se dirige ele para Leste, entrando em colisão com um movimento contrário de Leste para oeste; em 1812, atinge seu limite extremo, Moscovo, e, com notável simetria, desenrola-se um movimento inverso de Oriente para Ocidente, atraindo a si exactamente como o primeiro, as nações intermediárias. Tal movimento atinge paris, ponto de partida da rebelião no Ocidente, e amaina.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;Neste período de vinte anos, enorme extensão de terra fica inculta; edifícios ardem, o comércio muda de rumo; milhões de pessoas empobrecem ou enriquecem, emigram, e milhões de cristãos, que professam a lei do amor ao próximo, matam-se uns aos outros.&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote style="text-align: justify;"&gt;Que significa isso? Como se originou? Que impulso levou estes homens a incendiar casas e trucidar semelhantes? Quais as causas de tais acontecimentos? Que força coagiu os indivíduos a agir deste modo? Eis as perguntas espontâneas, cândidas, e inteiramente legítimas que o homem a si mesmo formula ao estudar os monumentos e tradições do agitado período anterior."&lt;/blockquote&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Esta postura faz com até hoje as obras do autor sejam revisitadas com dois olhares e, não é&amp;nbsp;à toa que muitos estudam&amp;nbsp;&lt;b&gt;Guerra e Paz&lt;/b&gt;&amp;nbsp;não apenas como um romance, mas também como um ensaio de teoria da história.&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;Abaixo, imagens raras do grande autor russo.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://2.gvt0.com/vi/tk4whJ2aURY/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/tk4whJ2aURY&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/tk4whJ2aURY&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&amp;nbsp;Quem tiver interesse no historiador Tolstói e na sua percepção de que a história que fixa-se apenas nas "grandes figuras" é superficial e ilusória, dê uma olhada abaixo (em inglês e sem legendas).&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;object class="BLOGGER-youtube-video" classid="clsid:D27CDB6E-AE6D-11cf-96B8-444553540000" codebase="http://download.macromedia.com/pub/shockwave/cabs/flash/swflash.cab#version=6,0,40,0" data-thumbnail-src="http://0.gvt0.com/vi/Dmj3HjtdtQQ/0.jpg" height="266" width="320"&gt;&lt;param name="movie" value="http://www.youtube.com/v/Dmj3HjtdtQQ&amp;fs=1&amp;source=uds" /&gt;&lt;param name="bgcolor" value="#FFFFFF" /&gt;&lt;embed width="320" height="266" src="http://www.youtube.com/v/Dmj3HjtdtQQ&amp;fs=1&amp;source=uds" type="application/x-shockwave-flash"&gt;&lt;/embed&gt;&lt;/object&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;Em português, ler GARDINER, Patrick. &lt;i&gt;Teorias da História.&lt;/i&gt;&amp;nbsp;Lisboa: Fundação Calouste Gulbekian, s/d.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-1344317665567148158?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/1344317665567148158/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/tolstoy-historiador.html#comment-form' title='5 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1344317665567148158'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/1344317665567148158'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/tolstoy-historiador.html' title='Tolstói historiador'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><thr:total>5</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-8388654534884855075</id><published>2011-05-14T15:29:00.001-03:00</published><updated>2011-05-18T12:05:53.709-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>O mundo da Antecipação</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-jU7kbQT8vRU/Tcv2PSv9uEI/AAAAAAAAASs/akvaxGkTzq0/s1600/robo.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="320" src="http://4.bp.blogspot.com/-jU7kbQT8vRU/Tcv2PSv9uEI/AAAAAAAAASs/akvaxGkTzq0/s320/robo.jpg" width="285" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Estou lendo livros de contos e os acabo alternando por questões que vão da mente cansada ao desejo de variar autores. Sou chata-mor e enjoo coisas com facilidade. Talvez, por isso, com contos, eu tenha uma queda por coletâneas com mais de um autor. O problema é que elas são organizadas em torno de um mesmo assunto, aí...&amp;nbsp;Bem, já disse que sou chat-mor, não é? Toda a escusa fica aí.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho lido o Aleph, do Borges, alternando-o com contos de Ficciones (só um até agora, na verdade). Sim, estou em busca dos contos fantásticos (talvez faça um post quando terminar, apenas com impressões). Tenho especial predileção por eles. Sempre tive. Paixão de menina que cultivo sem culpa. Esta semana, uma súbita necessidade de voltar à ficção científica - outro gosto que provavelmente nasceu da vontade de saber porque meu pai não largava os livros do &lt;a href="http://pt.wikipedia.org/wiki/Perry_Rhodan"&gt;Perry Rhodan&lt;/a&gt; - me fez resgatar meu História de Robôs, vol. 3, que estava na casa dele. Os três volumes de &lt;a href="http://www.lpm.com.br/site/default.asp?Template=..%2Flivros%2Flayout_buscaprodutos.asp&amp;amp;FiltroStr=Hist%F3rias+de+Robos&amp;amp;FiltroCampo=Titulo&amp;amp;I1.x=0&amp;amp;I1.y=0"&gt;Histórias de Robôs&lt;/a&gt; foram organizados por Isaac Asimov e colaboradores e trazem um apanhado de obras-primas para apaixonados ou simples degustadores.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como livros de contos não exigem nem sequência, nem fidelidade, eu quase sempre começo por meus autores favoritos, o próprio Asimov e Arthur C. Clark, mais recentemente, também Philip K. Dick. Porém, desta vez, ataquei o livro com apetite de historiadora. Comecei pela excelente introdução do Asimov: um artigo brilhante sobre a sociologia da tecnologia, a tecnofobia, as resistências ao novo e nossas dificuldades em nos reeducarmos em qualquer sentido do termo. Depois, entrei no ótimo conto de Murray Leinster, escrito em 1946: &lt;i&gt;Uma lógica chamada Joe&lt;/i&gt;. Em sua introdução ao conto, Asimov diz que Leinster morreu antes de saber que suas "lógicas" eram a antecipação dos computadores pessoais. Porém, o próprio Asimov morreu antes de saber que o conto de Leinster também antecipava o Google e o Facebook. Para completar, circulando pela net, ontem, encontrei dois textos que pareciam completar o sentido do conto que eu estava lendo. Um sobre &lt;a href="http://g1.globo.com/ciencia-e-saude/noticia/2011/05/ficcao-e-maneira-mais-simples-de-gerar-interesse-na-ciencia-diz-fisico.html"&gt;ciência e ficção&lt;/a&gt; e outro sobre as &lt;a href="http://nosgeeks.pop.com.br/ate-onde-podemos-nos-expor-nas-redes-sociais/?sms_ss=facebook&amp;amp;at_xt=4dcaf250aa2223f2%2C0"&gt;redes sociais&lt;/a&gt;.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;blockquote&gt;"As lógicas modificaran nosso sistema de vida. São a &lt;i&gt;própria&lt;/i&gt;&amp;nbsp;civilização! Tirando esse troço de circulação, vamos voltar a uma espécie de mundo que nem se sabe mais como funciona!&lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;[...] &lt;/blockquote&gt;&lt;blockquote&gt;Se no tempo das cavernas tivesse acontecido alguma coisa e nunca pudessem usar o fogo - ou vapor nos século 19 e eletricidade no 20 - seria bem assim. A nossa civilização é muito simples. Lá por 1900 e tanto, o cara tinha que usar máquina de escrever, rádio, telefone, telex, jornal, biblioteca pública, enciclopédias, arquivos comerciais, catálogos, sem falar dos serviços de recados, advogados de consultas, farmacêuticos, médicos, dietistas, funcionários, secretárias - só para anotar o que queria lembrar e ficar sabendo o que as outras pessoas tinham dito a respeito do assunto que lhe interessava; para transmitir o que houvesse dito a alguém e, depois, comunicar-lhe a resposta recebida. A gente, em compensação, precisa das lógicas. Tudo o que quiser saber, ver, ouvir ou conversar com alguém, basta apertar o teclado. Agora, é só desativar o sistema e tudo vai para o beleléu. Mas Laurine..."&lt;/blockquote&gt;Acabei o conto pensando em nossa dependência dos computadores e dados informatizados, mas também o somos da eletricidade e do fogo. A resposta é sempre a respeito do como usamos e não em torno do que possuímos e é grande e deve ser coletiva. Enquanto a elaboramos, ler boa ficção científica é uma forma a mais de ficar atento.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;Ah, Laurine é a parte cômica do conto, mas eu não conto, terão de ler.&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;br /&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;Postado diretamente da Sibéria&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;local em que meu esposo e eu mantemos nossos escritórios,&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: right;"&gt;&lt;i&gt;o frigorífico e a adega.&lt;/i&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-8388654534884855075?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/8388654534884855075/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/o-mundo-da-antecipacao.html#comment-form' title='3 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8388654534884855075'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/8388654534884855075'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/o-mundo-da-antecipacao.html' title='O mundo da Antecipação'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-jU7kbQT8vRU/Tcv2PSv9uEI/AAAAAAAAASs/akvaxGkTzq0/s72-c/robo.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>3</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-7855207479314183311</id><published>2011-05-05T11:44:00.001-03:00</published><updated>2011-05-13T13:51:24.252-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Poesia'/><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>O tempo sem o poeta</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://3.bp.blogspot.com/-OHW6rqeKkb4/TcK3kkmFnKI/AAAAAAAAASE/pSC4lKlbmG8/s1600/quintana.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" height="225" src="http://3.bp.blogspot.com/-OHW6rqeKkb4/TcK3kkmFnKI/AAAAAAAAASE/pSC4lKlbmG8/s320/quintana.jpg" width="320" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Decorei minha primeira poesia quando estava na segunda série primária e foi um dos sonetos de &lt;i&gt;Rua dos Cataventos&lt;/i&gt;, de Mario Quintana. Aliás, foi só uma das inúmeras poesias dele que ainda sei recitar de cor. Tive vários namoros com a linguagem poética.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Como declamadora (eu era do time do colégio) adquiri uma má vontade especial com os que declamam &amp;nbsp;(mais ou menos no mesmo tom de Quintana, que acusava "as declamadoras" de assassinarem as poesias). A má vontade é ainda maior com os que declamam poesias campeiras (e se pautam pelos versos da batatinha), mas isso é outra história.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Flertei seriamente com as palavras e, até mesmo tentei, ensaiar a escrita poética, o que me rendeu uma postura algo radical sobre o tema: &lt;b&gt;a poesia não é para todos&lt;/b&gt;. Felizes os que tem talento, mas sejamos honestos, a grande maioria resta patética nas tentativas.&amp;nbsp;A poesia é exigente e ingrata. Obriga a um tal domínio de elipses e imagens que, apesar dos aventureiros, não se reduz ao confuso e ao excesso de adjetivos ou, o que há de pior, a colagem aleatória de palavras de impacto.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;"O sangue &lt;strike&gt;jorra&lt;/strike&gt;&amp;nbsp;brota da alma &lt;strike&gt;em fogo&lt;/strike&gt;&amp;nbsp;crepitante de um desejo mórbido, escolástico."&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Eca! Como ex-aventureira, acabei aprendendo que a poesia, o fazer poesia, é para quem pode e não para quem quer. Desejar ser poeta não é suficiente. Apesar das inúmeras oficinas - eu fiz uma excelente com o Orlando Fonseca - é difícil ensinar técnica poética como se ensina técnica&amp;nbsp;literária. A poesia, sim, deve brotar da alma. E quem a alimenta não é o amor adolescente ou as perdas ou a dor, é o deslumbramento com o mundo, o olhar para ele como se sempre fosse novo e extraordinário. Foi o olhar que Quintana deixou em seus poemas, por toda a vida, e que tem me acompanhado por toda a minha.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Neste dia, lembrar de Quintana é lembrar da doçura com que ele encadeava as palavras e nos fazia (e ainda faz) voar nelas, sorrir e, claro, se encantar com o mínimo que, nele, é o máximo.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;A Rua dos Cataventos&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;I&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Escrevo diante da janela aberta.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Minha caneta é cor das venezianas:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Verde!... E que leves, lindas filigranas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Desenha o sol na página deserta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não sei que paisagista doidivanas&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mistura os tons... acerta... desacerta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sempre em busca de nova descoberta,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vai colorindo as horas quotidianas...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Jogos da luz dançando na folhagem!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Do que eu ia escrever até me esqueço...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pra que pensar? Também sou da paisagem...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vago, solúvel no ar, fico sonhando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E me transmuto... iriso-me... estremeço...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nos leves dedos que me vão pintando!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;II&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dorme, ruazinha... É tudo escuro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E os meus passos, quem é que pode ouvi-los?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dorme o teu sono sossegado e puro,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Com teus lampiões, com teus jardins tranqüilos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dorme... Não há ladrões, eu te asseguro...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nem guardas para acaso persegui-los...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Na noite alta, como sobre um muro,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;As estrelinhas cantam como grilos...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O vento está dormindo na calçada,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O vento enovelou-se como um cão...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Dorme, ruazinha... Não há nada...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Só os meus passos... Mas tão leves são&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que até parecem, pela madrugada,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Os da minha futura assombração...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;(este é o que eu decorei por primeiro)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;III&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quando meus olhos de manhã se abriram,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Fecharam-se de novo, deslumbrados:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Uns peixes, em reflexos doirados,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Voavam na luz: dentro da luz sumiram-se...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Rua em rua, acenderam-se os telhados.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Num claro riso as tabuletas riram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E até no canto onde os deixei guardados&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Os meus sapatos velhos refloriram.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Quase que eu saio voando céu em fora!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Evitemos, Senhor, esse prodígio...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;As famílias, que haviam de dizer?&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nenhum milagre é permitido agora...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E lá se iria o resto de prestígio&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que no meu bairro eu inda possa ter!...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;IV&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu nada entendo da questão social.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu faço parte dela, simplesmente...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E sei apenas do meu próprio mal,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que não é bem o mal de toda a gente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nem é deste Planeta... Por sinal&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que o mundo se lhe mostra indiferente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E o meu anjo da Guarda, ele somente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;É quem lê os meus versos afinal...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E enquanto o mundo em torno se esbarronda,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Vivo regendo estranhas contradanças&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;No meu vago País de Trebizonda...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Entre os Loucos, os Mortos e as Crianças,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;É lá que eu canto, numa eterna ronda,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nossos comuns desejos e esperanças!...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;V&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Na minha rua há um menininho doente.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Enquanto os outros partem para a escola,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Junto à janela, sonhadoramente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ele ouve o sapateiro bater sola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ouve também o carpinteiro, em frente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que uma canção napolitana engrola.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E pouco a pouco, gradativamente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O sofrimento que ele tem se evola...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mas nesta rua há um operário triste:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não canta nada na manhã sonora&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E o menino nem sonha que ele existe.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Ele trabalha silenciosamente...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E está compondo este soneto agora,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Pra alminha boa do menino doente...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;VI&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Avozinha Garoa vai cantando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Suas lindas histórias, à lareira.&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;“Era uma vez... Um dia... Eis senão quando...”&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Até parece que a cidade inteira&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sob a garoa adormeceu sonhando...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Nisto, um rumor de rodas em carreira...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Clarins, ao longe... (É o Rei que anda buscando&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;O pezinho da Gata Borralheira!)&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Cerro os olhos, a tarde cai, macia...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Aberto em meio, o livro inda não lido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Inutilmente sobre os joelhos pousa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E a chuva um’outra história principia,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Para embalar meu coração dorido&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que está pensando, sempre, em outra cousa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;VII&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Para Dyonélio Machado&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Recordo ainda... E nada mais me importa...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Aqueles dias de uma luz tão mansa&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que me deixavam, sempre, de lembrança,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Algum brinquedo novo à minha porta...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Mas veio um vento de Desesperança&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Soprando cinzas pela noite morta!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;E eu pendurei na galharia torta&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Todos os meus brinquedos de criança...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Estrada afora após segui... Mas, ai,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Embora idade e senso eu aparente,&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Não vos iluda o velho que aqui vai:&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Eu quero os meus brinquedos novamente!&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Sou um pobre menino... acreditai...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;Que envelheceu, um dia, de repente!...&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: center;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-7855207479314183311?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/7855207479314183311/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/o-tempo-sem-o-poeta.html#comment-form' title='2 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7855207479314183311'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/7855207479314183311'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/05/o-tempo-sem-o-poeta.html' title='O tempo sem o poeta'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://3.bp.blogspot.com/-OHW6rqeKkb4/TcK3kkmFnKI/AAAAAAAAASE/pSC4lKlbmG8/s72-c/quintana.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>2</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-3682396620714316252</id><published>2011-04-30T00:15:00.001-03:00</published><updated>2011-05-05T11:45:34.629-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Um pouco de etiqueta à mesa</title><content type='html'>&lt;div class="separator" style="clear: both; text-align: center;"&gt;&lt;a href="http://4.bp.blogspot.com/-9ziY_wWJfKI/Tbt90KxK7HI/AAAAAAAAASA/nXeZDxgrCyM/s1600/69082_443098670918_267742485918_5823678_7448512_a.jpg" imageanchor="1" style="margin-left: 1em; margin-right: 1em;"&gt;&lt;img border="0" src="http://4.bp.blogspot.com/-9ziY_wWJfKI/Tbt90KxK7HI/AAAAAAAAASA/nXeZDxgrCyM/s1600/69082_443098670918_267742485918_5823678_7448512_a.jpg" /&gt;&lt;/a&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="color: #333333; font-family: 'lucida grande', tahoma, verdana, arial, sans-serif; font-size: 11px; line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;Ministro História Moderna nas sextas-feiras. Hoje, enquanto a mídia nos massacrava com um casamento que nem deveria nos interessar, o assunto da realeza parecia à propósito, pois nosso tema de estudo era justamente a formação do estado moderno. A partir dele, não foi difícil que nossos debates se dirigissem para a formação da sociedade de corte e a civilização dos costumes. Obviamente, desembocamos na etiqueta. Como então não lembrar do delicioso texto que aparece no Cadernos de Cozinha de Leonardo Da Vinci?&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;/span&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: justify;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;O que hoje é tão engraçado, nos impressiona. Afinal são regras que introjetamos, e é difícil pensar numa época em que era necessário que isso fosse enunciado como regra.&amp;nbsp;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: center;"&gt;&lt;b&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc;"&gt;***&lt;/span&gt;&lt;/b&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;em&gt;&lt;/em&gt;&lt;strong&gt;«Há hábitos impróprios, de que um convidado para a mesa do meu Amo se deve abster, sendo a lista que se segue baseada nas observações que fiz daqueles que tomaram assento junto do meu Senhor durante o ano que passou:&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;br /&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/span&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nenhum convidado se deve sentar em cima da mesa, nem de costas voltadas para ela, nem ao colo de outro comensal.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem deve pôr as pernas em cima da mesa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem se deve sentar debaixo da mesa, por pouco tempo que seja.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem deve pôr a cabeça por cima do prato para comer.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem deve tirar comida do prato do vizinho, sem primeiro lhe pedir licença.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve colocar no prato do vizinho partes desagradáveis ou já mastigadas da sua própria comida, sem que primeiro lhe tenha pedido licença.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve limpar a sua faca às vestes do vizinho.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem usar a sua faca à mesa para trinchar.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve limpar à mesa as suas armas.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve retirar comida da mesa, guardando-a na bolsa ou na bota para consumo ulterior.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve dar dentadas nos frutos que se encontram na fruteira para voltar depois a colocá-los nela.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve cuspir à frente do meu senhor.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem ao seu lado.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve beliscar ou dar palmadas no vizinho.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve arfar pesadamente ou dar cotoveladas.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve revirar os olhos ou fazer caretas assustadoras.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve meter o dedo no nariz ou no ouvido durante a conversação.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve fazer maquetas, nem acender fogos, nem treinar-se na arte da pantomina em cima da mesa (a menos que o meu senhor o solicite).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve soltar os seus pássaros em cima da mesa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem o fazer com cobras ou escaravelhos.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve tocar alaúde ou outro instrumento qualquer que possa importunar o seu vizinho ( a menos que o meu Senhor o solicite).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve cantar, discursar, nem proferir impropérios, e menos ainda fazer adivinhas lascivas quando ao seu lado estiver uma senhora.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve conspirar à mesa (a menos que seja com o meu Senhor).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Não deve fazer propostas obscenas aos pagens do meu Senhor, nem abusar dos corpos deles.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem deve pegar fogo ao vizinho enquanto se encontra à mesa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Nem deve agredir um criado (a menos que seja em defesa própria).&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- E, se sentir necessidade de vomitar, que saia da mesa.&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;- Tal como se tiver de urinar.»&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="line-height: 1.5em; margin-bottom: 0px; margin-left: 0px; margin-right: 0px; margin-top: 0px; text-align: left;"&gt;&lt;strong&gt;&lt;span class="Apple-style-span" style="color: #fff2cc; font-family: inherit;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/span&gt;&lt;/strong&gt;&lt;/div&gt;&lt;div class="blogger-post-footer"&gt;&lt;img width='1' height='1' src='https://blogger.googleusercontent.com/tracker/9193290791372814678-3682396620714316252?l=sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com' alt='' /&gt;&lt;/div&gt;</content><link rel='replies' type='application/atom+xml' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/feeds/3682396620714316252/comments/default' title='Postar comentários'/><link rel='replies' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/04/um-pouco-de-etiqueta-mesa.html#comment-form' title='13 Comentários'/><link rel='edit' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3682396620714316252'/><link rel='self' type='application/atom+xml' href='http://www.blogger.com/feeds/9193290791372814678/posts/default/3682396620714316252'/><link rel='alternate' type='text/html' href='http://sapatinhosvermelhosnika.blogspot.com/2011/04/um-pouco-de-etiqueta-mesa.html' title='Um pouco de etiqueta à mesa'/><author><name>Nikelen Witter</name><uri>http://www.blogger.com/profile/13263855202881944694</uri><email>noreply@blogger.com</email><gd:image rel='http://schemas.google.com/g/2005#thumbnail' width='30' height='32' src='http://2.bp.blogspot.com/-bZkKKSRyRvY/TbA12CNzZmI/AAAAAAAAARE/EZh0de3sRZI/s220/Sapatinhos%2Bvermelhos2.png'/></author><media:thumbnail xmlns:media='http://search.yahoo.com/mrss/' url='http://4.bp.blogspot.com/-9ziY_wWJfKI/Tbt90KxK7HI/AAAAAAAAASA/nXeZDxgrCyM/s72-c/69082_443098670918_267742485918_5823678_7448512_a.jpg' height='72' width='72'/><thr:total>13</thr:total></entry><entry><id>tag:blogger.com,1999:blog-9193290791372814678.post-2834644358376060792</id><published>2011-04-26T10:48:00.005-03:00</published><updated>2011-04-30T00:15:59.632-03:00</updated><category scheme='http://www.blogger.com/atom/ns#' term='Crônica'/><title type='text'>Falando em listas...</title><content type='html'>&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Não sou só eu, claro. Conheço muita gente com fascínio por listas. Aliás, o povo que vive na internet é cheio delas. Mas, creio, isso faz parte da condição humana, não? Ser classificador. Podemos ir até mais longe: fazer listas é o prolongamento da função adâmica da humanidade - aquela que, com a linguagem, nos deu direito de dar nomes às coisas. Como, hoje em dia, a maioria das coisas tem nomes, nos contentamos em elaborar listas do que preferimos e despreferimos, do que cobiçamos e descartamos.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;a name='more'&gt;&lt;/a&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;Tenho a impressão que, a maioria dos entusiastas em listas tem pouco interesse nas listas dos outros. Ouve-as apenas com a educação do aparente interesse, para logo depois poder recitar a sua que, claro, lhe afigura muito mais importante. Além disso, a lista nos dá a impressão de que, de alguma forma, nos é possível premiar os outros e, se nos colocamos como quem premia, nos colocamos como jurados. Que poder seria maior do que este? Julgamos tudo. A beleza dos outros, o seu talento, as suas obras. Fazendo listas, nos enchemos de poder. Dizemos quem entra e quem sai. Podemos olhar do alto, para alguém que todos julgam superior (em beleza, talento ou obras) e dizermos: não, não gosto, você não está na minha lista de... sei lá, Top 10, Top 5, ou, suprema desconsideração, nem na de Top 100.&amp;nbsp;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;&lt;br /&gt;&lt;/div&gt;&lt;div style="text-align: justify;"&gt;As listas se tornaram tão importantes que há quem ganhe dinheiro com elas: 100 coisas para fazer, ver, ser, ler
